Ponto Vermelho
Coisas tristes
25 de Janeiro de 2014
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1. O dia 25 de Janeiro passará a ser de vez triste para os benfiquistas. Este assinalou uma década sobre o desaparecimento do jovem jogador húngaro Miklos Féher que tombou inesperadamente no relvado numa noite de grande invernia em Guimarães, enquanto Eusébio, se fosse vivo, completaria hoje o seu 72.º aniversário. De facto, é impossível esconder as mágoas derivadas da injustiça da vida, mas a impotência sentida por mais nada se poder fazer bloqueia-nos e deprime-nos. Resta-nos seguir em frente tendo que aceitar acontecimentos que não podem ser evitados.

2. Foi noticiado que o memorial concluído na véspera do Benfica-FC Porto em torno da estátua de Eusébio para evitar roubos e actos de vandalismo e proteger de intempéries os adereços que todas as cores clubísticas lá depuseram para perpetuar a memória do King, foi objecto de uma tentativa de assalto. Recorde-se a propósito que a construção do memorial foi acelerada devido a actos de vandalismo levados a cabo por meia dúzia de energúmenos na noite imediatamente a seguir a lá terem sido depositados. Lê-se e não se acredita! Como é possível que tal aconteça? Como é que há gente sem classificação que se atreve a desrespeitar a memória de uma pessoa que acaba de partir e a quem o País tanto deve e que deveria merecer o respeito de todos sem excepção? Não seria mais útil canalizarem a sua frustração para outras áreas onde tal se justifica?

3. Noutra área, mais a norte, assistimos a mais um daqueles brilhantes comunicados emanados do Departamento de Comunicação de Rui Cerqueira sobre o pretenso desafio à apresentação de contas consolidadas pelo Benfica e pelo Sporting. Aqui confessamos que hesitámos na manifestação de sentimentos a seguir – sorrir ou lacrimejar. Porque de facto o teor do comunicado é deprimente e poderia sair de todos os clubes menos do FC Porto. Porque todos os factos anteriores de omissões, golpadas e transacções não explicadas e que têm sido objecto de notícias públicas aconselhavam a maior prudência neste particular.

4. Foi mais uma tentativa falhada de fuga para a frente, o que comprova que o reino do Dragão está a abrir fendas em vários lados e a única forma encontrada (em que aliás são useiros e vezeiros) foi tentar atirar para o telhado do(s) vizinho(s) o mal que eles próprios sofrem e que nunca parece ter preocupado a CMVM. Diga-se entretanto em abono da verdade que o tiro saiu mais uma vez pela culatra pois o tema, aparte o momento imediato em que chegou à redacção dos media e foi noticiado, passou a ser completamente ignorado e desapareceu de vez dos radares da actualidade.

5. Está comprovado que a imaginação para aqueles lados já não é o que era, e está difícil atrair as atenções externas e convencer e mobilizar as próprias hostes. Compreende-se assim melhor a entrevista encomendada de Pinto da Costa ao principal veículo televisivo que suporta os azuis e brancos a desancar nos árbitros e mais concretamente no seu conterrâneo Artur Soares Dias, bem como o desabafo que o treinador Paulo Fonseca protagonizou dias a seguir sobre alegadas conspirações contra o FC Porto e que toda a gente percebeu que era nem mais nem menos o eco dos desejos e da vontade de Pinto da Costa. Um excesso de despersonalização que só lhe fica mal e que bem podia ter-nos poupado. Uma tristeza.

6. É claro que a mensagem também se destinou ao interior do FC Porto. Enquanto os alinhados tentam em vão desdobrar-se para provar a infalibilidade das teses de PC, outros portistas que têm afirmado sem rebuço que a equipa está a jogar mal e não convence e é preciso inverter o rumo dos acontecimentos, foram mandados calar pela estrutura de sonho naquilo que configurou uma acção deliberada de censura à moda de PC. Isto não acontecia antes o que certifica aquilo que se vem percebendo há algum tempo: – o lento e gradual desmoronamento do edifício cujos alicerces estão a ceder, muito embora ainda mantenha alguma solidez apoiada pelo outsourcing que sempre prestou assessoria desde os primórdios.

7. Nada parece acontecer por acaso e o tema regionalização é sempre uma arma a esgrimir quando a necessidade aperta. Depois de PC e do fiel relógio de repetição Paulo Fonseca terem debitado a sua indignação e as tristezas que lhe corroíam a alma, surgiu o Presidente da Câmara – o indefectível e velho conhecido Rui Moreira – a falar que o Porto continua a ser ignorado pelo poder de Lisboa, numa acção nada original e que de tantas vezes repetida pelos seus antecessores se esgota na saturação das pessoas por ouvirem sempre a mesma ladaínha obsessiva. Mais uma achega conjugada que se perde nos labirintos da falta de imaginação. Estamos habituados, mas é mais uma tristeza…






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