Ponto Vermelho
Aproveitar a onda…
22 de Janeiro de 2014
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1. Com cadência ritmada vão saindo estatísticas das mais diversificadas fontes abordando a problemática da Formação no espaço futebolístico europeu, com classificações elaboradas dos clubes formadores que mais se têm distinguido nesta área. Nos últimos anos o panorama não tem sofrido grandes alterações, e as escolas do Ajax, do Barcelona, do Partizan e do Sporting têm-se distinguido e ocupado os primeiros lugares do ranking, ainda que com diferentes tipos de aproveitamento.

2. Em Portugal, para além do Sporting que tem mantido a aposta com os resultados que se conhecem, o Benfica com tradições na área foi-se apagando aos poucos até ter deixado de apostar nessa vertente. Apenas a partir da inauguração do Caixa Futebol Campus com todas as suas potencialidades passou a haver enfoque na área da Formação. Quando estamos a entrar no 8.º ano da sua inauguração, poder-se-á dizer sem receio de errar que o Benfica caminha a passos largos para se tornar também uma potência neste importante sector. Basta ver os resultados que começaram a surgir nos últimos dois anos para se perceber que ultrapassada a fase da implantação e do equilíbrio do projecto, começaram a aparecer os primeiros produtos que deixam os benfiquistas orgulhosos e com água na boca.

3. A manter-se esta cadência e esta aposta que como é óbvio tem custos elevados e precisa de ser rentabilizada, em breve o Benfica encontrará o seu lugar entre os da frente. Por ora, salientem-se as convocações a nível dos vários escalões para representar a Selecção Portuguesa em que os encarnados ocupam já um lugar destacadíssimo, o que significa que se está a trabalhar muito e bem. O passo seguinte para os juniores do 2.º ano e dos que já militam na equipa B é que é mais complicado e sobretudo complexo. Como aproveitar este potencial emergente nas duas principais fases de transição?

4. Apesar do Benfica estar a importar jovens estrangeiros com potencial, esta problemática só se passou a colocar a partir do momento em que começaram a emergir os primeiros valores portugueses da Formação. De repente, começaram a surgir críticas de vários quadrantes inclusivamente internos, que incidiam sobre a falta de oportunidades dos jovens portugueses dado que em certos casos o seu potencial momentâneo indiciava ser superior a algumas das importações que ainda lutavam com um dos principais óbices: – o da adaptabilidade a uma nova cultura e a um tipo de futebol diferente.

5. É de facto uma situação complexa que requer muita ponderação dado que não existem soluções-tipo. Não temos a menor dúvida que a esmagadora maioria dos benfiquistas gostaria de ver o Benfica a jogar maioritariamente com portugueses. Mas na conjuntura actual será isso possível? Temos sérias dúvidas porque o clube precisa de vender anualmente jogadores para satisfazer compromissos assumidos e equilibrar as suas finanças. E para que isso possa acontecer é preciso haver jogadores que o mercado considere atractivos e aí, enquanto a actual tendência não se inverter, por chegarem já com a formação feita, alguns jovens estrangeiros por mais paradoxal que possa parecer, têm despertado o interesse do mercado bem traduzido nas vendas dos últimos anos.

6. É neste ponto que há um longo caminho a percorrer para que de forma gradual se vá alterando esta contradição. Mais do que críticas pontuais ao facto de Jorge Jesus apostar pouco na Formação, torna-se necessário perceber primeiro se há condições para que isso aconteça e havendo, se essa aposta irá resolver as necessidades desportivas e financeiras do clube a curto prazo. É preciso olhar para este assunto de forma integrada e não apenas para uma das vertentes. Seja ela qual for, pois não podem ser desligadas uma da outra sob pena de se romper o equilíbrio que tem que ser mantido.

7. Isso não implica que se vá adiando o objectivo principal em mente de ter mais jogadores portugueses, pois se como vimos não é possível inverter drasticamente o rumo dos acontecimentos pelas razões conhecidas, é pelo menos assisado não vacilar neste capítulo, conscientes que não basta carregar no botão pois o processo está sempre pendente do aparecimento de novos valores. E mesmo quando surgem nem sempre se conseguem afirmar em patamares com outro tipo de exigência e sacrifício, pois os objectivos que o Benfica persegue são imediatos. Observem-se alguns jovens jogadores da cantera que tanto prometiam e que agora nem em equipas de menor gabarito se têm conseguido impor. Em resumo, somos defensores de cada vez maior integração de jovens portugueses provenientes da Formação no plantel principal, mas para isso, com maiores ou menores apostas do treinador, é indispensável haver condições objectivas para que isso aconteça. Porque o objectivo dos títulos não pode esperar.






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