Ponto Vermelho
À Porto
26 de Janeiro de 2014
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No rescaldo do sofridíssimo FC Porto-Marítimo para a Taça da Liga, o treinador Paulo Fonseca que depois de um início recatado assumiu definitivamente o delírio, teve esta tirada que diz bem da confusão que reina no Dragão: «Foi uma exibição “à Porto”… Neste particular resolveu imitar o seu antecessor Vítor Pereira que depois da eliminação e de uma actuação que deixou muito a desejar em Málaga, optou por brindar os jornalistas, adeptos portistas e o futebol em geral com a mesma frase. Daqui se pode concluir que essa expressão deve fazer parte da verdade oficial pintista, sobretudo quando é preciso justificar alguma coisa perante a maioria dos seus adeptos.

Em bom rigor a expressão a utilizar deveria ser outra mais de acordo com a realidade factual. Talvez "um resultado" ‘à Porto’ se coadunasse mais com as circunstâncias. Faltam palavras para descrever recorrências de todo um passado que já tem a duração de três décadas, o que significa que os portugueses e neste caso os adeptos do futebol, depois do Estado Novo, têm convivido com outra ditadura que tal como a anterior dá indícios fortes de caminhar para um fim pré-anunciado. Mas enquanto tal não sucede, aqui e ali vai demonstrando o poder que ainda possui e que continua a fazer estragos de monta.

A Taça da Liga é muito jovem e teve desde logo um parto difícil. Entre outras coisas porque nasceu com o handicap do seu vencedor não ser classificado para uma prova europeia como sucede noutros países. Foi desconsiderada desde o princípio pelo FC Porto talvez por se julgar com lugar cativo na Liga dos Campeões e não precisar de uma Taçazita sem qualquer importância, apesar dos finalistas recolherem proventos significativos. Mas a verdadeira questão que está por detrás dessa assumpção é a de que mal a Taça da Liga começou a andar e a ficar com histórico, os portistas não conseguiram inscrever por uma só vez o seu nome na lista dos vencedores. A desconsideração passou à desdenha. Uma atitude à Porto de Pinto da Costa que se manterá inalterável a menos que à 7.ª edição, finalmente, o FC Porto a consiga vencer. Embora Paulo Fonseca se tenha encarregado de nos lembrar que não é uma prova prioritária

A despeito desses revezes continuados o modus operandi pintista tem-se feito sentir. Como não, se isso lhe está nos genes? Como todos estamos recordados, há pouco mais de um ano o FC Porto devido a um erro administrativo da estrutura perfeita utilizou irregularmente jogadores não respeitando os regulamentos. Foi a altura de recorrer aos habituais expedientes bacocos e demonstrar que afinal 71h e 45m eram 72h, que meteu explicações científicas que até fizeram rir de gozo as pedras da calçada. O que ainda surpreende é que hajam pessoas supostamente com alguma destreza intelectual que se prestam a alinhar nestas teorias de lana caprina já que das actuais autoridades desportivas tudo há a esperar…

Nesse contexto a edição da presente época desportiva não poderia passar com registo imaculado. E se no caso do Benfica-Gil Vicente o assunto da alteração do terreno do jogo podia e devia ter sido tratado de uma forma mais escorreita para que não restasse a mínima dúvida, foi no desempate entre o FC Porto e o Sporting que se concentravam todas as atenções. Partindo com um golo de vantagem fruto de uma deslocação não assinalada de Varela do tamanho da Torre dos Clérigos, era expectável que recebendo o Marítimo e com o Sporting a jogar fora em Penafiel, o FC Porto assegurasse de forma algo tranquila o apuramento. Era essa de facto a perspectiva mais forte.

Mas as coisas não correram como o previsto e enquanto a equipa leonina fazia a sua obrigação de ganhar marcando 3 golos, os portistas sentiram dificuldades que não se pode afirmar que fossem de todo inesperadas dada a forma como estão a jogar à Porto. E estiveram por mais do que uma vez eliminados. Então surgiu uma dávida dos deuses com mais um penalty caído do céu aos trambolhões. Até aqui nada de novo que não seja prática habitual no desbloqueamento dos seus jogos. O que houve de inovador foi o jogo ter começado 3 (três) minutos depois do jogo do Sporting, quando se admitia a fortíssima possibilidade do apuramento vir a ser discutido, palmo a palmo, pela mera diferença de golos.

Por ironia do destino foi a tal grande penalidade salvadora que ditou o apuramento dos portistas precisamente aos 93 minutos… e que soltou uma explosão de alegria dos adeptos portistas presentes no Dragão. Mais uma machadada para a credibilidade da Taça da Liga que os pintistas agradecem. E mais uma vergonha para o futebol português que parece atrair escândalos, com a particularidade de, mais uma vez, estar associado o FC Porto. O adepto comum não consegue entender a razão daquele atraso e a Liga chutou para já a situação para a justiça desportiva. Tendo em conta decisões precedentes é caso para estarmos preocupados. Ficamos desde já curiosos…






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