Ponto Vermelho
Sina de Janeiro
16 de Janeiro de 2014
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1. Muito embora se configurasse no espírito dos benfiquistas a inevitabilidade de saídas a partir do momento em que por incapacidade nossa ficámos prematuramente pelo caminho na Liga dos Campeões, a expectativa no entanto era que tal viesse a acontecer apenas no final da época. Sabíamos que tinha sido feito um enorme esforço financeiro por motivos já amplamente explicitados, admitia-se que seria forçoso haver alguns reajustes nesta reabertura oficial de mercado devido à extensão do plantel, mas, a menos que fossem batidas as cláusulas de rescisão ou houvessem oportunidades irrecusáveis, não era crível a saída agora de nenhum dos jogadores nucleares do plantel tendo em conta os objectivos desportivos traçados.

2. Essa expectativa tinha toda a razão de ser pois após três falhanços consecutivos no assalto ao título (especialmente os últimos dois que deixaram marcas profundas), aguardava-se que esta época tal não viesse a suceder sobretudo a partir do momento em que a liderança isolada foi atingida depois de um contra-relógio de recuperação do mau início de campeonato. E porque atingir o objectivo de sempre – ser campeão –, tem vindo a ser sucessivamente reforçado pela estrutura encarnada consciente da importância que o mesmo encerra para o clube e para os desejos e anseios dos milhões de adeptos e simpatizantes encarnados. E, já agora se quisermos, para honrar a memória do Rei.

3. Essa probabilidade para já gorou-se com a saída de Matic, ”apenas e só” um dos jogadores mais importantes quiçá senão mesmo o mais influente, com toda uma segunda volta por disputar e no momento em que nas outras frentes se começa igualmente a caminhar para as respectivas definições. Esperamos sinceramente que essa situação não vá causar perturbação na equipa, sabida a influência que o médio sérvio tinha no desenvolvimento do seu jogo, evidentemente sem qualquer menosprezo pelo jogador que irá ocupar doravante o seu lugar. Mas as coisas têm que ser vistas realisticamente e não da forma como alguns optimistas inveterados acham que irão correr.

4. Curiosamente, o foco está neste momento assestado no preço porque foi vendido, um pouco mais do que 50% do valor da cláusula de rescisão tendo em conta que o Chelsea irá suportar a verba a dispender relativa ao habitual mecanismo de solidariedade. Voltamos a sublinhar que para o valor e características de Matic o preço afigura-se-nos baixo e que não corresponde ao valor do jogador, mas terá sido desde logo deflacionado a partir do momento em que o presidente encarnado, logo a seguir à eliminação da Champions e sob pressão dos credores, fez saber com antecedência que o clube estaria vendedor. E quando tal acontece com uma abertura de mercado intermédia a aproximar-se a meio da época, é sabido que os clubes com dinheiro sempre à mão aproveitam a oportunidade para fazer negócios que de outra forma não era líquido que fizessem.

5. A conjuntura é de facto muito difícil e complexa para os clubes portugueses, mas entendemos que alguma coisa pode e deve ser feita para que as equipas não vivam permanentemente sob o espectro da instabilidade. Não sendo possível, por ora, face aos mecanismos que vigoram no panorama desportivo europeu evitar estes assaltos, importa que sejam tomadas medidas para reduzir ao mínimo ou senão mesmo evitá-las, as saídas intermédias de jogadores vitais que são justamente as que causam maior turbulência em plantéis que podem ser muito extensos mas em que a qualidade nem sempre acompanha a quantidade o que pode dificultar as substituições.

6. Desde o momento em que numa assentada saíram subitamente Javi García e Axel Witsel e se previa uma catástrofe de dimensões inimagináveis que felizmente não aconteceu, que muitos passaram a reconhecer a forte capacidade inventiva (sem qualquer carga pejorativa) de Jorge Jesus. Nesse particular mérito a quem o tem e a ele se deve o segredo da solução. Esse cenário estará de novo em cima da mesa e há a expectativa positiva de que outra vez emerja a solução que contribua para que a equipa encarnada não sofra o impacto de mais uma partida antes do tempo. É possível e sobretudo desejável para todos os benfiquistas que tal venha a acontecer, mas será de toda a conveniência não estar sempre a arriscar. Porque tantas vezes o cântaro vai à fonte








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