Ponto Vermelho
Reformas necessárias. Mas para quando?
7 de Fevereiro de 2014
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1. Ciclicamente vai-se discutindo em vários fóruns a necessidade de alteração de um conjunto diversificado de questões abrangentes no Futebol português. Alguns bem entendido, porque os que andam a ser beneficiados directa e indirectamente há três décadas, não dão mostras de querer alterar coisa nenhuma e, a acontecer, seria para ainda poderem usufruir de maiores benefícios. E os que se limitam a agarrar sofregamente as migalhas que caem da mesa do banquete apesar de terem esboçado uma tentativa de estrebuchar, pouco mais podem fazer do que lançar a confusão tendo em conta que estão a atravessar o calvário da hipoteca revolving aos senhores do Sistema que muito dificilmente, para não dizer nunca, conseguirão distratar.

2. Esta situação, tem sido a nosso ver, um dos principais óbices para que se evolua no sentido de uma maior justiça e verdade no nosso futebol. Com dirigentes perpetuados no poder e com a influência que foram adquirindo ao longo dos anos que tem revertido em seu benefício e dos amigos que convocam sempre que se torne necessário para seguirem quais cãezinhos amestrados a voz do dono, é deveras complicado para todos os homens/clubes de boa vontade conseguirem seja o que for na órbita do poder onde tudo acaba por se decidir de harmonia com as directrizes dos poderes instalados. Por mais propostas que façam, por mais justas e equitativas que sejam, não passarão se porventura colocarem em causa os seus supremos interesses. É uma variante à portuguesa do conservadorismo que grassa nos anquilosados senhores da FIFA e da UEFA.

3. Certamente o Sporting e Bruno de Carvalho como observadores atentos do fenómeno futebolístico e da sua história mais recente tiveram isso presente quando num gesto altruísta resolveram apresentar um extenso documento focalizando as problemáticas que têm dado origem à razão do descontentamento de uma boa fatia dos adeptos do futebol. Dando ênfase a uma característica a que estamos há muito habituados, levantaram-se de imediato vozes tentando apoucar o conteúdo mesmo antes de saberem o que dizia ou o que propunha em concreto. Já o dissémos e voltamos a repetir que é positivo e merece atenção qualquer tentativa de moralização do futebol e mitigação dos seus aspectos mais negativos, venha ela de onde vier. É justamente por se terem fomentado interesses espúrios e rivalidades doentias que levou à construção de guetos e se atingiu o ponto negativo actual.

4. Segundo o nosso entendimento trata-se nem mais nem menos do que um documento de trabalho e um ponto de partida para uma discussão séria e aprofundada o que, levando em conta as experiências anteriores, duvidamos seriamente que não conduza à mesma situação das precedentes. É certo que tratando-se de matérias transversais terão que ser analisadas e ponderadas casuisticamente. Seja porque já estão a marinar em sede da Liga, seja porque ultrapassam o âmbito dos poderes do futebol e invadem a esfera legislativa, seja ainda porque extravasam o âmbito do futebol português e colidem ou podem colidir com matérias que são exclusivas e restrictas dos senhores do FIFA e da UEFA que não admitem ingerências.

5. Mas, não sendo original e tenha alguns pontos de contacto com várias tentativas no passado sobretudo por parte do Benfica que se tem batido na maior parte das vezes isolado de há anos a esta parte pela moralização do futebol português (recorde-se, por exemplo, a tentativa abortada com o Sporting no tempo de António Dias da Cunha e vários outros clubes), deve haver seguimento e aproveitada a oportunidade para pelo menos agitar as águas e tentar melhorar alguns aspectos que estão a lesar gravemente o futebol e os clubes, como seja a questão das apostas on-line uma situação que está dependente do poder legislativo e que se arrasta há demasiado tempo.

6. Há de facto aspectos importantes que carecem de revisão urgente e para os quais não parece haver pressa. A questão do policiamento mantem-se, o Tribunal Arbitral do Desporto tarda em aparecer à luz do dia na plenitude, a aspiração do IVA baixar para um nível intermédio parece não passar de uma quimera. Não tendo o FC Porto interesse em entrar nestas guerras (quem estiver prejudicado que se queixe…) havia por parte dos plumitivos e de outros sectores a curiosidade sobre qual iria ser a reacção do Benfica.

7. Não temos dúvidas por aí além de que o âmbito e a vastidão das matérias em discussão requerem centralização efectiva para que possam ganhar força e deixar de ser vistas como meras acções clubísticas. Aliás no âmbito da Liga isso já acontece em alguns casos, embora sem a dinâmica requerida pelo que há muito a melhorar nesse aspecto. Divergências? Claro, quem as não tem? Mas será isso motivo para que não se faça nada?

P.S. Elucidativa a posição do presidente do C.A. Vítor Pereira. Pelos vistos está convencido que a arbitragem depois da experiência profissionalizante, passou a viver no melhor dos mundos. É de facto um lugar interessante, mas será que não enxerga que o corporativismo não pode durar para todo o sempre?






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