Ponto Vermelho
Decisões anunciadas
18 de Fevereiro de 2014
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1. O requentado episódio do atraso do FC Porto no jogo com o Marítimo e que motivou forte reacção e protesto do Sporting está na rampa final de se saber, de forma oficial, a decisão do Conselho de Disciplina. Sim, porque o resultado há muito que anda nas bocas do mundo como é apanágio em todos os assuntos que envolvam a justiça portuguesa, com particular destaque para a desportiva que há muito é um livro aberto de mentes que gostam de se ouvir. A começar pelo seu presidente que costuma dar o exemplo pois por norma antecipa a decisão a tomar na comunicação social o que já não causa estranheza tal o despautério a que chegámos.

2. A confirmar-se a decisão favorável ao FC Porto como tudo indica que irá acontecer, cairão por terra as convicções do fogoso presidente Bruno de Carvalho que apostava as fichas num desfecho favorável às suas cores. E marca mais uma vitória do consulado pintista que no caso muito particular de recurso a truques e expedientes revelou, mais uma vez, que está vivo, de boa saúde e em excelente forma, provando de novo que nesse capítulo não tem competidor à altura. Em paralelo com uma justiça desportiva que há muito deixa a desejar dada a permeabilidade e lentidão com que analisa e decide os processos. Excepto nas multas onde por norma costuma ser célere.

3. Já foram por demais debatidos os contornos deste triste e lamentável processo (mais um a envolver o FC Porto) mas vão sempre aparecendo novos dados. Desde o ridículo da lesão/doença de Fernando à contradição dos depoimentos dos delegados como convém neste tipo de processos para gerar dúvidas e dar trunfos aos decisores que se aproveitam dessas benesses para decidir de conformidade. Discutiram-se demasiado os aspectos laterais e atribuiu-se pouca importância à substância e à intenção subjacente, para haver centralização na interpretação restrictiva dos regulamentos e na (im)possibilidade real de recolha de vantagens factuais e objectivas.

4. O que sempre esteve em causa foi o princípio da igualdade de oportunidades e esse não esteve presente precisamente porque foi adulterado de forma concreta e deliberada. E isso é não só lamentável como revelou um acto que lesou a verdade desportiva. Apesar de ser normal acontecer continua a ser inaceitável e revelador que no essencial nada mudou neste país. Não está nem nunca esteve em causa que os resultados das competições desportivas devem ser sempre encontrados nos campos e nos recintos. Mas para que possamos todos apoiar esse ponto, é preciso que todos, sem excepção, cumpram as regras e não as torneiem quando lhes dá jeito. E neste caso o FC Porto, mais uma vez, não as cumpriu. E para variar ninguém que tivesse essa obrigação o forçou a cumprir. Mas será que isto vai ficar por aqui? Não cremos…

5. Da justiça desportiva para a criminal tivémos, finalmente, a decisão (passível de recurso) que envolveu a tropa de choque azul e branca depois de um dia aziago na Luz. Habituados a ganhar não importando o como, alguns jogadores portistas de cabeça perdida resolveram agredir tudo o que mexia; pontapé para aqui, cabeçada para ali dos rapazes habituados à impunidade consentida, que no caminho de regresso ao balneário não pouparam sequer os painéis publicitários (será que também estes objectos inertes provocaram?) e vai daí deram o devido tratamento a alguns stewards que estavam na sua rota de colisão.

6. Para mentes bacocas tudo tem justificação. Mesmo que não seja plausível ou nem sequer exista. Em termos desportivos havia na altura, de facto, um Conselho de Disciplina que não hesitou perante os factos. Mas tudo ou quase tudo seria deitado por terra depois do Conselho de Justiça decidir que teria de haver revogação ainda que parcial e, importante e decisivo, o entendimento peregrino por este último órgão que afinal os stewards não eram agentes desportivos, legitimando a argumentação sempre sustentada pelo FC Porto. Que, um mês depois, aprovava a mudança de estatuto dos referidos. Como de costume estas incongruências passaram despercebidas…

7. Na altura da decisão criminal parece-nos oportuno refrescar algumas memórias que com a sua passividade e sempre reafirmada isenção vão dando força e legitimando esta sucessão de manigâncias sempre com um denominador comum subjacente – o FC Porto de Pinto da Costa. E apesar de esquecimentos oportunos e da barragem de patranhadas desenvolvida pela entourage pintista, um dos envolvidos – Sapunaru – referiu (obviamente depois de estar noutras paragens) publicamente a versão aproximada dos factos que confirmam aquilo que já se sabia com algum detalhe. Na linha do que costuma acontecer em termos de justiça portuguesa, tivémos a decisão 4 anos e 2 meses depois. Mais vale tarde do que nunca, mas também nos palpita que este caso não ficará por aqui…






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