Ponto Vermelho
Lógicas distorcidas
4 de Fevereiro de 2014
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Em consequência dos altos e baixos dos candidatos ao título, eram grandes a expectativas para a última jornada do campeonato onde se admitia que pudesse haver escorregadelas. Havia até quem vaticinasse uma eventual mudança de líder um facto enquadrável nas deficientes prestações da equipa encarnada que quando parece estar no bom caminho volta a titubear com equipas de menor gabarito revelando não ter ainda atingido a velocidade de cruzeiro que todos esperamos de um candidato ao título. Por ironia do destino aconteceu precisamente isso e as reacções dos adeptos não se fizeram esperar; os benfiquistas e os sportinguistas curiosamente irmanados na mesma lógica de lamento pelo facto das respectivas equipas não terem aproveitado as benesses proporcionadas pelos outros dois rivais, e os portistas dando graças por só terem perdido mais um ponto.

Tendo em consideração o trajecto que o Benfica vem seguindo desde o princípio da época, poder-se-á dizer que o empate em Barcelos apesar da nossa convicção de que iriam sair vencedores, não estava fora das cogitações de alguns adeptos. São os mais pessimistas que só acreditam quando o árbitro dá o jogo por terminado e o Benfica conseguiu marcar pelo menos mais um golo do que o adversário. O deslize só não ganhou outras proporções porque os seus compagnons de route não conseguiram fazer melhor e o prejuízo acabou por não ter expressão. As próximas jornadas é que determinarão até que ponto esses resultados negativos afectaram as equipas, indiciando o FC Porto uma quebra que já não consegue disfarçar. Vale a Taça de Portugal para poder recarregar baterias mas, nos tempos que correm, o melhor é mesmo estarem prevenidos…

Se porventura os adversários do Benfica tivessem vencido os respectivos jogos, é fácil perceber o arraial que por aí andaria. Assim, com os efeitos mitigados, foi um pouco mais difícil aos plumitivos engendrarem aqueles cenários dantescos que eles tanto gostam. Mas por força do hábito e com um pouco de paciência na escavação sempre conseguiram arranjar alguma coisa. Que diabo; então poderia lá haver uma semana (apesar de anteceder o derby) sem uma pretensa polémica? Impensável! E vai daí saltou para a ribalta a dupla do Jamor com teorias mirabolantes, para dar azo a que cada ouvinte ou cada leitor pudessem fazer o seu juízo porventura influenciados por essas opiniões direccionadas.

Já manifestámos a nossa opinião sobre o episódio e sobre o facto de parecer ter havido alguma precipitação na marcação do penalty. Pelas razões que no momento nos pareceram descortináveis, sem que isso queira significar uma menor confiança em Óscar Cardozo. Se é uma decisão que está instituída dentro do grupo de trabalho que deve ser o paraguaio a encarregar-se da marcação dos castigos máximos quando está em campo, então em condições normais tal deverá acontecer. Mesmo que falhe como aliás já tem falhado noutras ocasiões. Aliás, a questão só se levanta porque voltou a falhar e do seu falhanço ter resultado a perda de 2 pontos que distanciaria mais o Benfica dos seus rivais. Mas o futebol, apesar dos destaques (positivos ou negativos) é um jogo colectivo e apetece perguntar: quantos jogos já Cardozo desencravou ao serviço do Benfica?

As circunstâncias é que eram diferentes e depois de longa ausência era natural que os índices de confiança ainda não estivessem no seu nível normal. Nesse sentido, apesar do que está estipulado, Jorge Jesus na altura da entrada em campo de Cardozo, para que não houvesse melindre, deveria porventura ter avisado de que caso houvesse uma grande penalidade a sua marcação deveria ser entregue a Lima que já tinha concretizado uma e estava naturalmente confiante. Simples e normal. Poderíamos até enveredar pelo caminho da especulação e traçar o seguinte cenário: imaginemos que era Lima a tentar converter e falhava. O que se diria agora? Por aqui se vê que não há razão para falatório pois aconteceu uma situação corrente num jogo de futebol; houve um penalty e o jogador encarregado da marcação falhou. Lembram-se de António Veloso na final da Taça dos Campeões Europeus com o PSV?

O que se procura é naturalmente reeditar o affaire da final da Taça de Portugal e que tanta tinta fez correr. Uma boa parte dos media alimenta-se de polémicas e para que isso aconteça é preciso gerá-las, ampliá-las e deixar que os adeptos façam o resto do trabalho. Esta que nunca o foi desde o princípio está destinada a percorrer o mesmo caminho da esmagadora maioria – o caixote do lixo do esquecimento. E, já agora, voltando a apimentar os ventos do futuro, que tal Óscar Cardozo marcar o golo decisivo no último minuto dos descontos e levar o Benfica ao título? Já alguém imaginou esse hipotético cenário?








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