Ponto Vermelho
Natal não tão diferente
24 de Dezembro de 2013
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1. Angustiados e a esforçarmo-nos por enfrentar as crescentes agruras da vida, mal demos conta de que era Natal outra vez. Provavelmente muitos de nós de há três anos a esta parte temos desfocado dele o nosso pensamento dado que se o fizéssemos, éramos de imediato transportados para o tempo em que a quadra era uma verdadeira festa de família por todas as cidades e aldeias deste País e onde a felicidade irradiava e as expectativas dos adultos e sobretudo dos mais pequenos jamais saíam goradas. Hoje em dia, por todas as razões conhecidas, desses tempos já só nos resta uma longa e imensa saudade porque sentimos que estamos a perder a cada passo a nossa própria independência e identidade.

2. Constatada essa realidade marcante não podemos, contudo, deixar-nos abater porque isso seria contribuir para que o objectivo perseguido do nosso desmorecimento fosse alcançado. Temos que saber reagir e tudo fazer para minorar o impacto, sabendo-se as dificuldades e que por esta altura todos estamos mais sensíveis, mais reactivos e atentos à realidade dos que nos rodeiam que em muitas circunstâncias ainda se encontram piores do que nós. Tendo em conta de que nada podemos esperar de positivo de quem deveria preocupar-se connosco e com os nossos filhos, que sejamos nós a dar um pouco mais do pouco que ainda nos resta. Pena é que tal seja feito apenas nesta altura quando em todo o ano encontramos fases críticas.

3. Desportivamente falando, o ano que está a caminhar apressadamente para o fim não foi particularmente feliz para os benfiquistas. De uma elevada expectativa em conseguir vários títulos entre os quais uma prova europeia de que já estávamos arredados há 23 anos, tudo se esboroou em escassos 12 dias que nos conduziram a um final de época particularmente doloroso e que se arrastou para a temporada seguinte sem que até ao momento tenhamos recuperado o elán de que então demos mostras. Várias explicações têm sido avançadas mas poucos dão a devida ênfase ao facto da equipa ter sido fortemente fustigada por lesões sistemáticas não só musculares como traumáticas, e que teriam causado certamente um atraso irrecuperável noutras equipas.

4. No entanto, apesar da desilusão que constituiu a saída precoce da Liga dos Campeões mesmo com a equipa a ter conseguido 10 pontos quando noutro grupo o Zenit de St. Petersburgo foi apurado com 6, o Benfica mantem-se em todas as frentes o que significa que continua com as hipóteses intactas de conseguir realizar uma época à altura das expectativas. Mau grado as exibições irregulares que não têm conseguido convencer os adeptos e que se têm arrastado para além do expectável, estamos convictos de que com o regresso dos lesionados mais influentes a equipa conseguirá estabilizar e adquirir a dinâmica que todos sabemos estar ao seu alcance.

5. O regresso do campeonato após o breve interregno do Natal coincide com o fim da 1.ª volta. Nele vamos defrontar o nosso maior rival dos últimos anos e por isso teremos que estar focados e preparados. Teremos que abandonar de vez os fantasmas que parecem povoar algumas cabeças e que têm levado a que as exibições e os resultados tenham ficado aquém do que seria desejável com os efeitos perniciosos inerentes. São apenas 3 pontos que estão em disputa mas o resultado pode vir a pesar para o resto do campeonato até porque não podemos menosprezar o terceiro candidato que está muito acima dos vaticínios dos entendidos e que estará muito atento dado que um ou mesmo os dois terão que deixar inevitavelmente pontos pelo caminho. Ainda que pelo meio haja mais um clássico em Alvalade para a Taça da Liga.

6. É portanto bom este interregno futebolístico para que nos desliguemos um pouco dos constantes casos do Futebol português que são o pão nosso de cada dia e que prometem transitar para o 2014. O presidente do Sporting tem vindo a empreender uma cruzada sob a pretensa regeneração da arbitragem mas para já, para além do folclore e das acções populistas que tem protagonizado, tem enfermado dos mesmos males; reage indignadamente aos alegados erros em seu desfavor em que se excede com inusitada frequência, mas refugia-se num silêncio compulsivo sempre que é beneficiado (e já foram várias as vezes que isso aconteceu), dando a entender que essas acções são para continuar até que conclua (ou alguém por ele) que as coisas não assim tão simples e tem que definir outro tipo de estratégia porventura mais acompanhada, para que seja possível conseguir alterações no modus operandis do sistema. Se não o fizer arrisca-se a que mais dia menos dia as suas palavras sejam levadas pelo vento…

P.S. Não poderíamos deixar passar o ensejo sem desejar a todos os desportistas e em particular aos benfiquistas, um Natal recheado de toda a felicidade, paz e harmonia. Voltaremos na 5ª.








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