Ponto Vermelho
Lógica da irregularidade
2 de Fevereiro de 2014
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Embora possa ter constituído surpresa para alguns depois de todo o histórico recente com o Gil Vicente, a verdade é que por estranho que possa parecer, o resultado verificado no fim dos 90 minutos do jogo de Barcelos não nos surpreendeu de todo. Porque a trajectória irregular que o Benfica tem vindo a seguir desde o início do campeonato tem sido de molde a que nunca possamos antecipar qualquer resultado enquadrado obviamente naquelas previsões que todos os treinadores de bancada têm tendência para formular. Porque a irregularidade que os encarnados estão a dar mostras faz-nos sempre reflectir sobre a incerteza do momento.

Mesmo para os mais entendidos o que aconteceu ontem não é facilmente explicável, inclusivamente para Jorge Jesus. Em futebol quando não se atingem os objectivos nem sempre é porque se falhou internamente mas porque por vezes o adversário é ou esteve melhor. Como reflexão importante é preciso saber reconhecer isso quando aplicável para que se possam arranjar os antídotos para futuros desafios. Mas também pode suceder que fiquemos aquém das metas definidas por culpas e erros próprios independentemente das dificuldades e do mérito dos adversários que também contam. E isso também deve ser constatado.

Sem querer beliscar os méritos barcelenses, somos de opinião que o Benfica não logrou atingir os objectivos da vitória por culpa exclusivamente própria. Não pomos em causa o empenho de todos os jogadores que tentaram dar o seu melhor, mas a menor inspiração conjugada com o somatório de erros individuais que se prolongaram do banco ao relvado, talvez ajudem a explicar o empate num jogo em que a fasquia da vitória até nem era alta. Um candidato ao título, em circunstâncias tidas como normais não pode vacilar e ceder pontos contra este tipo de adversários. E o que aconteceu é que os encarnados venceram in extremis o Gil Vicente na 1ª volta através de um penalty no último minuto do prolongamento, e desta vez falharam um castigo idêntico também no período de descontos. Que lhes custou a vitória.

Sem querer enveredar pelas desculpas fáceis, é inegável que o terreno foi um dos principais inimigos dos encarnados. Porque dizem os entendidos, os relvados no estado em que se encontrava ontem o de Barcelos prejudicam sempre as equipas que detém uma maior gama de recursos técnicos e favorecem as que jogam com acentuado pendor defensivo. E o Gil Vicente preconizou um modelo de jogo à antiga portuguesa em que o objectivo à partida era garantir o empate defendendo com todos os jogadores atrás da linha da bola e tentanto esporadicamente contra-ataques rápidos ou lances de bola parada para conseguir o seu objectivo de empatar.

O Benfica não terá sido surpreendido dado que essa era a postura expectável que os gilistas iriam adoptar. Sobretudo se o resultado estivesse incerto, quer com a contenda empatada quer com os encarnados a beneficiar de vantagem tangencial. Competia por isso aos encarnados na sua condição de melhor equipa e candidato ao título lutar contra esse tipo de jogo utilizando desde o princípio todo o arsenal que se encontra à sua disposição. Houve de facto essa tentativa mas devido à menor inspiração, aos erros individuais, ao estado do terreno e ao mérito do adversário, as possibilidades esgotaram-se em si mesmo.

É evidente que as constantes interrupções motivadas por um árbitro picuinhas em nada ajudaram. E a somar a esse factor negativo, o facto de Siqueira se ter feito expulsar ainda veio complicar mais. Todavia será justo dizê-lo que o Benfica apesar de ter ficado reduzido e do melhor elemento a pensar jogo ter sido sacrificado como falso lateral esquerdo, continuou a assumir as despesas o que também provou que o Gil Vicente estava satisfeito com o empate. E seria até Gaitán a gizar o lance que deu origem ao penalty que daria o primeiro e único golo aos encarnados.

Na bancada estávamos a magicar que a substituição que estava a ser preparada para dar minutos a Cardozo para o derby iria ser congelada, atendendo a que o Benfica estava com menos um elemento. Pensámos em Rúben Amorim que até estava a aquecer. Mas Jorge Jesus numa opção imprevista, arrojada e nada conservadora manteve a sua ideia e optou mesmo por Cardozo. E quase logo a seguir os gilistas num golpe fortuito e num lance em que Oblak ficou mal na fotografia restabeleceu o empate. Aí pensámos que o resultado estava feito mas esteve em vias de não estar. Do nosso ponto de vista novo erro que não tem a ver com o falhanço no penalty pois se fosse Lima também o podia ter falhado. Tem a ver com o princípio; se é Cardozo o escolhido para a transformação dos castigos máximos, tendo em conta a sua longa ausência dos relvados deveria ter sido Lima a tentar marcá-lo. Como nunca saberemos o que teria acontecido, para a história fica apenas o resultado.






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