Ponto Vermelho
Fragmentos da mensagem presidencial
2 de Janeiro de 2014
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1. Há já algum tempo que havia rumores que o presidente do Benfica se preparava para falar à nação benfiquista. Com alguma lógica acrescente-se, dado que a conjuntura encarnada tem vindo a apresentar alguns pontos a precisar de clarificação. Não tanto pela necessidade interna, mas para evitar a propagação de análises distorcidas que surgem em quaisquer circunstâncias e em particular quando a hierarquia conserva por muito tempo o silêncio. A questão central é que as alturas das mensagens devem ser criteriosamente avaliadas pela estrutura, devendo haver o especial cuidado de que sejam claras e objectivas e atinjam os alvos sem banalização do discurso.

2. Não eram expectáveis grandes novidades mas apenas o sublinhar das linhas mestras programáticas que têm sido prática corrente, mau grado a carreira da equipa principal de futebol não estar a ser de nenhum modo galvanizante. E isso tem refreado o entusiasmo dos benfiquistas bem patente nas assistências e no entusiasmo à volta da equipa que se nota sobretudo na comparação com épocas anteriores. Não é possível esconder algum desânimo e desencanto pelo modo como as coisas têm acontecido, mas o factor económico não pode ser menorizado atendendo a que mesmo os adeptos mais entusiasmados são obrigados a ter neste momento outro tipo de prioridades. O que seria impensável ainda não há muito tempo. Havia pois que introduzir factores de confiança.

3. A entrevista ao diário A Bola que versou praticamente todos os temas da actualidade benfiquista acabou por ter um registo discreto até pela própria postura do entrevistado. Ficou confirmado que o rumo traçado é para ser seguido para o bem e para o mal, havendo basicamente apenas uma alteração de fundo aliás já esperada, que se prende com uma maior flexibilidade na alienação de jogadores motivada por questões de natureza financeira, alterando de alguma forma o percurso seguido no último defeso que recaiu na manutenção do plantel para a prossecução do objectivo Champions. Sendo que o sonho da sua concretização se esvaiu logo na 1.ª fase, é preciso agora redimensionar os objectivos dado que o esforço financeiro então feito precisa antes do mais de ser recalibrado.

4. Como é habitual são sempre efectuadas numerosas leituras muitas ao sabor das conveniências do momento, acrescentando e retorcendo o verdadeiro alcance das mensagens. Também nada de novo aqui. Não estando perspectivadas compras pelos motivos que são do domínio público até porque este período é apenas uma janela de reajustes, é nas outras vertentes que a atenção está centrada e para as quais converge a maioria das atenções, dado que podem vir a haver novidades. Não propriamente nos chamados excedentários sempre preteridos na atenção, mas essencialmente na possibilidade de venda de qualquer das pérolas encarnadas.

5. É indiscutível que o plantel encarnado é no momento presente demasiado extenso o que acarreta constrangimentos desportivos (desmoraliza os preteridos) e financeiros (demasiado dispendioso). E isso está traduzido no aumento do valor da respectiva rúbrica de custos o que contribui para o aumento do passivo. Mas as decisões têm que ser tomadas num determinado momento e numa precisa conjuntura que se pode alterar a cada passo sem que seja possível antever situações futuras. E quando agora muitos relevam com intensidade o plantel excessivo, esquecem-se que foi precisamente esse factor que impediu que a equipa não se tivesse desmoronado em termos de objectivos desportivos por um conjunto de razões, muito em particular com a catadupa de lesões que a têm afectado.

6. O plantel é numeroso porque como se sabe versava o objectivo de uma carreira meritória na Champions. Não havendo mais esse objectivo, manter a situação na mesma não parece ser a melhor solução em termos financeiros mas isso não implica necessariamente vender por vender e, sobretudo, jogadores nucleares que são vitais para alcançar os objectivos perseguidos, à frente dos quais está o título conforme frisou e bem LFV. A menos que hajam cláusulas rescisórias a serem batidas, não se nos afigura que seja essa a obrigatoriedade, até porque para Junho quando essa questão se colocar com mais acuidade ainda falta muito tempo. Além de que temos o Campeonato do Mundo.

7. Não sendo a 1.ª vez que LFV aborda a questão de modo entusiasta, o ter de novo sublinhado a aposta na Formação foi importante e sobretudo oportuno. Bem sabemos que enunciar objectivos é fácil, o difícil é cumpri-los em particular quando a sua execução é de grande complexidade devido a factores incontroláveis. Mas é bom lembrar que pelo que se observa os frutos estão finalmente a começar a surgir de forma regular, e o Benfica mais tarde ou mais cedo irá ser obrigado pela própria conjuntura a ter que fazer opções nesse domínio sendo a solução mais óbvia o alfobre do Seixal. Para isso há que manter essa aposta cada vez mais firme e adequar os timings da sua implementação. Todavia, conjugar desejos com realidades objectivas nem sempre é tarefa fácil…






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