Ponto Vermelho
Na rota do Seixal
30 de Janeiro de 2014
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Por muitas e boas razões o Seixal está na ordem do dia. Agradece o Município que vê assim o nome do concelho e da autarquia constantemente colocado no mapa e, dadas as constantes visitas ao Caixa Futebol Campus de jogadores e clubes estrangeiros, o Seixal e o Benfica têm forçosamente que considerar-se como satisfeitos numa parceria em que as árvores plantadas começam agora a dar os seus frutos. Que prometem fazer furor caso os indícios e sinais positivos mantenham a sua trajectória ascendente e se transformem em certezas. Mas até lá é preciso ter calma e não embandeirar em arco. Vale para todos.

Uma das características apontada a Luís Filipe Vieira é a de que é um homem de convicções. Como presidente do Benfica face ao emergir de talentos da área da Formação depois do período de médio prazo de consolidação das estruturas, é natural que se sinta orgulhoso por o Benfica estar a recuperar o protagonismo no sector depois do abandono a que foi submetido e que atingiu o ponto mais negro em finais do século. De igual modo os adeptos benfiquistas estão atentos ao que se passa no Seixal porque vêem organização, trabalho de base, capacidade de detecção de futuros talentos e a preparação que mais se adequa às circunstâncias. Há a preocupação de formar jogadores e enquanto homens prepará-los para a vida, devendo esse mérito ser distribuido por todos a começar pela estrutura que mais de perto os acompanha.

Não duvidamos que o presidente do Benfica ao ter elevado a fasquia e colocado mais do que uma vez nos últimos tempos a tónica do acesso a médio prazo de jovens jogadores formados no Seixal à equipa principal, acredita piamente na sua concretização. Mas ao repetir esse sublinhado com a veemência que o caracteriza, está a transformar o seu desejo e firme convicção em algo mais assertivo que pode ser interpretado (e explorado) das mais variadas formas, sendo o firmar de uma promessa uma delas. E como o Mundo e a sociedade global se estão a mover depressa demais, é demasiado arriscado enveredar por aí, sabendo-se que há todo um conjunto de condicionantes externas poderosas que podem vir a coartar a vontade e a esperança que existe em todos os benfiquistas. Os exemplos do passado recente deverão servir de aviso.

É que cada vez mais a envolvente futebolística está prisoneira do momento. Sobretudo nos clubes portugueses e em particular no Benfica em que as restrições de natureza financeira ajudam à possibilidade sempre presente de desertificação que é basicamente motivada por estarmos numa Liga com menor expressão e visibilidade e não podermos ombrear com os clubes mais poderosos que ultimamente têm crescido de forma exponencial na Europa. Com a entrada do sector formativo em velocidade de cruzeiro afigura-se-nos ser essa uma opção a explorar, sendo que tal tem de ser feito de forma gradual e sem abandonar pelo menos nos tempos mais próximos, a via que tem vindo a ser explorada de recurso aos mercados emergentes. Para não criar rupturas e manter o nível competitivo de uma equipa como o Benfica.

Entretanto, o mercado de Janeiro, para já, levou-nos Matic e há indicações que também André Gomes pode seguir o mesmo caminho. A concretizar-se a transferência do jovem médio encarnado que é o primeiro jogador depois de muitos anos a sair da Formação directamente para o estrangeiro sem sequer se ter afirmado na primeira equipa, por mais que possa ser evocado que não havia folga na tesouraria, tal não deixará de causar alguma surpresa justamente após tão convictas afirmações do presidente. Porque, a menos que estejamos redondamente equivocados, André Gomes não engana e ainda lhe faltava a etapa da confirmação antes de demandar ao estrangeiro que sabíamos ser uma inevitabilidade futura. Só que em condições porventura muito diferentes.

Perante os talentos emergentes e cujos nomes são já muito badalados, dividem-se as opiniões sobre o momento e as oportunidades que lhe deverão ser concedidas. Sabendo-se que provavelmente alguns ficarão pelo caminho cada vez mais íngreme que terão que subir, discute-se a complexidade do timing para o seu lançamento quando a época começa a apertar em todas as frentes e torna-se necessário uma focalização intensa nos objectivos em que a margem de erro começa a ser nula. Mesmo as provas apontadas como não prioritárias aprestam-se para atingir a fase decisiva. É portanto natural que o treinador (apontado com frequência de não dar oportunidades aos jovens) tenda a apostar em jogadores com maior experiência e rotinas.

O excelente trabalho que está a ser desenvolvido pela prospecção e pela equipa B tem sido o principal responsável pelo aparecimento destes jovens, sendo crível que o nível de maturação prossiga até final da época. Aí, por força do repetidamente enunciado e mantendo-se o crescimento sustentado, é altura de ser equacionada a questão por forma a começarem a integrar de forma gradual o plantel principal aqueles que se destacarem e provarem que estão aptos a dar o passo decisivo. Sem prejuízo de, caso a conjuntura se revele favorável, lhes serem concedidas oportunidades. Neste campo é preciso perseguir uma política coerente ainda que sempre subordinada a factores externos não controláveis, para que seja atingido o objectivo de todos os benfiquistas – ter mais jogadores no plantel e na equipa principal.






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