Ponto Vermelho
Regresso vitorioso
21 de Fevereiro de 2014
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A generalidade dos observadores atribuía uma certa dose de favoritismo ao Benfica na sua deslocação a Salónica. Mas também sublinhava que para que essa previsão se viesse a concretizar era necessário que os encarnados fizessem por isso, até porque as recentes memórias do Olympiacos era de molde a trazer alguma preocupação. Além de que, era preciso enfrentar o espectáculo ruidoso a raiar o fanatismo que os adeptos gregos costumam oferecer às equipas estrangeiras que os visitam. Embora o Benfica por se ter deslocado à Grécia por diversas vezes e por possuir larga experiência internacional a isso já estar habituado. Mas é uma situação que acaba sempre por ter o seu peso especialmente para a galvanização das equipas gregas.

Como é vulgar acontecer hoje em dia em todas as latitudes e como é apanágio de Jorge Jesus, a equipa do PAOK terá sido dissecada ao pormenor sendo que o treinador encarnado optou por uma autêntica revolução no onze inicial com 7 novos diferentes titulares. Muitos dos que viram a constituição da equipa que começou o encontro devem ter certamente enfrentado alguma apreensão e alguns não se devem mesmo ter coibido de exclamar: Lá está o Jesus a inventar outra vez. No universo incomensurável de benfiquistas já sabemos que existem as vozes mais dissonantes e as ideias mais diversas pelo que não temos que nos admirar.

Mas desta vez e com excepção dos eternos insatisfeitos tudo correu pelo melhor não havendo motivo para reparos, atendendo a que a vitória foi alcançada e abriu boas perspectivas para a 2.ª mão no Estádio da Luz e a equipa globalmente deu uma resposta positiva e voltou a não sofrer golos, revelando uma consistência em todos os sectores que urge sublinhar, depois de tantas e tantas críticas que foram formuladas quando a equipa demonstrava uma permeabilidade defensiva que trazia preocupados todos os adeptos e certamente a equipa técnica que estava a trabalhar no sentido de eliminar esse handicap o que só aconteceu depois da estabilização do sector e da equipa que acabou por demorar mais do que era suposto.

No jogo de ontem, a despeito de tantas caras novas, a equipa manteve-se fiel ao fato que tem usado de há tempos a esta parte e, pela resposta dada em campo, fica a clara sensação de que todos os jogadores do plantel já assimilaram o padrão de jogo que o treinador quer ver implementado e que começa a dar frutos. Pelo menos nesta fase, a equipa colocou de lado a espectacularidade que a costumava caracterizar na época pretérita para optar pela solidez e pelo pragmatismo, demonstrando os jogadores aparte quem sejam e da posição que ocupam no terreno, uma solidariedade e uma entreajuda que faz com que tenham de correr menos e revelem maior eficácia, tendo em conta uma melhor distribuição que propicia a redução de espaços. Tudo leva o seu tempo.

José Mourinho disse há tempos que a Liga Europa seria, na presente conjuntura, a prova europeia que mais se ajustaria às equipas portuguesas de topo. É uma opinião que recolhe apoio de alguns sectores que para isso se apoiam nas participações na Liga dos Campeões em que os principais participantes – Benfica e FC Porto – têm tido prestações abaixo das expectativas. Compreendendo o alcance da questão julgamos no entanto que não deveremos, por uma questão de princípio, ir por aí. É certo que se olharmos para o panorama actual e se formos realistas chegaremos sem quaisquer dificuldades à conclusão de que muito dificilmente qualquer equipa portuguesa chegará, no curto prazo, a uma final da principal prova europeia uma vez que ela aponta noutro sentido.

Mas isso não deve significar que tenhamos que nos abster de lutar por alcançar um lugar sempre mais longe. Os exemplos do passado devem inspirar-nos atendendo a que as nossas vitórias, situando-nas no tempo, tiveram provavelmente um grau de dificuldade idêntico ao de agora em que parecia impossível que tal viesse a acontecer e afinal aconteceu mesmo… Além de que, as sucessivas eliminações prematuras que têm atingido as equipas portuguesas nos últimos tempos resultaram não propriamente de uma superioridade inequívoca de todos os adversários mas de erros próprios, o que neste tipo de competições em que às vezes os apuramentos se decidem através de detalhes, costumam ser fatais.

Foi mais uma vez o que aconteceu esta época em que as duas principais equipas até eram cabeças de série, o que revela que tal como a Selecção, as equipas portuguesas de topo estão bem classificadas no ranking e isso quer naturalmente significar alguma coisa. Não comungamos por isso desse fatalismo que costuma atingir os portugueses de que estamos condenados sem remissão à Liga Europa. É bem complicada a Liga dos Campeões mas por enquanto continuamos a ter condições para chegarmos até uma fase adiantada da prova dependendo sempre das circunstâncias. Os últimos fracassos não correspondem de todo à realidade do futebol das nossas principais equipas. Até porque existem outras de maior dimensão financeira que navegam nas mesmas águas…






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