Ponto Vermelho
Patinagem...
3 de Fevereiro de 2014
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1. Não houve verdadeira surpresa pelo facto de todos os candidatos ao título terem patinado… E também, sem espanto, por ter acontecido com equipas perfeitamente ao alcance de cada um e sem necessidade de se terem transcendido. Afinal com boa organização defensiva como é costume suceder, excelente entreajuda entre todos os elementos, exibições grandiosas dos respectivos guarda-redes, alguma sorte à mistura e a flagrante inépcia que os candidatos demonstraram na hora da verdade, deu para justificar o marcar passo.

2. Para o futebol português seria bom que estes resultados acontecessem mais vezes e reflectissem na realidade uma subida de nível do campeonato e uma redução das assimetrias entre os crónicos candidatos ao título e os outros. Não é de nenhuma forma assim, dado que os resultados verificados não podem ser vistos como meros acidentes de percurso tendo em conta que as equipas grandes têm reflectido uma flagrante irregularidade (sobretudo o FC Porto e o Benfica). Basta ver a sementeira de pontos que têm espalhado com a agravante de o terem feito em sua própria casa nalguns casos contra adversários do fundo da tabela.

3. Se olharmos para a classificação deparamos com o habitual cenário que se observa todas as épocas, ainda que na actual o ressurgimento do Sporting tenha não só animado a prova como inclusivamente ocupado o seu lugar de verdadeiro candidato por muito que queira fingir que o não é. Em contrapartida o SC Braga dada a razia que teve no defeso, está a protagonizar a maior surpresa pela negativa, primando igualmente pela irregularidade que o tem levado a coleccionar derrotas em catadupa, atingindo no Restelo o seu 8.º desaire o que corresponde, por esta altura, a praticamente 50% do total de jogos disputados e estando já a uma distância de 17 pontos do actual líder Benfica.

4. Ainda dependente do V.Guimarães-Nacional, o fosso do actual 3.º classificado FC Porto para o 4.º – o cada vez menos surpreendente Estoril – é por esta altura de 9 pontos, o que revela sem sombra de dúvida que o campeonato continua a ser desnivelado, uma vez que um conjunto significativo de equipas apresenta um défice competitivo assinalável sendo que, se por acaso houver interesse em reduzir a décalage do campeonato português para as principais Ligas Europeias, era necessário para ontem e com urgência, que as cabecinhas controladoras do futeboluso abdicassem das teses miserabilistas que há muito perfilham e que conduziram o futebol ao estado vegetativo em que ele se encontra.

5. Será porventura exigir demasiado de quem durante tantos anos não evoluiu e não quer ceder uma partícula que seja do poder e da influência que detém. Com o actual figurino, com os intérpretes bolorentos que temos e inteiramente dependentes das migalhas do Sistema que sofreu um abanão mas não caíu e tenta a todo o custo reagrupar as tropas, com o poder político a fugir a sete pés das gentes do futebol, não é expectável que a curto prazo venham a haver alterações significativas, quer na zona do poder efectivo das várias áreas de influência que tudo podem decidir, quer na reformulação dos quadros competitivos que se impõe mais do que nunca.

6. O actual modelo do campeonato e das provas em geral é obsoleto. Voltamos a insistir na tecla de que a redução do número de equipas participantes na 1ª Liga devia ser revisto dado que a maior parte não consegue gerar receitas para atingir um grau de competitividade razoável e vive e continuará a viver hipotecada ao operador televisivo do Sistema. E quem vive assim não pode nem consegue ter a independência mínima para se auto-gerir, ficando permanentemente à mercê da vontade e dos caprichos daquele. O folclore da demissão do Presidente da Liga custe o que custar é um exemplo ilustrativo da forma como é gerido o futebol português.

7. Ninguém estranha por isso que em vez de se reduzirem as equipas elas aumentem voltando a tempos ainda não muito distantes em que para salvar uma equipa amiga de descida de divisão se procedia a uma alargamento cirúrgico. É esse o cenário que já está desenhado para a próxima época com a obrigatoriedade da integração do Boavista em mais uma fabulosa decisão dos órgãos desportivos competentes. Sendo essa uma inevitabilidade, havia outras soluções sem ser o alargamento. Mais uma vez prevaleceu a tese peregrina dos migalhistas incentivados e apoiados pelo Sistema. É que quanto maior for o número de dependentes melhor estão salvaguardados os seus interesses…






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