Ponto Vermelho
Na frente nada de novo
17 de Fevereiro de 2014
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Extinguidas as emoções geradas pelo derby, a 19.ª jornada tinha duas deslocações díficeis dos actuais dois primeiros classificados a Paços de Ferreira e a Barcelos respectivamente. Enquanto que o Sporting recebia o último classificado Olhanense que com o seu terceiro treinador da temporada pretendia recuperar o terreno perdido para evitar aquilo que por esta altura se começa a desenhar já com alguma nitidez –, a descida à II Liga. No papel, as deslocações de FC Porto e Benfica pareciam complicadas em contraponto com a recepção do Sporting que tinha o adversário ideal para enterrar definitivamente os fantasmas que eventualmente ainda povoassem o seu espírito.

Nada de surpreendente aconteceu, venceram, mas todos sem excepção registaram dificuldades em consolidar o resultado que apenas no caso do Benfica se diferenciou por mais de um golo. O que prova que por um lado o desgaste começa a fazer-se sentir em todas as vertentes, e por outro os clubes menos apetrechados em situação difícil na tabela e a verem minguar cada vez mais as jornadas para amealharem pontos, encetam tentativas de se transcenderem ainda por cima animados por irem defrontar clubes de outro campeonato e com a vantagem de relvados pesados onde o grau de dificuldade aumenta para as equipas tecnicamente mais evoluídas.

Com a Taça da Liga na eminência de não vir a ter vencedor em tempo útil esta época devido à habitual morosidade com que o CD decide os assuntos em que parece só ter uma mudança, a partir desta semana teremos um novo elemento com a entrada em cena da Liga Europa para portistas e benfiquistas. Daqui para a frente e à medida que caminhamos para o fecho da temporada, os compromissos irão apertar também em função da carreira que cada clube faça nas frentes onde está inserido. E não é preciso ser expert na matéria para perceber que vão estar sujeitos a intenso desgaste e quiçá lesões e baixas de forma que poderão vir a comprometer os seus objectivos.

Quando se chega a esta altura e se observa o Benfica com possibilidades intactas nas várias provas, é comum citarem-se os exemplos recentes em que em idênticas circunstâncias os encarnados vieram a soçobrar em todas elas. E quando Jorge Jesus no habitual jogo de palavras de que sai muitas vezes a perder para aqueles que fingem nunca compreender o sentido das suas explicações, quis explicitar as virtualidades que derivavam do facto da equipa do Benfica só ter perdido porque tinha tido o mérito de ter chegado à fase última das decisões, foi levantada de novo a interrogação que atormenta o treinador do Benfica e os adeptos; não chega estar até ao fim em posição de ganhar; é preciso mesmo concretizar para afugentar de vez os fantasmas que teimam em flutuar por cima do universo encarnado.

Apoiados na experiência da última temporada e até ver, a prioridade das prioridades é clara – conquistar o título. Nas outras provas, em função da evolução, irão sendo (re)definidos objectivos mas sempre com aquela intenção em mente. Para já a situação propicia optimismo moderado mas longe das euforias do passado recente que acabaram por se revelar contrapruducentes. As exibições que a equipa tem vindo a protagonizar (com excepção de Barcelos mas com atenuantes devido ao péssimo estado do relvado), sem serem demolidoras, são indicadores fortes que nos levam a acreditar que salvo imponderáveis que estão sempre a acontecer no futebol, existem motivos para que possamos acreditar que o objectivo final será desta vez atingido.

Se analisarmos o Benfica nos últimos jogos, podemos constatar que algo de substancial mudou. A equipa abandonou a exuberância e a tendência para um futebol mais artístico que faz parte da sua matriz e por isso mais espectacular ainda que mais vulnerável e exposto às arremetidas dos adversários, para passar a ser mais fria, pramática e mais consistente, eliminando assim uma das suas principais lacunas – a da concessão de espaços que permitiam contra-ataques dos opositores muitas vezes letais. Isso está a significar menos situações dos adversários que passaram a ter menos possibilidades de remate e de beneficiarem de lances de bola parada onde a permeabilidade da equipa chegou a assustar muita gente. Uma questão que foi entretanto trabalhada pela estrutura técnica e pelos jogadores e que de repente se esvaiu para descanso dos benfiquistas.

Na Mata Real num campo pesado e perante uma equipa pacense que com esta orientação técnica tem dando mostras de praticar um futebol que não se coaduna com a actual situação da equipa, vimos uma nova faceta dos encarnados que nos deixou satisfeitos; a da entreajuda e da pressão constante sobre o adversário sempre que este tinha a bola fosse qual fosse a zona do terreno e, importante, em todo o tempo e não apenas em alguns momentos. Os artistas viraram operários e sem entrarmos pelo campo da especulação, talvez tenha sido aí que esteve a chave da vitória face a uma equipa organizada e que criou muitas dificuldades na sua zona defensiva. Se assim continuar e salvo percalços sempre susceptíveis de acontecerem, aumentam sem dúvida as possibilidades de serem atingidos os objectivos.






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