Ponto Vermelho
Um 2014 melhor!
31 de Dezembro de 2013
Partilhar no Facebook

Esperávamos nós e decerto todos os benfiquistas que os encarnados se despedissem de 2013 na Madeira com uma exibição convincente e um resultado a condizer. Para transmitir uma mensagem de confiança para o novo ano a todos os adeptos e, ao mesmo tempo, para enterrar de forma definitiva o sempre lembrado ciclo fatídico dos 12 dias em que tudo podia ser ganho e tudo acabou por ser perdido. Porque enquanto isso não suceder ficará sempre a pairar essa espada sobre as cabeças e que voltará sempre a surgir a cada resultado negativo e a cada exibição insegura.

Apesar da ´Pérola do Atlântico’ encerrar grandes tradições de encerramento festivo do Ano Velho, o Benfica não esteve pelos ajustes e brindou os seus adeptos com uma prestação esforçada mas muito longe do que é capaz de produzir. Salvou-se mais uma vez o resultado que derivou de um lance fortuito, mas aos encarnados, dada a extensão e qualidade de jogadores do plantel, é lícito exigir sempre mais e sobretudo melhor. A equipa apenas consegue atingir níveis consentâneos com a realidade do plantel a espaços, o que é muito pouco para quem almeja mais altos voos em face das provas que está a disputar.

Conforme já expressámos, temos vivido na expectativa de uma evolução crescente da prestação da equipa. Têm de facto existido sérias contrariedades como por exemplo as lesões em jogadores-chave que têm causado perturbações, mas entendemos que esse facto, por mais importante que seja, não explica tudo e muito menos justifica a baixa rotação da equipa. Depois do desempenho de Setúbal com o primeiro remate digno desse nome apenas após o intervalo, quase houve repetição na Choupana, o que é manifestamente insuficiente para um candidato ao título e com legítimas e naturais aspirações na Liga Europa.

É a equipa técnica e os jogadores que melhor do que ninguém terão que analisar e ponderar as razões do porquê disso estar a acontecer. Ainda ontem, com indiscutível mérito do Nacional que possui sem sombra de dúvida uma boa equipa e está bem orientada, houve mais transpiração do que inspiração dos jogadores encarnados, ficando a sensação para quem vê de fora que existe alguma anarquia na equipa com oscilação de sistemas que nesta altura já deviam estar testados e solidificados. É certo que são os treinadores de bancada a opinar, mas existe sempre essa tentação quando as exibições e os resultados não estão de acordo com o que se exige a um plantel como o encarnado.

Teremos que ser justos e dizer que, apesar de não termos assistido a uma exibição de encher o olho, o primeiro tempo foi agradável com o Benfica sempre na mó de cima. Nesse período em que tentou esticar o jogo, houve contudo demasiado transporte de bola com alguns jogadores mais criativos a perderem-se na sucessão de fintas e na errada definição dos passes o que invalidou uma série de jogadas que podiam causar perigo e acabou por facilitar a tarefa da bem organizada defesa nacionalista. E, depois, parece continuar a existir demasiada cerimónia na altura de rematar à baliza em que os jogadores querem ganhar posição mais previlegiada e acabam por perder a oportunidade de desfeitear o guarda-redes. E, é dos livros, sem remates não há golos.

Já o mesmo não poderemos dizer do 2.º tempo em que praticamente desde o início o Nacional se instalou com armas e bagagens no meio-campo dos encarnados pressionando o Benfica logo na sua 1.ª fase de construção e a ganhar sistematicamente todas as segundas bolas. Explicou Jesus que a equipa optou por alguma contenção e que o abaixamento de produção deveu-se a apenas ter havido dois treinos o que se aplica de igual modo aos madeirenses. Como explicar então que o Nacional tenha confinado o Benfica à sua zona defensiva com o panorama a alterar-se apenas com a entrada de Rúben Amorim? Terá sido mera coincidência ou justificava-se a sua entrada em cena mais cedo para reforçar a zona do meio-campo e colmatar a baixa acentuada de produção de alguns elementos?

Fica mais uma vez a sensação de qual o sistema táctico que melhor se adapta às características da equipa e aquele onde os criativos do plantel espraiam melhor as suas potencialidades. Começam a ser demasiados os exemplos para perceber que a insistência, para não dizer a teimosia, de insistir noutros que poderão ser sublimes e espetaculares mas cujos resultados têm sido insuficientes, poderá, especulando um pouco, estar a atrasar o regresso do Benfica às exibições seguras, objectivas e consistentes. Porque, quer queiramos ou não, os méritos de um sistema medem-se pelo potenciamento dos jogadores e dos resultados conseguidos. E estes, sejamos francos, não têm sido de molde a entusiasmar. Resta-nos esperar convictamente que 2014 acabe de vez com estas dúvidas e que seja ponto de partida para os êxitos que se esperam ver a ser alcançados até final da época.

P.S.- Um ano social e desportivo melhor e de preferência excelente para todos e muito em particular aos benfiquistas, são os votos que aqui deixamos expressos. Até 5.ª!






Bookmark and Share