Ponto Vermelho
Afinal o que é um burro?
17 de Janeiro de 2014
Partilhar no Facebook

Longe vão os tempos em que Pinto da Costa nas suas arengadas dizia que só os burros falavam de arbitragem… Deixando por ora descansados os simpáticos quadrúpedes, importa sublinhar como se isso fosse alguma vez necessário, que as contradições fazem parte do cardápio utilizado pelo presidente do FC Porto para nos bombardear, cujo manancial inesgotável não se dá conta que o ridículo seria atroz não fosse porventura a legião dos yes-men quererem ofender a nossa inteligência com o argumento barato e falacioso de que se trata da mais fina ironia. Que, convenhamos, até chega em doses assinaláveis à Casa da Democracia. Portanto…

É conveniente frizar que Dom Jorge Nuno tem andado muito mais comedido e recatado nos últimos tempos. Aventando-se várias hipóteses para essa mudança de atitude, não será descabido considerar que tal se deverá a um misto de novas realidades que estão a atingir a tão considerada estrutura de sonho. Por um lado, a marcha inexorável dos ponteiros do relógio que a todos atinge sem remissão com as consequências inerentes, por outro as cada vez mais visíveis rupturas na hierarquia pintista e, finalmente, os ventos que anunciam a mudança muito embora ainda não muito firmes e algo hesitantes no melhor caminho a seguir. Tudo conjugado, parecem ser indícios e motivos suficientes para trazer altamente preocupado o líder azul e branco que começa a ver que, ainda que de forma lenta, as coisas estão a mudar e o controle férreo é cada vez mais flexível…

Talvez por tudo isso a loquacidade outrora tão apreciada pela falange tem vindo a perder fulgor e intensidade. Mas ainda existe e já sem a capacidade que encantou plateias de rapazinhos de cócoras e quejandos ao longo de três décadas, de vez em quando faz-se sentir invariavelmente em duas situações: quando aquele que considera o seu maior inimigo perde ou é atingido por qualquer situação menos feliz, ou quando o seu clube no plano interno não consegue atingir os seus objectivos em pleno devido a incapacidades próprias. Neste caso as vítimas a atingir são sempre as arbitragens e de caminho os órgãos federativos e liguistas. Para justificar, como é óbvio, os desaires junto dos acéfalos e da massa azul e branca acrítica que tudo aceita do Querido Líder. O que vale é que o seu arqui-rival e inimigo tem ajudado a que a depressão que se vai adivinhando não tenha ainda acontecido…

No último encontro entre os dois clubes disputado num contexto muito especial, aconteceu a vitória do Benfica clara e indiscutível. Mérito dos encarnados que desta vez foram assertivos e justificaram o porquê do êxito alcançado como foi aliás amplamente reconhecido pela generalidade da crítica. Mesmo daquela que não morre de amores pelo Benfica. Seria pois de bom tom aceitar a clareza da derrota, escalpelizando internamente as razões que determinaram a fraca prestação dos azuis e brancos que até poderiam ter saído vergados a outro colorido no marcador, pois para isso não faltaram as oportunidades flagrantes desperdiçadas pelos jogadores benfiquistas.

Como é normal nos dérbies e nos clássicos, as arbitragens estão sempre na crista da onda e invariavelmente de quem perde. A deste último clássico não fugiu à regra pois teve vários erros crassos prejudicando as duas equipas. Mas não foi por isso que o Benfica ganhou nem o FC Porto perdeu. Quando muito poderia ter ditado outra expressão no marcador, mas em que a vitória encarnada nunca poderia ser posta em causa. É um dado objectivo que nos parece elementar e acima de tudo justo. Não foi esse o entendimento do presidente do FC Porto que ainda com enorme atraso pouco habitual nas suas deambulações oratórias, resolveu tarde e a más horas disparar tiros de pólvora seca por fazer parte do seu programa receber sempre, ou quase sempre, benefícios determinantes para a conquista de jogos cruciais e de campeonatos.

As expressões utilizadas que sempre fizeram parte do seu compêndio de boçalidade extravasaram o normal direito à crítica e são antes do mais um ataque soez (mais um) ao Conselho de Arbitragem presidido por Vítor Pereira e à própria Federação na pessoa do seu ex-executivo Fernando Gomes. E se se entendem os desabafos por virem de quem vêm, os mesmos configuram no entanto uma pressão inadmissível sobre as arbitragens para o resto do campeonato agora que o FC Porto não está na liderança. Não é nem pode ser tolerável este tipo de comportamentos. E nem o facto de Pinto da Costa ser useiro e vezeiro nestas situações torna o assunto menos grave. Noutras situações tem havido reacções quase imediatas de alguns responsáveis da arbitragem pelo que por uma questão de coerência ficamos na expectativa que tal agora aconteça. Ou será que temos que esperar sentados? Afinal os burros que estavam ameaçados já não estão em extinção…








Bookmark and Share