Ponto Vermelho
Inesperado... ou talvez não!
24 de Fevereiro de 2014
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Quando falta disputar o último terço do campeonato (a 20ª jornada completa-se hoje com o Benfica-V. Guimarães), as posições no tocante aos lugares da frente e do fim da tabela começam a definir-se muito embora ainda falte apurar um conjunto importante de detalhes que poderá vir a ter uma influência profunda no apuramento do campeão, dos candidatos à segunda Europa e da(s) equipa(s) que conhecerão o travo amargo da descida. É a definitiva estruturação do pelotão que começa a ganhar forma apesar de serem só tendências. Mas nalguns casos bastante evidentes.

Nos lugares cimeiros o panorama parece renhido não tanto pela vantagem confortável dos encarnados, mas porque na mente de todos está o facto de nas duas últimas épocas o Benfica ter disposto de idêntica vantagem e ter deitado tudo a perder. Em 2011/2012 essencialmente devido a erros de arbitragem a que estamos infelizmente habituados e também por culpas próprias que importa reconhecer, na última temporada devido a algum azar e erros próprios que ditaram derrotas em toda a linha quando as expectativas apontavam para uma época única de sucesso. Efeitos terríveis e perniciosos que se haveriam de prolongar pela primeira parte da presente temporada.

Recuperada a pedalada normal com o que contou com o esforço e afirmação de toda a estrutura, a diminuição do ciclo grave de lesões, a subida de forma de alguns jogadores e a melhor integração de outros nas ideias do treinador, houve igualmente um factor de grande importância sobretudo anímica que tem sido a temporada extremamente irregular do FC Porto que também tem ajudado, não só o Benfica mas também o seu vizinho Sporting que renascido das cinzas tem surpreendido tudo e todos a começar pelos seus dirigentes e pelos próprios adeptos. E que, face à conjuntura favorável ameaça ir até onde o deixarem.

Ontem no Dragão perspectivavam-se dificuldades para o FC Porto não apenas porque o Estoril é uma equipa que já demonstrou por várias vezes apetência para complicar a vida dos grandes, mas porque é claro e indiscutível que os portistas estão a passar por uma crise de fim de ciclo que não é de hoje nem de ontem em que só as situações negativas que envolveram o Benfica nas duas últimas épocas de perda in-extremis do campeonato nas últimas jornadas ajudaram a disfarçar. Mais tarde ou mais cedo tal evidência teria que vir à luz do dia e para quem está habituado a ganhar (não importando o resto), a digestão dos fracassos tornar-se-ia muito complexa e de difícil aceitação.

Sendo a derrota um resultado possível não era contudo admitido pela generalidade dos observadores que consideravam no pior cenário para os azuis e brancos o empate. Mas o futebol tem destas coisas e à sequência de más exibições e resultados aconteceu agora este desaire que deixará certamente marcas profundas cravadas no espírito dos portistas. Porque, para além do mais, quebrou a invencibilidade azul e branca para o campeonato depois de cinco longos anos sem conhecer o travo amargo da derrota. São situações marcantes que não deixarão de produzir os seus efeitos, quer para o FC Porto quer para os adversários que doravante visitarão o Dragão.

É que, para além do resultado e das ondas de choque que vinham ganhar volume e que sofreram um forte impulso, o panorama de curto prazo não se apresenta brilhante para os azuis e brancos. Desde logo porque existe a possibilidade real de hoje poderem ficar a 7 pontos do líder Benfica. E depois porque o calendário não se apresenta fácil atendendo a que na próxima jornada visitarão Guimarães e daí a 2 jornadas visitarão Alvalade naquilo que, a não acontecerem surpresas o que nunca está fora de hipótese, poderá ser o jogo-chave do campeonato no que concerne à definição dos lugares no pódio.

Não está pois fácil a tarefa dos azuis e brancos que tenderá a agravar-se tendo em conta todos os contornos da conjuntura onde a estrutura outrora de sonho dá indícios claros de desagregação a vários níveis de que a demissão do Administrador financeiro Angelino Ferreira foi apenas a prova do que já se suspeitava há muito – as guerras internas pela sucessão de Pinto da Costa que estão a minar os pontos fortes que costumavam caracterizar a organização do FC Porto – o controle, o dinamismo e a coesão. É contudo prematuro tecer grandes considerandos porque certamente os desenvolvimentos tenderão a surgir face à situação insustentável de Paulo Fonseca. Como aposta pessoal do decano presidente portista este tudo fará para não dar o braço a torcer e prolongar a sua estadia até ao limite. Mas continuará a ser isso possível? Como reagirão os adeptos?






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