Ponto Vermelho
Um derby que não o chegou a ser…
12 de Fevereiro de 2014
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É bom lembrar as projecções que foram lançadas antes do derby e que se poderiam resumir aos habituais lugares-comuns. Apesar do Benfica se apresentar à partida como favorito, tudo estava em aberto ou não se tratasse de um encontro entre os dois velhos rivais lisboetas com toda a imprevisibilidade inerente. Este era certamente o estado de espírito de muitos adeptos benfiquistas que apesar de tudo confiavam na vitória ainda que algo desconfiados sobre o que iria fazer o Sporting depois da chuva de elogios que caíram sobre a audácia do seu treinador em apresentar-se na Luz com dois avançados, uma situação que lhe tinha rendido bons juros aquando dos vinte minutos finais da Taça de Portugal em que anulou a vantagem do Benfica de dois golos.

Diga-se de passagem que, em teoria, parecia uma boa táctica para contrariar um maior ascendente previsto de um Benfica em nítida subida de forma ainda que tenha registado intermitências exibicionais que o têm levado a perder pontos com equipas de muito menores recursos. Algo desfalcado pela ausência do seu pêndulo William Carvalho que apesar da escassa mobilidade e raio de acção tem vindo a garantir o equilíbrio fundamental no meio-campo leonino e também do lateral-esquerdo Jefferson outros dos jogadores com peso na equipa, o Sporting nunca se conseguiu encontrar ao longo do desafio, podendo-se dizer que terá sido porventura uma das mais fracas prestações do Sporting em dérbies.

Com efeito, se há muito mérito e determinação pela forma como o Benfica abordou o desafio em que na primeira meia-hora exerceu um domínio avassalador só pecando na finalização, a realidade é que se viu um Sporting desgarrado, sem chama e sem capacidade de reacção, o que ajudou ainda mais ao desequilíbrio verificado sobretudo na primeira meia-hora em que o Benfica dominou por completo e podia ter atingido um resultado histórico não fosse a inépcia que atacou alguns dos seus jogadores no momento da finalização frente a Rui Patrício.

Nesse período de domínio avassalador dos encarnados o Sporting foi incapaz de reagir e atravessou momentos de grande desorientação colectiva, com os seus jogadores a falharem passes atrás de passes e a denotarem insuficiências no capítulo da pressão a exercer sobre os jogadores do Benfica em todas as zonas do terreno, o que levou a que os encarnados com alguns jogadores em fase de grande inspiração a atingir momentos de brilhantismo fosse onde fosse a zona do campo onde o jogo estivesse a desenrolar-se.

Nesse particular as estatísticas ajudam a perceber melhor as incidências do jogo, sendo de assinalar um facto insólito que foi o do Sporting não ter beneficiado de um único canto em todo o desafio. Também no capítulo dos remates direccionados á baliza encarnada os dados são extremamente pobres com um único remate de Fredy Montero, o que diz bem do jogo pobre que o Sporting realizou. É certo que ao contrário do Benfica, os leões vinham dando claros indícios de abaixamento de forma, mas tendo em conta que se tratava de um derby onde os índices motivacionais estão sempre em alta, sempre pensámos que a prestação do Sporting se situasse em patamares acima do que aconteceu na Luz.

Seja como for, a história dos derbies revela que no tempo, uma e outra equipa têm passado por prestações assim e os resultados desnivelados verificados são fruto disso mesmo. Desta vez tal só não aconteceu porque os jogadores do Benfica foram generosos e não tiveram instinto matador. Mas fica o registo de mais um derby desigual embora o resultado não o revele de forma nenhuma. Embora não se saiba como vai ser o campeonato daqui para a frente e o peso que o resultado de ontem terá no comportamento futuro da equipa leonina, o facto de por esta altura ainda estar na corrida para o título depois de uma temporada em que atingiram a pior classificação de sempre, é um facto que, apesar de tudo, tem que ser realçado mesmo pelos seus adversários.

Por parte do Benfica, o realce que tem que ser dado à sua exibição e à sua vitória esgotou-se logo após o fim do desafio. Porque a constância dos jogos que se apresentam no imediato e o grau de dificuldade de que os mesmos se irão revestir, fazem virar de imediato o foco e a concentração que deverão passar a estar assentes nesses novos e importantes desafios. Se o avanço com que ficou é de molde a propiciar uma gestão mais calma e eficiente, as lembranças do passado recente não são de molde a darem aos benfiquistas a tranquilidade que os mesmos mereciam. Resta-nos acreditar que desta vez será diferente e que teremos um final feliz.






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