Ponto Vermelho
Factos e alertas para 2014
11 de Janeiro de 2014
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1. 2014 chegou pouco animador e desde logo marcado pela partida de Eusébio um dos maiores vultos mundiais da história futebolística do século XX. Tristeza para todos os portugueses e em especial para os benfiquistas, mas que pela marcha do tempo ser inexorável teremos que olhar em frente e fazer por cumprir o seu legado. Se seguirmos o seu exemplo com a humildade e a humanidade que sempre o caracterizaram, estamos certos de que seguiremos no caminho adequado para que o futebol e a sociedade possam ser mais justos e mais fraternos. Um caminho certamente olhado com desconfiança por muitos em face da conjuntura que nos rodeia e que parece não encerrar um futuro promissor. Mas justamente por isso temos o dever de prosseguir sem desfalecimentos porque o encolher de ombros e aceitar passivamente o momento negro que atravessamos não é, nem deve ser opção.

2. Olhemos então para alguns dos temas pendentes e que prometem desenvolvimentos no ano ora iniciado. Desde logo a implementação do Tribunal Arbitral do Desporto cujo parto tem vindo a revelar-se difícil. Porque o actual estado de circunstâncias agrada a alguns que se sentem confortáveis assim, tudo serve para ir protelando o seu arranque efectivo dado que tal alteração, caso venha a ser dotada dos meios e da independência necessária pode vir a colidir com os poderes vigentes. Daí que a teia burocrática que nos define se vá prolongando fazendo arrastar a entrada em pleno do TAD que importaria não ser desvirtuado dos valores e dos objectivos para que foi criado, para que não venha a revelar-se como mais uma estrutura dependente e ineficaz. Aguardam-se novos desenvolvimentos, mas para já o panorama não é brilhante pois as suas funcionalidades e capacidade decisória parecem cada vez mais estarem a ser desvirtuadas.

3. De igual modo olhamos para outro caso mediático que para variar se prolongou por demais no tempo quando parecia bem mais fácil um apuramento de factos com a relativa e possível celeridade. Reportamo-nos às várias cenas tristes protagonizadas pelo ex-Vice-Presidente do Sporting – Paulo Pereira Cristóvão, e em particular o caso José Cardinal que a justiça desportiva quis acelerar com o arquivamento do processo, numa acção que reputamos de prematura e irresponsável, se atendermos a que as investigações no campo civil prosseguiam e ainda não tinham sido concluídas. Insensatez na decisão de arquivar o processo para, algum tempo depois, face ao apuramento de matéria indiciadora que justificou o seu envio a tribunal, proceder à sua reabertura. Falta agora a marcação do julgamento que se espera seja ainda em 2014…

4. Outro dos assuntos que causou perplexidade foi o chamado caso do furto dos computadores da FPF. Segundo versão da própria PSP o assalto que levou a que tivessem sido furtados os PC’s de Fernando Gomes, da Secretária e do presidente do Conselho de Arbitragem Vítor Pereira, foi perpretado por um assaltante que terá deixado no local abundantes provas e indícios para que rapidamente fosse identificado e detido. Pois bem; apesar da situação ter ocorrido em 10 de Fevereiro e a despeito das constantes insistências públicas, apenas em finais de Novembro o mesmo foi preso depois de longas e aturadas investigações. É caso para dizer que mais vale tarde do que nunca, pelo que estamos expectantes pelo que o tribunal venha a provar sobre as suas motivações, se considerarmos a extraordinária pontaria de um vulgar ladrão de computadores…

5. Fez correr muita tinta e acabou por prejudicar o patrocínio da Liga de Clubes da II Liga e o futebol em geral, a questão da legalização das Apostas Desportivas. Numa acção desencadeada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a quem a Associação dos Casinos Portugueses se juntou à boleia, um Tribunal Administrativo do Porto considerou as apostas on-line ilegais tendo em consideração a exclusividade concedida pelo Estado à Santa Casa. Desleixo do poder legislativo que estava a estudar o assunto desde 2010, mas não regulou a matéria quando tal já acontecia na Europa e em particular em Espanha, o que significou prejuízos para a Liga, para os clubes e para o futebol no seu todo, e para os cofres do Ministério das Finanças que assim se viu impedido de arrecadar uma boa maquia em impostos. Muitos pedidos, muitas insistências, mas só agora parece haver a garantia que, finalmente, será implementada este ano! Mal podemos esperar para ver…










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