Ponto Vermelho
Eusébio agradeceu!
13 de Janeiro de 2014
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1. As expectativas que foram sendo criadas ao longo da semana para o clássico Benfica-FC Porto que fechava a 1.ª volta do campeonato, apesar de intensas, ficaram claramente a perder com a despedida sentida e emocionada de Eusébio à escala nacional e à constante evocação dos feitos da sua carreira, da sua classe, da sua humildade e dos serviços relevantes que prestou ao Benfica e ao futebol em todos os continentes, e a Portugal que ao tempo vivia num obscurantismo que nos afastava da Europa e do Mundo.

2. Com a particularidade de se defrontarem os quatro primeiros classificados a última jornada prometia, uma vez que do trio mais destacado, pelo menos um dos contendores iria atrasar-se em relação ao topo. Afinal acabaram por ser dois, dado que o Sporting não passou incólume no Estoril e o Benfica levou de vencida o FC Porto no jogo mais importante da jornada, o que para o campeonato já não acontecia desde a época de 2009/2010, no 1.º ano de Jorge Jesus e precisamente naquela em que foram campeões.

3. Antes do mais permitam-nos sublinhar no plano interno, que para além da sociedade portuguesa na sua generalidade, as gentes do futebol em concreto souberam estar à altura do adeus ao Rei. Como é evidente com principal destaque para o Benfica, para os seus dirigentes e muito em particular para o seu presidente, para além da sua imensa mole de adeptos e simpatizantes. Nos dois principais jogos havia alguma expectativa sobre a atitude que iriam tomar os adeptos dos clubes rivais mas, como se viu na Amoreira e na Luz, souberam estar à altura da ocasião o que leva a pensar que a esmagadora maioria dos adeptos sabe estar no futebol aparte o apoio inquestionável às suas equipas do coração. Falar de meia-dúzia de energúmenos que se esforçaram por dar nas vistas seria dar-lhes a importância que nunca hão-de ter.

4. No futebol propriamente dito existiu desde logo a particularidade do Benfica ter jogado com 11 Eusébios. Uma ideia bonita e cativante que todos se esforçaram por levar à prática numa tarde em que para além das dificuldades, se esperava que o Benfica vencesse. Embuídos nesse espírito também os adeptos e simpatizantes fizeram por não destoar e os 62.508 espectadores que tiveram ocasião de presenciar o jogo ao vivo devem ter dado o tempo por bem empregue, pois a sua grande maioria saiu satisfeita por tudo o que viu e em concreto sobre a indiscutível vitória dos encarnados.

5. Não erraremos muito se dissermos que quase todos estavam à espera que o Benfica voltasse a alterar o sistema táctico da equipa colocando mais um médio – Fejsa ou Rúben Amorim – e retirando um avançado. Sabendo-se como Jorge Jesus gosta de tentar surpreender os adversários, o facto de ser essa a assumpção da generalidade das opiniões e até por Paulo Fonseca ter expressado antecipadamente essa convicção, terá eventualmente forçado a que tal não acontecesse. Se assim foi ou não, não sabemos, mas pela forma como o encontro decorreu isso terá causado mossa na estratégia portista delineada para o encontro.

6. Como correu bem dir-se-á agora que foi uma opção bem esquematizada, mas tivesse corrido mal e não faltariam os experts a dizer que o Benfica tinha fracassado por não ter sabido contrariar a superioridade portista no meio-campo… O jogo de ontem provou que os sistemas são bons ou maus, fracos ou fortes, em função dos seus intérpretes. Da sua categoria, da sua maior ou menor inspiração, da sua vontade, mas, essencialmente, da sua disponibilidade física e mental ou vice-versa. E a equipa do Benfica ontem à tarde teve isso tudo. Por isso venceu porque teve melhores jogadores que mostraram, sem excepção, um querer sem precedentes e uma vontade indómita de vencer. A tal ponto que a equipa do FC Porto chegou a parecer banal, tal a impotência de que deu mostras em praticamente todo o jogo.

7. O desafio confirmou que o Benfica, depois da irregularidade em grande parte da 1.ª volta, tem vindo a registar uma melhoria gradual de forma que esperamos tenha vindo para ficar quando vamos entrar nas fases decisivas da época. Ao contrário do FC Porto que está a primar por algumas indefinições na estrutura de sonho e na equipa dado que está a sofrer pela saída de Moutinho para o qual não encontrou substituto à altura, e por parecer reinar a insatisfação em alguns elementos nucleares. Numa estratégia recorrente, os erros são todos chutados para cima de Paulo Fonseca que querem transformar em bode expiatório… Em conclusão; O Benfica foi melhor e venceu bem e terá ganho uma injecção de moral, mas o jogo só valeu 3 pontos e só agora vamos iniciar a 2.ª volta. Entrar em optimismos desmedidos é por isso deveras contrapruducente. Lembrem-se das más experiências do passado recente. Eusébio deve ter gostado!






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