Ponto Vermelho
A erosão do poder...
6 de Fevereiro de 2014
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A jornada ontem disputada para a Taça de Portugal onde participavam o FC Porto e o Benfica não configurou nenhuma surpresa digna de registo; os dois clubes com maior ou menor dificuldade conseguiram ultrapassar os seus obstáculos e como estava previsto defrontar-se-ão na próxima eliminatória a duas mãos que corresponde às meias-finais da prova, uma situação que não é caso virgem pois já aconteceu na época de 2010/2011 onde depois de um prometedor 0-2 no Dragão, o Benfica viu-se batido por 1-3 na Luz ficando sem possibilidade de disputar a final no Jamor.

No Dragão os portistas deram continuidade às más exibições que vêm acumulando com a natural preocupação dos seus adeptos que ainda aumenta mais quando o seu treinador insiste na tecla das exibições à Porto que ninguém consegue enxergar. Ainda ontem havia uma enorme tarja no Dragão questionando ”Será que estamos a ser Porto?” o que significa preto no branco, que até ver apenas e só publicamente Paulo Fonseca consegue discortinar algumas exibições que fizeram parte do passado. Enquanto isso reina o mais profundo silêncio nos corredores do Dragão por parte da estrutura directiva mais ligada à equipa, não sendo muito difícil de prever a grande preocupação que reina nas hostes azuis e brancas ainda que não queiram dar o braço a torcer.

Face à irregularidade exibicional dos portistas e ao sólido percurso que o Estoril vem registando nas duas últimas temporadas que até o levaram à participação na Liga Europa onde apesar de eliminados deixaram uma impressão positiva para equipa estreante na prova, o jogo de ontem não antecipava facilidades para os portistas. Tal veio a acontecer com os canarinhos a abrir o activo, o FC Porto conseguiu chegar ao empate numa jogada confusa à beira do intervalo pelo regressado Quaresma, e assim se manteve até perto do fim onde finalmente o argelino Ghilas conseguiu desfazer o empate e apurar o FC Porto para as meias-finais acabando com o sofrimento dos adeptos que não desfizeram a dúvida colocada na tarja exibida no estádio.

Resulta claro na estratégia portista de muitos anos haver sempre a intenção de poupar Pinto da Costa às asneiras e aos erros estratégicos que comete, seja na escolha dos jogadores, seja na opção sobre o treinador. Aliás, ao longo do tempo temos ouvido muitos plumitivos e abalizados comentadores referir que no Dragão o treinador, qualquer que ele seja, está condenado a ocupar uma posição subalterna e submeter-se aos ditames do decano presidente que se apresta a recolher os louros quando ocorrem êxitos, mas deixa imputar através do silêncio as culpas ao treinador quando acontecem deslizes como está a acontecer agora.

Parece inquestionável que Pinto da Costa quis provar mais uma vez que quem ganha os campeonatos é a estrutura e basicamente ele próprio, não se dando conta que a situação já não era como dantes em que o controlo férreo dos efeitos colaterais exógenos que tantas vitórias e títulos têm dado ao FC Porto já não é o mesmo, por um conjunto de razões abrangentes que começam nele e na sua própria capacidade, passando pela solidificação do projecto sustentado do Benfica, pela rebeldia de alguns agentes que quais abutres, pressentem o aproximar do fim de ciclo e arvoram-se em independentistas depois de longos anos de cócoras e, por último, o ressurgimento do Sporting que resolveu ser ele próprio e mandar às malvas a subserviência e vassalagem que lhe prestou durante mais de uma década.

Este tema é não só candente para os adeptos azuis e brancos mas reflexamente para o universo do futebol português. Para os portistas habituados à infalibilidade de Pinto da Costa, a sua preocupação tem aumentado a cada dia que passa dado que é inegável que o edifício tão laboriosamente construído está em riscos de sofrer danos consideráveis. Não é só a questão das fracas prestações da equipa de futebol ou da maior ou menor capacidade de Paulo Fonseca em se habituar ao modus operandi da máquina pintista. É todo um conjunto de sinais comprometedores que vão transparecendo e que dantes, apesar de poderem existir, eram tratados e resolvidos de forma sigilosa pela estrutura.

Nem sempre os homens conseguem ter a capacidade e o discernimento suficientes para antecipar a hora e o destino. Estamos claramente perante um desses casos. Os indícios acumulam-se, os sinais são evidentes, e o fim do longo ciclo aproxima-se. Para a esmagadora maioria de adeptos azuis e brancos que apenas olham para as vitórias e para os títulos sem se preocuparem que para lá chegar a organização pintista atropelou meio-mundo sem o mínimo de escrúpulos distorcendo e adulterando a verdade desportiva, deve ser preocupante ver o que se está a passar. Pinto da Costa assim o decidiu até ao limite das suas forças porque provavelmente, a exemplo de outros, não é capaz de se imaginar fora da órbitra do poder. Mesmo que esta esteja cada vez mais distante e mais estreita…






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