Ponto Vermelho
A turbulência do momento
28 de Janeiro de 2014
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1. A mais recente polémica causada por acaso) numa jornada decisiva do apuramento para a Taça da Liga – o parente mais pobre do futebol português –, parece estar para lavar e durar. Nenhuma dúvida de que aquele troféu tem sofrido desde o princípio soezes ataques dos retrógrados que continuam a exercer uma influência nefasta e em muitos casos decisiva, que emperra toda e qualquer novidade que não seja do seu agrado por uma razão ou por outra, sendo a mais forte o facto da criação da prova não ter nascido por sua iniciativa. É por isso, que o FC Porto de Pinto da Costa nunca perde a oportunidade de desancar na pobre Taça da Liga que, diga-se em abono da verdade, também tem dado indicações de alguma fragilidade.

2. Uma maioria significativa da população desportiva de tão habituada que está às golpadas, já não estranha e assim sendo a temperatura não sobe demasiado ao ponto de aquecer o ambiente. Não chega ao clamor público que a justiça desportiva necessita para agir de forma pró-activa e não reactiva como mais uma vez aconteceu. As eventuais polémicas diminuirão gradualmente de intensidade e para a história e para o interesse dos próprios ficará apenas a legalização de mais uma manobra bem urdida. Por alguma razão há lhe quem chame estrutura de sonho. Que sonha acordada…

3. As acusações alinham-se em grupos consoante a natureza dos interesses. Não se pode esperar que aqueles que vivem há anos à sombra das benesses do Sistema mudem de campo. A menos que ao abrigo do oportunismo que os caracteriza, vislumbrem no horizonte através do cheiro ou da intuição a possibilidade de um novo poder a perfilar-se. Aí, não hesitam em mudar-se de armas e bagagens para o novo dono oferecendo os seus préstimos e a experiência acumulada. Se repararem, perspectivando-se a possibilidade de mudança de ciclo, vários são aqueles que nos tempos mais recentes ganharam coragem para assumirem posições críticas à alma mater do Sistema depois de anos e anos de subserviência absoluta.

4. Essa postura tem contribuído para que os que estão habituados a vencer sem se importarem com os meios utilizados, prossigam nas suas diatribes cônscios de que nenhum mal lhes acontecerá. Afinal por alguma razão o Sistema detém as rédeas do poder e da manipulação, aceitando ir a jogo sabendo que se for necessário as regras serão viciadas por forma a que os seus interesses sejam sempre salvaguardados. Mesmo que estejamos a falar de provas que nunca constituem prioridade e são atacadas sem dó nem piedade com a mais fina ironia

5. Mas isso não é motivo impeditivo para que o mais fiel intérprete do Sistema mesmo nessa prova, não faça questão de demonstrar à saciedade quem manda. E temos que na tal prova sem interesse nas suas duas últimas edições tivémos recorrência com o invariável denominador comum – o FC Porto. Na que ainda decorre teve algo de caricato e foi interessante constatar a apressada tese de alguns especialistas a tentarem provar que não tinha havido intenção dolosa dos portistas. Tem existido, de facto alguma pressa para centralizar as culpas, esforçando-se uns quantos a tentar demonstrar que o assunto tem algumas brechas mas o melhor é arquivá-lo por não se conseguir provar coisa nenhuma. Tendo em conta a experiência do passado, talvez tenham razão.

6. Lemos sem alguma perplexidade a informação transmitida pela Liga que os delegados ao jogo tinham reportado o atraso da entrada em campo dos portistas. Não duvidamos que tenham feito todo o possível para que não houvesse nenhuma anormalidade, sabendo de antemão que para os lados do Dragão há grandes realizadores de efeitos especiais. Até acreditamos que o guarda-redes Fabiano tenha perdido uma luva, que Josué se tenha equivocado nas botas ou mesmo que Danilo tenha sido subitamente acometido de diarreia. Isso agora nem sequer é importante.

7. O que interessa é que por tudo e mais alguma coisa os dois jogos deveriam ter-se iniciado à mesma hora. E não começaram com a agravante de ter sido precisamente com os 3 minutos de atraso na entrada em campo dos jogadores do FC Porto que estes se vieram a apurar no final. E a despeito dos indícios apontarem para uma estratégia deliberada, a verdade é que os delegados da Liga presentes em Penafiel e no Dragão deveriam estar articulados. E perante o atraso do jogo no Dragão, o de Penafiel não se devia ter iniciado. Caramba, numa altura em que as novas tecnologias tudo permitem, porque razão um simples procedimento regulamentar não foi cumprido? Dada a distância tão curta até de pombo-correio…






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