Ponto Vermelho
O primeiro após Matic
19 de Janeiro de 2014
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Consumada a transferência de Matic jogador de características únicas e um dos elementos mais em foco na equipa do Benfica por razões já suficientemente escalpelizadas a todos os níveis, começaram a surgir algumas explicações para a sua partida, nomeadamente um alegado compromisso que o presidente do Benfica teria de o deixar sair em Janeiro para o Chelsea. Outras teses justificativas irão aparecer em cima da mesa, pelo que como não apreciamos entrar ou alimentar o caminho da especulação, esperamos que se faça luz sobre as verdadeiras razões que determinaram a sua transferência – pelo valor confirmado e muito em particular nesta altura do campeonato em que as definições se aproximam.

Não vale a pena, para já, continuar a falar muito mais deste assunto, porque a vida não pára e o amanhã já está a abrir a porta de entrada. Importa pois aos benfiquistas focalizarem-se no futuro e nos próximos compromissos que não se compadecem com discussões e críticas com casos que já fazem parte do passado, ainda que bem presente nos nossos espíritos ansiosos. Será lógico e intuitivo que essa situação específica tenda a ser desvalorizada em caso de se registar o sucesso que todos desejamos, mas será fortemente empolada caso suceda nova temporada fracassada. É o preço a pagar ou a receber pela decisão ora tomada.

Costuma dizer-se que não é tanta a dificuldade de chegar ao topo mas sim manter-se por lá. Não será o caso encarnado que depois de mais um início a marcar passo encetou uma recuperação algo periclitante mas ainda assim eficiente, em que contou igualmente com o insucesso do nosso principal adversário no ponto de partida, que lhe permitiu paulatinamente passar de 5 pontos de atraso para 3 de avanço. Uma situação que se fosse ao contrário seria normal (vide 2 últimas épocas), mas que no caso do FC Porto é estranha por não ser essa a prática e a realidade de há muitos anos a esta parte. O que parece configurar um declínio da organização portista e do poderio a ela associado nas mais variadas vertentes. Futebolísticas e administrativas. E quando os árbitros servem de desculpa principal para justificar os fracassos, algo vai mesmo muito mal no reino do Dragão…

A próxima jornada que coincide com o início da segunda volta, trás à Luz o adversário que nos derrotou logo na 1.ª jornada. Em termos reais as circunstâncias alteraram-se profundamente, pois enquanto o Marítimo teve aí o seu apogeu e depois começou a registar resultados menos felizes, o Benfica registou altos e baixos próprios da irregularidade motivada por razões diversas e de forma decisiva pelas constantes lesões musculares e traumáticas que contribuiram para que a equipa não estabilizasse os seus processos técnico-tácticos e caminhar de forma decisiva e coerente para um espiral de subida consolidada. Quando depois de tudo isso atingiu o lugar mais desejado, sucedeu agora a transferência de Matic e se calhar não se fica por aí, o que pode dar azo a que comecem a fervilhar dúvidas no espírito dos adeptos e simpatizantes ao mesmo tempo que não deixa de dar alento aos adversários sobretudo aos mais imediatos.

Mais uma vez temos que fazer o possível para que o alarme não toque. Os dados estão lançados e mesmo com todas as movimentações que possam vir a acontecer, existe um plantel que confiamos estar à altura de suprir eventuais carências motivadas pelas partidas. Para além dos mais regularmente utilizados, é igualmente o momento para que outros com menos presenças mas que reclamam mais assiduidade se cheguem à frente e provem que têm razão para criar boas dores de cabeça a Jorge Jesus. A começar por alguns jovens que têm flutuado entre a equipa A e a B que têm a responsabilidade de encetar o movimento ascendente e de fixação sem retorno de jovens portugueses doravante no plantel e na equipa principal.

Enquanto isso, há jogo logo e mais uma vez às horas do futebol. A pressão de não ceder pontos para atingir o 1.º lugar foi agora cedida aos nossos dois principais adversários que passam a ter essa responsabilidade. Para já nesta jornada (que o Sporting para já ultrapassou com êxito), estando convictos que assim continuará. Mas isso não significa nem pode significar qualquer afrouxamento ou qualquer perda de concentração que pode ser fatal. Nunca é demais citar os casos recentes do Belenenses e do Arouca que sem nada o fazer esperar acabaram por conseguir pontos na Luz. O Marítimo não pode ser menosprezado e será tanto mais difícil quanto mais a equipa do Benfica facilitar à espera que o resultado se faça por si. Concentração competitiva e vontade férrea de ganhar desde o primeiro minuto são dois atributos necessários e indispensáveis. Não há mais Matic mas haverá certamente alternativas credíveis. Diferentes mas por certo profícuas. Esperamos com convicção que a equipa saiba dar a resposta certa!








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