Ponto Vermelho
Jogadas fora de campo...
19 de Fevereiro de 2014
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Prossegue sem desfalecimento a luta para destituir o presidente da Liga de Clubes Mário Figueiredo. Para a maioria dos adeptos estas sucessivas acções de guerrilha de interesses passam-lhe ao lado atendendo a que para eles é uma questão menor, dado que a mesma não tem a ver com jogadores ou com treinadores e passa-se fora dos seus ambientes preferidos – os relvados. De facto, para além da barulheira dos dinossauros do costume assessorados por alguns recém-chegados às lides, nada de verdadeiramente significativo chegou à opinião pública em termos argumentativos que justifique tão drástica decisão de afastar Figueiredo.

Isto quando estamos a escassos três de meses das eleições na Liga e onde a rapaziada cujos lugares favoritos são os corredores escuros, as vielas esconsas e os lugares de duvidosa reputação, pode sem a menor dificuldade arranjar alguém à maneira que se preste a servir de fantoche e a seguir as directrizes da sua política que tão bem conhecemos e que nos conduziu ao incrível desenvolvimento e progresso que perfilhamos na actualidade. É a luta pela reposição de algum poder perdido nos últimos tempos e que tem trazido intensamente preocupado a alma mater do Sistema que depois da construção de um império à custa dos clubes que estão cada vez mais pobres e dependentes, julgava que a sua solidez nunca seria ameaçada. E agora, ao ver os seus alicerces a sofrerem alguns abanões, fez soar a campainha de alarme e está até a convocar os reservistas

Nunca tivémos especial predilecção pelo actual presidente da Liga. Por isso estamos numa posição que nos permite avaliar com algum distanciamento todas estas movimentações que mais não pretendem do que o óbvio – afastar quanto antes Mário Figueiredo que teve o desplante de não seguir alinhado com o todo poderoso e, pior do que isso, afrontá-lo naquilo que sempre constituiu a jóia da coroa dos seus interesses – os direitos televisivos – , que estiveram na génese do seu imenso poder e lhe permitiram expandir a sua influência a muitos outros sectores da sociedade portuguesa, incluindo o político e o judicial. E isso, neste tabuleiro corrompido que é a vida portuguesa, é uma ofensa gigantesca que jamais poderia ser permitida. Porque quem ousar questionar o poder consolidado de muitos anos, desencadeia de imediato uma reacção enérgica nos aprendizes de ditadores, mesmo daqueles que debitam as suas estratégias e travam as suas batalhas no silêncio poluído dos bastidores, afinal os seus lugares de eleição.

É normal que havendo interesses que se entrechocam se estabeleçam estratégias de confrontação e se proceda à contagem permanente de espingardas. O que é surpreendente (???!!!) é que no grupo dos contestários para além de nas suas frequentes manifestações públicas debitarem sempre a mesma teoria requentada sobre a demissão de Figueiredo, não se conhece uma ideia concreta que consubstancie esse tão veemente desejo de mudança. Aliás, basta atentar no seu habitual porta-voz e nos bitaites que de vez em quando alguns descredibilizados personagens protagonizam de apoio à causa, para perceber de imediato onde estamos e o que o pretendem que não difere do passado saudosista que pretendem recuperar. Se possível com juros.

A luta está pois animada e receamos que, a exemplo do que sempre tem sucedido, se continue a dissertar sobre o acessório, o quem é quem e os lugares que vão ocupar, em detrimento de se discutir e estabelecer as bases de um programa concreto sobre aquilo que verdadeiramente deveria interessar – o progresso e o desenvolvimento do futebol português – que continua a ser tão maltratado. Contrariamente ao que alguns possam pensar, existem pontos vitais em que é possível estabelecer pontes de diálogo e consenso entre os clubes aparte o seu posicionamento, seja por vontade própria, seja por imposição do patrono do Sistema.

Há uma verdade que não pode ser escamoteada; é que atravessamos uma conjuntura onde a convergência sobre os pontos decisivos para os clubes, aparte o lugar que ocupem e a capacidade de influência de que disponham no panorama nacional é fundamental. Não há a menor dúvida de que havendo, por ora, três grupos distintos – os grandes, os remediados e os pobres com objectivos diferenciados, os problemas sérios são transversais a todos eles e isso, por si só, é motivo mais do que suficiente para que se sentem a uma mesa, discutam e cheguem de vez a conclusões sobre as grandes dificuldades que os afligem. Mas para isso torna-se necessário que os golpistas do costume não persistam nas tentativas sobre o único objectivo que os anima – o poder como via aberta para governarem em proveito próprio. É complicado fazê-lo com algumas personagens obtusas que se passeiam nos corredores do futebol e da sociedade? É efectivamente, mas continuar de braços cruzados não será pior? A acompanhar.








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