Ponto Vermelho
Sorteio: Sim ou não?
14 de Fevereiro de 2014
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Pouco importa se as medidas preconizadas pelo Sporting são ou não inovadoras, se são ou não viáveis, se extravasam o âmbito da legislação desportiva e invadem o poder legislativo, ou ainda se colidem com as directrizes dos todos poderosos senhores da FIFA e da UEFA. O que realmente importa é que a discussão chegou à praça pública para ajudar a perceber os diferentes pontos de vista dos vários intervenientes a começar pelos clubes. Felizmente que há concepções diversas muito embora a posição de muitos tenha a ver com a conjuntura de engessamento a que estão subordinados e que os impede de assumir posições de motu proprio. Mas esta é a realidade que temos da qual os clubes não vêem perspectivas de se livrarem nos tempos mais próximos, a menos que aconteça algo surreal.

Fará neste momento sentido sortear árbitros e repetir uma medida que há mais de uma década abortou por deficiente aplicação e por ter contra si alguns poderes obscuros? Essa é neste momento a grande questão sobre a qual temos visto muitos ilustres perorarem sobre os malefícios do sorteio defendendo a manutenção do actual sistema de nomeações directas que em seu entender é aquele que mais se adequa à realidade do futeboluso. Para isso estribam-se nos exemplos de outros campeonatos que seguem essa via de nomeações que aliás é a posição do todo poderoso Pierluigi Collina.

Sendo um tema sempre actual, não nos eximimos de dar a nossa opinião de simples adeptos do futebol. Começaremos por perguntar sobre as razões principais da medida ter surgido de novo na ribalta como remédio para exorcizar os males que afligem o sector: Maior transparência? Mais eficiência e rigor? Menos erros e menos manipulações? Eliminação das suspeições? Um pouco de tudo isso? Parece por demais evidente de que vivemos há décadas num clima de desconfiança generalizado motivado por erros e manipulações grosseiras que têm decidido jogos e campeonatos e adulterado a verdade desportiva. Isso começa por ser motivo suficiente para que haja uma discussão mais abrangente sobre esta temática com o intuito de introduzir alterações que se revelem profíquas. Aparte elas sejam.

Uma segunda questão leva-nos a interrogar sobre a eventual eficácia da medida proposta: se não resultou e foi abandonada em 2002 porquê voltar a insistir no mesmo? Todos sabemos o porquê. Estamos de acordo, por uma questão de princípio mas não necessariamente pelas mesmas razões, com os que defendem que o sistema de nomeações é o mais adequado dado que tem a possibilidade de nomear os melhores árbitros para os desafios mais complexos. O problema não nos parece estar aí. A questão primordial está em se temos ou não árbitros competentes e imunes ao canto da sereia e se temos confiança em quem os nomeia. E aqui está, a nosso ver, o busílis da questão pois não é possível formar uma boa equipa se não houver um plantel à altura. e bons treinadores.

O "Apito Dourado" fez perceber aos crentes que não perspectivavam trapaças que afinal os árbitros como executores em campo podem influenciar com relativa facilidade um jogo de futebol dado o seu poder interpretativo descricionário em cada lance. E os seus auxiliares também se podem distrair ou desconcentrar sem que daí venha mal ao mundo a não ser as inevitáveis críticas que se diluem no tempo. Mas os árbitros não chegam ao topo por obra e graça do Divino Espírito Santo; têm de percorrer um caminho complexo e se o atinjem, seria legítimo pensar que tal se deve apenas e só ao seu rigor e à sua competência. Infelizmente não é assim porque os seus professores/avaliadores – os observadores – por diferentes razões não cumprem bem o seu papel, adulterando notas como tem sido por várias vezes do domínio público. Muitas vezes devido a pressões sofridas.

Isto faz com que hajam árbitros com carreira ao mais alto nível sem que se lhe reconheça especial competência para exercerem a profissão uma vez que insistem em protagonizar arbitragens polémicas e isso leva-nos a desconfiar das razões que os levaram a atingir o topo. É por essas e outras razões que passou a existir desconfiança em relação às arbitragens em que, apesar de haver árbitros protegidos, todos acabam por comer por tabela. Não há pois maneira de sair deste círculo vicioso a menos que, tendo em conta a conjuntura, se opte por assumir medidas drásticas o que nos parece completamente fora de questão.

O esquema que perdura de nomeação directa (e repetimos que as pessoas deviam ser nomeadas apenas pelos seus méritos) tem dado pano para mangas dado o deficiente critério de quem nomeia. Já houve, na presente época, internacionais nomeados para jogos menores em detrimento de outros com menos experiência para desafios importantes. Toda esta problemática deve levar a uma reflexão profunda de todos os intervenientes do complexo mundo da arbitragem sem que não sairemos deste labirinto. E aproveitando o facto do Sporting ter trazido o assunto à discussão, tudo deve ser discutido neste momento incluindo um eventual sorteio condicionado. Isto obviamente se os seus defensores conseguirem provar a bondade desse critério o que não parece fácil…






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