Ponto Vermelho
Teste e não só…
10 de Fevereiro de 2014
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O jogo que estava previsto para ontem e que punha frente a frente os dois velhos rivais na Luz constituia de facto um teste especial para as duas equipas. Como também foi amplamente noticiado, dada a previsão que apontava para uma grande concentração de espectadores, o jogo servia igualmente de teste para a UEFA tendo em conta a final da Liga dos Campeões prevista para Maio justamente no Estádio da Luz. Devido a factores exógenos o jogo teve que ser adiado, mas os factos ocorridos permitiram a realização de um teste que paradoxalmente não deve ter desagradado à UEFA.

Com efeito, o escoamento dos 60 mil espectadores presentes processou-se de forma rápida, organizada e ordeira apesar de alguns protestos naturais motivados pela desilusão do jogo não se realizar, sendo que até uma das claques do Benfica não se cansou de fazer rebentar petardos ao abrigo daquelas manifestações que francamente não percebemos e que nesse particular apesar de ser um jogo para uma competição interna, a UEFA não deve ter gostado como já fez questão de o demonstrar nas várias multas que aplicou ao Benfica sendo que a manter-se esta tendência mais dia menos dia o Clube irá sofrer penalizações graves. Realce-se contudo que nos últimos jogos disputados na Luz para as competições europeias têm sido comedidos e têm cumprido o pedido formulado pelos responsáveis da organização dos jogos.

Quanto à situação em si há que reflectir ponderadamente sobre a mesma. Mais do que procurar culpados como é vulgar acontecer nesta situações, é preciso observar um conjunto de variáveis que acabaram por fazer a diferença. Do nosso ponto de vista (e como é subjectivo falar á posteriori!), face aos dados disponíveis que o Serviço de Protecção Civil e a Liga de Clubes dispunham sobre o forte agravamento do estado do tempo a partir das 18 horas de ontem, teria sido porventura aconselhável tomar a medida drástica de cancelar todos os jogos que estivessem previstos para aquele horário de forma a prevenir eventuais problemas decorrentes de uma situação que poderia vir a revelar-se complicada.

De facto, a previsão apontava para rajadas de vento fortíssimas que poderiam causar estragos, sendo que os estádios de futebol são locais que podem tornar-se vulneráveis a fenómenos daquela natureza, com a agravante de que havendo grandes concentrações de pessoas o risco aumenta exponencialmente e pode mesmo dar origem a situações que poderão ficar fora de controle. Felizmente que foi tomada a decisão mais correcta tendo em conta a ameaça de riscos eminentes. Fica a lição para o futuro, mas não podemos deixar de sublinhar que as autoridades recomendaram às pessoas prudência e que não se afastassem das suas zonas de conforto e acabaram por autorizar a realização de jogos de futebol à hora prevista para o início da tempestade. Não houve danos pessoais a registar e isso é o que afinal importa antes de tudo.

Inevitavelmente surgiram as comparações com outros estádios e os comentários sobre os juízos que a UEFA poderia formular tendo em conta a contagem decrescente que já se iniciou para a final da Liga dos Campeões. Tratou-se afinal de um fenómeno particularmente agreste e que não é muito vulgar acontecer em Portugal, e é assim que deve ser interpretado sem cair na tentação fácil de disparar em todas as direcções. Era naturalmente preferível que não tivesse acontecido mas não nos parece que seja isso que irá afectar o que a UEFA pensa sobre a forte capacidade de realização dos portugueses que têm demonstrado saber e competência na organização dos eventos atribuídos por aquele organismo de que é vivo exemplo o Europeu 2004 cujo êxito organizacional foi reconhecido por todos.

É claro que nestes momentos menos felizes há sempre profetas da desgraça que tentam aproveitar-se das desgraças alheias e se deliciam com que acontece na casa dos outros. Como se constituíssem exemplos para quem quer que seja. Mas é o que o temos e assim continuaremos enquanto não houver uma lufada de ar fresco que substitua de vez este ar poluído. O que interessa fundamentalmente é que iremos ter derby com o mesmo entusiasmo de sempre muito embora isso se reflicta na assistência atendendo a que muitos dos adeptos que vieram de longe não poderão desta vez estar presentes. O que se lamenta porque devido ao seu esforço deveriam, por todas as razões, poder assistir ao encontro ao vivo. Mas estas situações insólitas não estão livres de aconteceram sobretudo quando existem factores externos que estão fora do alcance do homem.








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