Ponto Vermelho
Bons ares do Atlântico
20 de Janeiro de 2014
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1. Estimulado pela generalidade da imprensa e acentuado por Jorge Jesus na conferência de Imprensa, pairavam dúvidas no espírito dos adeptos encarnados e grassava alguma expectativa sobre a forma como o Benfica iria reagir à saída de Nemanja Matic e em particular qual seria o jogador que iria ocupar o seu lugar, muito embora os vaticínios e as indicações apontassem maioritariamente para o seu compatriota Ljubomir Fejsa. Ainda que não fosse opção única.

2. Confirmou-se em pleno essa opção para um jogo que se revelava importante não só por ser o próximo, mas por dizer respeito ao campeonato em que no momento em que se iniciava a 2.ª volta importava começar da melhor maneira possível para continuar a caminhada do Benfica rumo ao título que os adeptos esperam e desejam venha a ser triunfal. Mas para que isso possa acontecer, torna-se necessário antes do mais que não hajam quaisquer distracções como já sucedeu com adversários menos cotados com a agravante de terem sucedido no palco da Luz.

3. Há pois que estar muito atentos pois o perigo espreita ao virar de cada esquina e o recente espectáculo de folclore com sabor a bafio promovido pelo Querido Líder, indicia que as hostes azuis e brancas estão muito preocupadas e a recorrer aos velhos métodos e truques passadistas que lhes têm rendido bons dividendos. A conjuntura já não é a mesma, a capacidade também não, mas o aproximar do estertor da agonia pode vir a provocar reacções inesperadas que acabem por influenciar, mais uma vez, a história do campeonato. A despeito de neste momento haver dois inimigos a abater…

4. No desafio de ontem para além da curiosidade a que aludimos, esperava-se que os encarnados pudessem dar continuidade aos mais recentes resultados e à subida de forma da equipa no seu conjunto, atendendo a que alguns dos jogadores mais influentes têm vindo a dar mostras de um crescendo de forma gradual que se tem repercutido nas suas prestações nos últimos jogos. Mas como no passado não muito distante tinha havido avanços e recuos e logo irregularidade, existia ainda mais essa expectativa adicional.

5. Devemos começar por referir que o jogo se enquadrou nas coordenadas que têm vindo a pautar os últimos jogos da equipa em que as correrias do passado e o desejo de fazer bem e depressa mas que abriam brechas e tornavam a equipa mais vulnerável, deram lugar a um jogo mais cerebral, mais calculado, e naturalmente menos exposto. Provavelmente até a provocar menor desgaste nos jogadores. O que acaba por se compreender, se olharmos para o facto de que a espectacularidade que encantou plateias e conquistou os adeptos e propiciou jogadas, golos fantásticos e exibições a roçar o brilhantismo, na hora de contabilizar títulos deu o resultado que todos sabemos.

6. O Benfica é hoje em dia uma equipa mais realista e pragmática nos seus objectivos. E voltou a sê-lo com o Marítimo. Não se tratou de ajuste de contas mas sim de perseguir uma meta, e essa era ultrapassar com êxito e com mais ou menos dificuldade os obstáculos que os maritimistas não iriam deixar de colocar e nesse aspecto o jogo anterior em Alvalade tinha provado a sua valia e em que o resultado final foi enganador. Nesse contexto, a disposição com que os encarnados entraram não diferiu dos últimos jogos.

7. Seria errado esperarmos que Fejsa pudesse desempenhar de forma fiel o papel de Matic. As características são totalmente diferentes, a morfologia não se assemelha e os raides habituais que este costumava fazer também não. Assim sendo, algo tinha que mudar e ser diferente, mas não necessariamente pior. Fejsa tem características mais defensivas e menor eficácia nos passes longos, ainda que só agora passe (se for essa opção do treinador) a desempenhar o lugar em continuidade. Precisa pois de rotinas.

8. Houve no entanto um dado novo; é que Enzo Pérez que já revelava grande influência na zona central do meio campo, a par de Gaitán, assumiu maior protagonismo na coordenação do envolvimento atacante aguardando-se os próximos jogos para comprovar a eficácia da solução. 1.ª parte bem conseguida com resultado a condizer e um 2.º período de maior contenção sem que houvessem grandes sobressaltos, apesar dos velozes e perigosos avançados do Marítimo terem posto à prova a eficácia e os reflexos de Oblak que provou ser guarda-redes de clube grande. Mais uma desastrada actuação de Hugo Miguel com dois erros importantes; fora de jogo na arrancada de Rodrigo para o 2.º golo igual a tantos outros não assinalados pelos fiscais de linha, e um penalty evidente nas suas barbas escamoteado a Markovic com a agravante de ter considerado simulação.




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