Ponto Vermelho
Haverá Taça?
5 de Fevereiro de 2014
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1. A catadupa de jogos e o facto do campeonato ser a menina dos olhos dos adeptos fazem com que a Taça de Portugal tenha perdido algum impacto e comece paulatinamente a caminhar para ser um dos parentes pobres do futebol português. Final excluída em que, quaisquer que sejam os adversários (grandes ou pequenos), é sempre uma festa do povo atendendo a todo um ambiente de excepção que só o Jamor consegue criar e que não encontra paralelo em mais nenhum lado. A despeito das várias tentativas de desvalorizá-lo para justificar a escolha de um outro estádio mais para cima, uma aspiração que consome há muito o decano presidente portista e seus apaniguados.

2. Aparte esses fait divers que fazem parte integrante do quotidiano do nosso futebol, é já hoje que se disputam os quartos-de-final da Taça de Portugal. Com o Sporting já eliminado da prova, cabe aos outros dois grandes defender a sua dama, numa jornada em que pairam ainda algumas incertezas devido ao tempo agreste que tem fustigado de forma incessante os relvados com especial incidência na zona norte do País precisamente onde ocorrem os dois jogos em que participam o FC Porto e o Benfica em que as expectativas de facilidades estão, à partida, postas de lado pese embora os adversários serem equipas de menor gabarito.

3. Em teoria as dificuldades, apesar do FC Porto jogar no Dragão ante o estabilizado Estoril e o Benfica jogar fora em Penafiel não estão assim tão distantes. Porque se os portistas se apresentam perante o seu público e num relvado menos desgastado e mais propício ao seu futebol do que o do Penafiel, a verdade é que a curva inclinada acentuada que vêm registando nos últimos tempos é de molde a causar algumas preocupações nos adeptos azuis e brancos até porque defrontam um Estoril que cada vez mais se afirma como uma equipa personalizada e que sabe jogar futebol de qualidade independentemente do estádio em que actue ou o adversário que lhe caiba defrontar.

4. Por sua vez o Benfica que acabou de mostrar em Barcelos que ainda não atingiu a meta exibicional a que aspiram todos os seus adeptos e simpatizantes, tem pela frente uma tarefa que se pode vir a tornar difícil. E nem o facto de ir defrontar uma equipa da II Liga onde ocupa com justiça lugares de subida pode servir para pensar que as dificuldades serão menores. Partindo do princípio de que vai haver jogo tal o estado em que o relvado se apresenta, as dificuldades que a aguerrida equipa do Penafiel lhe irá colocar serão motivo suficiente, por si só, para que toda a atenção e empenho encarnados não sejam demasiados. Se não querem ter surpresas…

5. Com efeito, sem querer diminuir o grau de dificuldades que a equipa penafidelense irá colocar por jogar no seu reduto, pela motivação que sempre existe quando se trata de defrontar um grande da dimensão do Benfica e por se tratar de um único jogo a eliminar, a realidade é que muito provavelmente o relvado será porventura o pior inimigo dos encarnados. Porque depois da amostra de Barcelos, é dos livros que os jogadores com categoria técnica mais acentuada revelam maior dificuldade em lidar com relvados pesados e empapados que os obrigam a praticar um jogo mais directo a que não estão habituados, acabando a equipa no seu conjunto por se ressentir de um futebol descaracterizado. Nesse particular com choques constantes o Penafiel recolhe vantagens por ser a equipa que se apresentará com maior pendor defensivo.

6. Mas as coisas são o que são e se isso dá origem a um futebol mais trapalhão e menos atraente, a verdade é que o Benfica não pode invocar essas circunstâncias adversas como justificação. Poderá servir de atenuante para uma exibição menos conseguida mas terá que fazer um esforço de adaptação tentando resolver a contenda em tempo útil e não deixar arrastarem-se os minutos que só funcionarão como moralização dos penafidelenses. Não pode igualmente cair na tentação de começar a pensar no próximo jogo muito embora os efeitos se possam fazer sentir sobretudo em termos de desgaste que inevitavelmente não deixarão de se fazer sentir. Mas para já torna-se necessário ultrapassar este obstáculo e seguir em frente na Taça de Portugal. Assim o esperamos!








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