Ponto Vermelho
Esboroar de expectativas?
16 de Fevereiro de 2014
Partilhar no Facebook

A cadência ritmada do futebol faz com que, a cada momento, os clubes e os adeptos possam renovar os seus desejos de sucesso que está na mente de todos. As vitórias são saboreadas no momento e urge desde logo começar a preparar o jogo seguinte onde se volta a exigir o mesmo resultado, enquanto nas derrotas o próximo jogo é requerido que chegue o mais depressa possível para tentar ultrapassar as sequelas que os inêxitos inevitavelmente acarretam. Uns e outros deixam marcas psicológicas importantes, competindo às estruturas técnicas preparar os jogadores para o cenário mais adequado às circunstâncias do próximo jogo.

Em toda a sequência temporal pós-derby foi sublinhado por alguns plumitivos que para o Sporting e para os seus adeptos não tinha sido tanto a derrota que seria normal em face da conjuntura, mas a forma como a equipa leonina se comportou ao longo dos noventa minutos em que, segundo o seu treinador, houve falta de atitude dos jogadores, o que levantou de pronto alguns pruridos porquanto é sempre matéria muito sensível sempre que qualquer responsável resolve tecer considerações menos abonatórias em termos públicos sobre os seus comandados. Nesse momento não falta quem ache isso criticável e considere que é uma forma de alijar a carga que pesa sobre os seus ombros pelas eventuais falhas que cometeu. Desta vez foi Leonardo Jardim mas nesse particular e em concreto Jorge Jesus leva a palma destacadíssimo.

Na ressaca, afirmaram alguns que o jogo com o último classificado Olhanense ainda por cima em Alvalade, seria o ideal para eliminar eventuais marcas negativas trazidas do derby. E em face da exibição e do resultado magro e com os algarvios a terem a possibilidade de empatar nos últimos minutos embora de forma injusta, dirão também outros que afinal o Sporting ainda não ultrapassou completamente os traumas do jogo da Luz, tendo ainda em consideração que até regressou ao onze a versão duplicada de D.Sebastião – o pêndulo William Carvalho e o lateral-esquerdo o ex-estorilista Jefferson.

Estamos convencidos que será difícil aquilatar até para a própria estrutura leonina até que ponto o efeito da Luz está a pesar no rendimento da equipa neste momento. Somos de opinião até que isso foi uma consequência natural da trajectória que a equipa sportinguista vem registando, tendo em consideração de que o seu pico exibicional foi atingido no primeiro troço do campeonato. A partir daí e pese embora a grande vantagem de apenas estar a disputar o Campeonato comparativamente com os seus dois maiores rivais em que a sucessão de jogos nas pernas dos seus elementos e o desgaste provocado são susceptíveis de virem a provocar estragos, tem havido nítido decréscimo de produção leonina.

Basicamente porque a qualidade e quantidade dos elementos do seu plantel não podem ser comparados aos outros dois grandes. E se o seu percurso até aqui tem que ser sublinhado sobretudo se comparado com a época passada, a realidade é a de que isso só foi possível devido a sucessivos tropeções dos outros dois candidatos ao título. Nesse aspecto e a despeito de ser impossível travar a euforia dos adeptos e mesmo de alguns elementos da estrutura quando o Sporting estava no auge, é de enaltecer a resistência dos principais responsáveis leoninos em assumir de forma assertiva a candidatura ao título, dado que cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Essa postura prudente mereceu bastas críticas de alguns que, como se está a constatar e até provas em contrário, eram infundadas.

Não estamos, todavia, a encerrar este capítulo. De forma nenhuma. Porque se vai entrar num fase complicada das várias provas em que FC Porto e Benfica estão envolvidos e apesar de disporem de plantéis superiores no binómio qualidade-quantidade muitos factos podem acontecer sem excluir os factores estranhos, sendo que a acumulação de jogos e o menor espaço de tempo de recuperação podem vir a, para além do natural desgaste, a causar lesões e castigos que podem ter enorme influência no desenvolvimento do jogo e na capacidade de afirmação das respectivas equipas. E dada a escassa distância pontual entre os três primeiros ainda com dois jogos entre si, tudo pode vir a acontecer.

Qualquer que seja a forma e o rumo que os acontecimentos venham a tomar, é já indiscutível que o Sporting está no bom caminho e tem todas as possibilidades de sonhar com o acesso à Liga dos Campeões da próxima época, um lugar que se coaduna mais com o seu historial de grande clube. O que resta saber é se isso virá a ter lugar pela via directa e isso, mesmo à distância falível de 11 jornadas, não se nos afigura como a mais viável. Mas em futebol (e sobretudo no português) nunca se sabe, havendo que não descurar a visão premonitória de Paulo Fonseca para a última jornada…






Bookmark and Share