Ponto Vermelho
Alegrias anti-depressivas
14 de Janeiro de 2014
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1. Nesta imensão de tristezas conjugadas com um tempo que sendo habitual nesta altura da época nos tende a deprimir, nada melhor do que haver notícias e acontecimentos que ajudem a combater esse estado de alma. No futebol, para os benfiquistas e não tanto para os portistas e sportinguistas, foi um fim de semana agradável com a equipa encarnada a vencer o FC Porto e a beneficiar do empate forasteiro do Sporting para atingir o primeiro lugar destacado, naquilo a que alguns designam de Campeão de Inverno, um título que achamos completamente desajustado e sem qualquer sentido prático.

2. Iniciar a 2.ª volta como líder isolado e com 15 jornadas ainda por disputar não significa grande coisa caso não haja continuidade do labor e da concentração que prevaleceu no clássico. É evidente que é sempre melhor e gratificante estar no comando com 2 pontos de avanço do que estar numa posição subalterna. Mas daí a anteciparem-se cenários a tão longa distância do fim, é não só prematuro como pode conduzir a optimismos que se podem revelar contrapruducentes uma vez que não há nem pode haver certezas de coisa nenhuma. E como gato escaldado de água fria tem medo

3. Um olhar atento e um reviver de emoções do passado dos últimos anos conduzem-nos à reflexão e à prudência e estas transportam-nos à tese real de que temos que manter um optimismo moderado em todas as circunstâncias. Porque elas podem alterar-se a cada momento, o que pode vir a ser ou não favorável aos nossos anseios e às nossas pretensões. E pelo que está a acontecer neste momento, há alterações estratégicas que se irão processar e que poderão levar a uma urgente revisão da matéria com consequências ainda por determinar.

4. Com a saída de Nemanja Matic já consumada, é fomentada a dúvida sobre mais elementos, em particular Rodrigo Moreno e Ezequiel Garay. Uma realidade que ficou desde logo definida a partir do momento em que o Benfica falhou o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Sabendo-se que a partida de alguns elementos era tido como muito provável e até mesmo inevitável pelas razões que se conhecem, o facto de eventualmente virem a partir a meio da época com a equipa a começar a revelar finalmente a afinação desejável, é um duro golpe no desenvolvimento da fluidez e consistência do jogo da equipa.

5. Mas sendo a face visível que resulta da queima de um objectivo importante pelo equilíbrio financeiro que proporcionaria, a questão que agora se coloca é a de ter que olhar em frente de forma optimista e pragmática e não perder demasiado tempo a analisar situações de um passado ainda quente. A confirmar-se o pior cenário das saídas, do ponto de vista desportivo entendemos que não há nem pode haver razões para alarmes. Porque a despeito de cada jogador encerrar em si mesmo um leque de características porventura inigualáveis, a razão é que parecem haver soluções disponíveis a nível do plantel que é, obviamente, extensivo à equipa B onde militam jovens de grande valor.

6. Vamos ver como será no primeiro dia de Fevereiro. Mas aconteça o que acontecer, o pragmatismo e a confiança deverão sempre prevalecer até porque este tipo de situações são cada vez mais recorrentes no nosso futebol a nível das equipas grandes. Continuamos a achar que a proliferação dos períodos de transferência é altamente prejudicial ao futebol e às equipas que dispõem de menores recursos financeiros, mas estas são as regras de jogo actuais e, enquanto se mantiverem, temos que saber conviver com elas. Logo, há que assimilar o optimismo sem esquecer a prudência, e neste momento o tempo é de alegria moderada por termos conseguido superar o período em que chegámos a distar 5 pontos do topo.

7. Outro motivo de grande regojizo após a semana difícil porque passaram todos os desportistas, foi a atribuição ontem da ‘Bola de Ouro’ a Cristiano Ronaldo. Um destaque merecido de um jogador que através do seu talento, mas essencialmente pelo seu trabalho, dedicação e espírito de sacrifício, tem subido patamares de forma contínua e sabido honrar a memória de Eusébio que foi o primeiro português a merecer tal distinção. Cristiano Ronaldo para além de justificar os mais entusiásticos parabéns pelo feito que alcançou, soube ser digno na ocasião e na singela homenagem que prestou ao Rei. Pena foi que a organização não tenha estado à altura da sua dimensão e em que até Michel Platini apareceu disfarçado de adepto gaulês chauvinista. Foi realmente pena.






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