Ponto Vermelho
Considerandos pós-derby
13 de Fevereiro de 2014
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1. Inevitavelmente que os ecos do derby que também é clássico não deixariam de se fazer sentir. Mas contrariamente ao que por norma costuma acontecer, o de 3.ª Feira ficou muito aquém do alarido mediático que acompanha os rescaldos dos jogos entre os dois rivais lisboetas, tornando-se calmo e curiosamente transparente. Uma raridade nos dias de hoje em que o barulho chega a ser bastas vezes ensurdecedor. Ainda bem que isso aconteceu. Se a esmagadora maioria apreciou, certamente alguns devem ter-se sentido tristes e desgostosos pois esperavam ver sangue.

2. Não vamos ser hipócritas ao ponto de referir que tudo isso se deveu a uma alteração radical da postura dos diversos intervenientes e que não voltará a suceder. Era bom que assim fosse. Porque muitos deles continuam a ser protagonistas, essa assumpção é nos tempos que correm manifestamente utópica. Mas da mesma forma que clamamos contra a exteriorização da sua adrenalina sempre que algo extravasa o âmbito da normalidade, também é justo agora realçar a forma cordata e civilizada como todos sem excepção se comportaram independentemente de uns terem ganho e outros terem perdido. Não foi por aí que a rivalidade entre os dois grandes clubes decresceu ou sofreu qualquer abalo.

3. É evidente que para essa acalmia muito contribuiu a forma como se desenrolou o encontro que obviamente teve uma moldura humana inferior à registada no Domingo em que a Stephanie resolveu à revelia pregar-nos uma partida. Com efeito, se o adiamento do jogo constituiu para todos uma desilusão (com particular destaque para todos aqueles que vieram de longe), as incidências especiais que fazem parte do quotidiano dos derbies não estiveram desta vez presentes e isso explica em grande parte a estranha tranquilidade com que durante e após o jogo a partida foi comentada, especialmente por parte dos intervenientes mais directos.

4. Foi, contudo, um derby atípico. Não houve grandes penalidades (assinaladas ou por assinalar), foras de jogo polémicos, golos anulados ou duvidosos, situações que ultrapassassem as habituais regras da virilidade na disputa dos lances ou sequer expulsões. Nesse particular e por ser inabitual, teremos forçosamente que destacar o fair-play dos jogadores e uma arbitragem lúcida, equilibrada e consciente e que não levantou qualquer tipo de polémica. Um ou dois julgamentos inconsequentes sobretudo no campo disciplinar não deslustram uma actuação que se deve sublinhar. E até os treinadores e dirigentes pautaram-se por declarações que acabaram por dar ao espetáculo o brilho que ele bem merecia. Como nota dissonante e como vem sendo habitual, os espectadores foram mimoseados pelo constante rebentamento de petardos por alguns elementos ligados a uma das claques encarnadas. Voltamos a interrogar-nos se, especialmente em tempos de crise, não deveriam ser evitadas as multas sistemáticas que engordam os cofres da Liga…

5. Tivémos pois um derby de excepção, com as coisas a correram de feição para os encarnados e nada bem para os lados leoninos. Embora fosse previsível um maior ascendente encarnado, não se esperava que a prestação do Sporting ficasse uns furos abaixo do que era suposto, mas aparte a lesão e o castigo de 2 jogadores que têm desempenhado um papel fulcral no xadrez da equipa sportinguista, a realidade é que o Benfica entrou muito forte e esteve bem em todo o desafio e isso contribuiu decisivamente para fazer a diferença. Que continua a ser substancial em termos de plantel pelas razões que se conhecem. Já repararam como estaria neste momento o Sporting (e até mesmo o FC Porto) se porventura tivessem sido fustigados pela onda de lesões que atingiu o Benfica sem dó nem piedade?

6. Ultrapassado mais este difícil obstáculo, a entrada num ciclo muito complicado deve ser encarado pelas hostes encarnadas com confiança mas com forte determinação. Houve efectivamente um reforço importante da componente psicológica pelas vitórias claras alcançadas sobre os rivais e isso constitui um factor inquestionável que pode vir a ser determinante para as contas finais que ainda demoram a fazer. Por isso mesmo todos os jogos (até os considerados à priori como mais fáceis) devem ser encarados como decisivos dado que se assim for, o caminho tornar-se-á mais fácil de desbravar rumo ao objectivo que todos os benfiquistas desejam – serem campeões. Com determinação e espírito de entreajuda de todos (dentro e fora do relvado) chegaremos lá!








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