Ponto Vermelho
Multiplicidades…
1 de Março de 2014
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1. Apesar de ter decorrido de forma positiva para as equipas portuguesas a eliminatória europeia, os ecos ainda se fazem sentir. Na Luz, o apuramento embora não tão fácil como se poderia supor depois do resultado de Salónica decorreu sem sobressaltos de maior, com o Benfica a afirmar-se na linha do que têm sido as suas exibições nos últimos encontros: seguras e pragmáticas. Apresentando uma equipa próxima da que tinha jogado na Grécia, destaques para o regresso à titularidade de Salvio e do golo artístico de Gaitán que correu mundo dada a sua rara beleza e que abriu caminho à vitória encarnada. Um sublinhado para os aplausos generosos que a plateia benfiquista dedicou ao nosso ex-jogador Katsouranis aquando da expulsão, uma forma de reconhecimento pelas três temporadas que o jogador passou de águia ao peito.

2. Depois de terem sido aventadas várias cidades da Alemanha inclusive na RTP, a deslocação do FC Porto acabou afinal por ser a Francoforte s/o Meno. Com um resultado inesperado obtido no Dragão perante uma equipa de valia indiscutivelmente inferior, os portistas apesar dos percalços que têm sofrido continuavam a ser favoritos. Confirmaram-se os vaticínios e a despeito de terem estado duas vezes eliminados, os azuis e brancos conseguiram já no dealbar da partida o golo do empate a três que lhe assegurou a passagem à eliminatória seguinte. Parece ter surtido efeito a estratégia pintista de convocar a turba para uma manifestação de desagrado e obrigar os jogadores a sentirem o pulsar pintista. Afinal desta vez os ratos não fugiram como fizeram da outra vez para Vigo…

3. Carlos Mané é um jovem jogador que está a dar os primeiros passos no futebol profissional. A exemplo de tantos outros, a esperança de singrar é do tamanho do Mundo e, a avaliar pelas primeiras indicações, está a sair-se bem. Estando no nosso eterno rival não é por isso que deixaremos de o apreciar dado que de bons jogadores o nosso futebol está sempre carenciado. Porque o campo de recrutamento é diminuto se o compararmos com outros países, muito embora entendamos que na relação dimensão territorial/detecção e aparecimento de talentos ocupamos um lugar muito mais acima. Por isso mesmo e porque embora vivamos num mundo-cão ainda não devia valer tudo, não podemos deixar de verberar a campanha em que o querem envolver ainda que de forma indirecta. Bem sabemos que se trata de pasquins sem qualquer credibilidade mas ainda há pessoas (não tão poucas como isso) que se deixam embalar por toda esta literatura de cordel. Não há limites?

4. Voltamos ao assunto dos pequenos bombistas que continuam a frequentar o Estádio da Luz. Não ignoramos que o seu número é diminuto e que estamos no Carnaval, mas a recorrência com que continuam a fazer deflagrar bombinhas é de molde a que se possa questionar se não há ninguém ligado à organização dos jogos (não importando quem!) que acabe de vez com as cenas lamentáveis que continuamos a não entender dado que só vislumbramos efeitos negativos. Os avisos repetidos e a constante publicitação das multas internas aplicadas pela Liga de Clubes não fazem perder a embalagem a quem se dedica a tal prática reprovável. Basta referir que na presente época, as multas já atingiram um montante deveras significativo – € 90.000,00 – que bem podiam ter uma aplicação muito mais apropriada.

5. Ainda na passada 5.ª feira na eliminatória da Liga Europa voltámos a observar essa situação condenável que só prejudica o Clube. É que se no plano doméstico parece haver maior brandura e flexibilidade e ficamo-nos pelas multas apesar de constantes, nas provas organizadas pela UEFA esta não costuma brincar em serviço e depois das multas pesadas e dos avisos sérios que já se registaram, a manter-se inalterável este estado de coisas, mais cedo ou mais tarde, iremos ser contemplados de forma dura e penalizante, acabando todos – o clube e todos os adeptos – por serem prejudicados pela inconsciência de alguns. E a acontecer por exemplo a interdição, até os bombistas ficarão sem a possibilidade de fazer deflagrar os petardos. A menos que o façam fora. É isso que pretendem?

6. Toni foi um jogador altamente promissor nas camadas jovens na década de 90. Fez parte daquela geração dourada que conseguiu com Carlos Queirós dois títulos mundiais consecutivos de juniores, muito embora só tenha participado no 2.º em Lisboa em 1991. O mundo parecia abrir-se à sua frente com uma carreira de sucesso à sua espera. As circunstâncias e as armadilhas da vida fizeram com que isso não passasse apenas de uma quimera e hoje, passadas mais de duas décadas, Toni trabalha na construção civil para poder alimentar os seus quatro filhos. Depois da desilusão, realce-se a forma decidida como Toni está a enfrentar a adversidade. Um exemplo sobretudo para os jovens que estando a iniciar a carreira devem ter os pés bem assentes no chão dado que as elevadas expectativas que gerem podem transformar-se, de repente, em profundas desilusões.








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