Ponto Vermelho
Vozearia compulsiva
27 de Dezembro de 2013
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Uma das facetas que caracteriza o universo leonino, de uma forma geral, é a propensão para a vitimização como se fossem eles os únicos a ser prejudicados com os erros e as distracções arbitrais. Qualquer lance em que supostamente são atingidos por uma decisão errada é fortemente empolado até mais não durantes dias, semanas, meses e até anos (como é o caso do célebre lance do falhanço de Ricardo perante Luisão que terá custado um campeonato ao Sporting), com os dirigentes e as suas ramificações na imprensa a lembrar os adeptos do futebol todos os dias, que um tal lance existiu e foi a fonte de todos os malefícios leoninos.

Esta época, derivado do que a equipa sportinguista está a fazer até ao momento, um campeonato como há muito não se via em contraponto com os seus rivais mais directos, a coisa fia mais fino atendendo a que a intelligentsia leonina definiu como um dos principais vectores reagir de imediato e com grande alarido a qualquer hipotético erro que prejudique o Sporting, mantendo como é bom de entender um silêncio compulsivo perante todos os benefícios que como é óbvio e natural também os afecta de forma positiva. O que vale à opinião pública é que pela primeira vez em muitos anos apenas existem dois interlocutores que se desdobram em declarações públicas, assistindo-se curiosamente à saga do polícia bom e do polícia mau que baralham alguns espíritos mais sensíveis à choradeira.

Se por mera hipótese conseguíssemos situar-nos na estrutura leonina decerto entenderíamos melhor a estratégia; Bruno de Carvalho recém chegado ao futebol e à presidência de um grande por ter ouvido e lido certamente sobre alguns dos erros mais sugestivos que foram determinantes na perda de jogos decisivos e campeonatos pelo Benfica, quer desde logo marcar posição por forma a conseguir obstar em antecipação a eventuais erros que possam ser determinantes quando porventura o Sporting estiver em situação previlegiada para a conquista de qualquer título. Nesse sentido, está a assumir com gosto o papel do polícia mau que dispara em todas as direcções gastando munições em demasia e sem se preocupar se atinge ou não os alvos. Pelo menos faz barulho e nesta primeira fase há sempre alguém que lhe presta atenção, restando saber se, a continuar, a situação se manterá.

Do outro lado a contrapartida do polícia bom protagonizada pelo seu treinador Leonardo Jardim. Escudado na excelente carreira da equipa que tem sido a menina dos olhos da comunicação social que a tem endeusado sem descanso apesar do seu discurso repetitivo e monocórdico, descobriu a forma hábil de contornar as queixinhas falando sem falar, afirmando uma verdade que já dura desde que há Futebol em Portugal – que os grandes são, normalmente, favorecidos quando em disputa com equipas pequenas. Essa afirmação rebuscada mereceu o Prémio Nobel dos media de 2013, o que significa que a sua imagem e a do Sporting estão em alta, o que do ponto de vista do interesse do campeonato é excelente sob todos os aspectos.

O último grande grito que agitou Portugal de lés a lés prendeu-se com o facto de contrariamente ao esperado por todo o universo leonino e não só, não ter terminado o ano isolado na liderança do campeonato. Não há dúvida que os adeptos (e os sportinguistas neste particular) estão sempre insatisfeitos e almejam sempre mais, pois passarem das situações angustiantes em todas as quadras natalícias dos últimos anos para a impensável liderança tripartida já não é motivo suficiente para que se sintam inteiramente realizados. As voltas que o mundo do futebol dá!

Subjacente a tudo isso esteve o rastilho do golo de Slimani que acabou por não ser e que poderia ter dado a vitória no jogo com o Nacional. Muitas vozes (entendidas ou não) se têm debruçado sobre o lance, com a maioria a inclinar-se pela injustiça da sua anulação. Também temos a nossa própria opinião; depois de uma análise minuciosa chegámos à conclusão que de facto existiu falta do marcador (ainda que de forma subreptícia) sobre o defesa do Nacional. Contudo, não tendo sido assinalada a falta precedente de Montero, não escandalizaria de modo nenhum que o golo fosse validado, atendendo até à prática que se tem visto no nosso campeonato, de que é expoente máximo o portista Jackson Martínez que tem usado e abusado daquele tipo de faltas para concretizar sem que as infracções sejam assinaladas. Desse ponto de vista (e só desse) o Sporting tem razão à indignação por ter sido penalizado pela dualidade de critérios. Mas o que não deve fazer e em particular o seu jovem presidente é disparar sem cessar, pois a gastar assim tantos tiros ainda se lhe vão esgotar as munições…








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