Ponto Vermelho
Suspense
23 de Janeiro de 2014
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1. É impossível fazer de conta que não grassa alguma preocupação nas hostes benfiquistas. Esta janela de transferências de Janeiro está a prolongar-se indefinidamente, e os rumores e as especulações sobre saídas estão a causar como não poderia deixar de acontecer, alguns danos na estrutura benfiquista. A necessidade de vender pelos vistos imperiosa que rumorejava nos bastidores, rapidamente foi difundida pelo mundo do futebol a qual, conjugada com a indicação que Luís Filipe Vieira transmitiu ao mercado na sua mais recente entrevista, foi a pedra de toque para que se estivesse a viver este período algo agitado.

2. Por desconhecermos o planeamento e a agenda financeira da tesouraria do Benfica não podemos nem devemos pronunciar-nos sobre as prementes necessidades deste princípio do ano. Serão certamente importantes. Apenas estranhamos o facto de este surto de eventuais transferências estar a acontecer agora e não propriamente no final da época onde faz muito mais sentido. Sobretudo desportivamente em que se podem vir a perder elementos vitais para a prossecução dos objectivos traçados. E depois de duas épocas frustrantes no que ao título diz respeito, a margem de erro passou a estar substancialmente diminuída.

3. A fria realidade financeira dos clubes portugueses força-os a vender com demasiada frequência. Há todo um amplo leque de condicionantes que funcionam como forma de pressão junto dos clubes para que isso aconteça, e o mercado global faz a sua parte permitindo essencialmente aos clubes dos petrodólares comprar au bon marché mais do que uma vez por ano, sob a beneplácito da UEFA e da FIFA que sabem perfeitamente o que está acontecer à vista de toda a gente mas fingem que não percebem, se não mesmo demonstrando apoio tácito a práticas anti-concorrenciais. Estamos curiosos de observar a aplicação efectiva das regras do fair play financeiro de Monsieur Platini a certos clubes de elite…

4. Tem sido prática habitual do Benfica introduzir claúsulas rescisórias no momento de assinatura/renovação dos contratos dos jogadores. Nalguns casos avultadas que supostamente deveriam funcionar como efeito dissuasor. Não foi o caso, por exemplo de Axel Witsel que para que o Benfica desse a sua anuência, o Zénit teve que puxar dos cordões à bolsa e cumprir o valor da claúsula para que o jogador belga demandasse ao clube de S. Petersburgo. Foi um caso inevitável em que o Benfica deixou de poder fazer alguma coisa.

5. Mas não foi o caso de Matic que acabou por sair por muito menos ainda que o Benfica tenha sido isento do pagamento da mecanismo de solidariedade e, muito importante, a operação ser liquidada a pronto e não faseada como é vulgar acontecer neste tipo de transferências. LFV terá tido certamente boas razões para o fazer mas, sem mais explicações, continuamos a manter a nossa discordância. No valor (embora percebendo a relutância do Chelsea em recomprar um jogador por 5 x mais) e, sobretudo no timing em que tal aconteceu a meio da época quando até o jogador não pode actuar na Liga dos Campeões.

6. Com a contagem decrescente para o dia 31 a ter lugar em ritmo acelerado, vários são os nomes de jogadores importantes que fazem as parangonas da imprensa. Embora sejam vários os nomes aventados pelos media, continua a falar-se insistentemente de Rodrigo e Garay e também de Gaitán como sendo susceptíveis de estarem na porta de saída. Se no caso de Garay a sua cláusula rescisória se situa num valor baixo e facilmente atingida pelo mercado apesar da sua condição de defesa, já os outros jogadores eventualmente mais apetecíveis pelos lugares que ocupam, têm valores mais difíceis de atingir.

7. Também se percebe que os jogadores e os seus empresários perante propostas muito superiores e tendo campeonatos mais competitivos em ponto de mira, exerçam pressão para sair. É um assunto complexo que deve ser gerido com pinças e estabelecido um consenso por forma a salvaguardar a posição do clube e do jogador. Seja como for, por princípio, isso só deveria acontecer no final de cada época, a menos que o clube tenha necessidade premente de vender ou a respectiva claúsula seja batida. Porque a acontecer a meio da época (e quem aparece só quer comprar carne do lombo), isso desbarata a equipa que pode vir a enfrentar problemas sérios durante o resto do período competitivo. E porque também não é só a questão da equipa vir a ficar desfalcada; é preciso olhar para o lado para os nossos adversários…






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