Ponto Vermelho
Sofrimento desnecessário
3 de Março de 2014
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Sendo recorrentes as dificuldades que o Benfica encontra no Restelo, não se esperavam ontem quaisquer facilidades. E elas pareciam contrariar a tendência quando logo no madrugar da partida, num rasgo de génio, Gaitán voltou a enfeitar com nota artística o concretizar dos encarnados, depois de uma recuperação de bola no meio-campo pelo incansável Enzo Pérez. Nessa altura, com o Belenenses encolhido como era previsível, pensou-se que o mais complicado estaria feito e que num espaço não muito dilatado o Benfica iria marcar o golo da tranquilidade, quiçá até dilatar o resultado, dada a diferença de capacidade notória entre os dois conjuntos que se apresentavam com objectivos muito distintos.

Não foi isso que aconteceu. Se é certo que os encarnados continuaram a dominar as operações e a falhar algumas oportunidades que a terem sido concretizadas acabariam de vez com a incerteza do resultado, a verdade é que o jogo foi decorrendo na mesma toada economizadora com o Belenenses a espreitar a possibilidade de contra-ataques esporádicos ou lances de bola parada, enquanto o Benfica que controlava as operações, mantinha a sua tendência atacante mas a desbaratar as chances que iam surgindo. E apesar de se notar que os encarnados detinham as rédeas do jogo, receavam os adeptos que compareceram em grande número no Restelo, que nas tais incidências em que o futebol é fértil, pudesse suceder algo de inesperado, como aliás esteve para acontecer.

Já se percebeu que talvez por influência dos desaires da parte final das duas últimas temporadas que a equipa está a assumir um postura diferente. E isso, sendo obviamente positivo porque revela consciência, pragmatismo e a intenção de não voltar a cometer os mesmos erros, tem também uma componente negativa associada que por ora tem-se mantido ausente. Mas que pode surgir a qualquer instante dada a cadência das exibições e dos resultados. Se é muito positivo e tem vindo a ser alcançado o objectivo de vencer ainda que pela diferença mínima, o deixar sistematicamente em aberto o resultado dá origem a que o adversário, seja ele qual for, interprete e sinta que pode discutir o encontro até final. Além de que provoca um desgaste desnecessário quando justamente se pretende a maior poupança nos jogadores num momento em que as provas caminham para a sua fase decisiva.

Ontem no Restelo a grande maioria dos jogadores não tinha subido ao anfiteatro da Luz na passada 5.ª Feira pelo que não se pode evocar que estavam desgastados. Realmente o relvado estava pesado e o Belenenses optou como se esperava, por assumir um cariz vincadamente defensivo, mas isso não pode servir de justificação para que a equipa não tivesse forçado de forma mais intensa a procura do golo da tranquilidade, preferindo ao invés resguardar-se numa toada de controle de posse de bola na convicção de que a manter-se a tendência dos últimos jogos de não sofrer golos, não era preciso mais e o jogo estava garantido. Esta tese demasiado calculista revelada pelos jogadores nos últimos jogos pode vir a custar cara e o próprio treinador já alertou para esse facto. É pois tempo da equipa arrepiar caminho e prevenir-se para que não tenha depois de correr para se remediar.

Duas notas: 1) Felizmente que o bom senso prevaleceu e a Direcção do Belenenses fez o que tinha a fazer revogando a sua anterior decisão e permitindo a entrada de símbolos encarnados na bancada de sócios azuis. Tudo está bem quando os homens são capazes de reconhecerem os próprios erros e constatarem depois que a medida não tinha qualquer razão de ser; 2) A desconvocação dos jogadores do Belenenses Miguel Rosa, Jorge Rojas e Deyverson por alegada intervenção da Administração da SAD azul provocou, como não poderia deixar de acontecer, uma onda de especulações atendendo a que todos eles têm ligações ao Benfica, se bem que o primeiro tenha um contrato de 5 anos com os azuis. Seria bom que se esclarecesse de vez este assunto para que não subsistam dúvidas.

Finalmente o lance mais polémico que redundou na anulação de um golo do Belenenses aos 72m e que daria o empate nessa altura. Como leigos na matéria não temos a pretensão de concorrer com os vários especialistas que pululam por todo o universo comunicacional, mas ainda assim gostaríamos de deixar algumas constatações para reflexão: a) Não sabemos que fora-de-jogo o árbitro-auxiliar assinalou; se a Tiago Caeiro se a Kay; b) se foi a Tiago Caeiro que rematou à baliza, foi um erro assinalável uma vez que o jogador estava claramente em jogo; se foi a Kay então aí já é diferente, pois o central azul está na frente de Oblak (ligeiramente descaído para o seu lado esquerdo) em posição de offside. E como se pode constatar pela sequência do lance, Kay ao aperceber-se que Tiago Caeiro se aprestava para rematar, movimenta-se na frente de Oblak para o seu lado esquerdo e isso, no nosso modesto entender, enquadra-se numa das infracções previstas na Lei XI do Fora de Jogo de influenciar um adversário. Como sempre, continuamos a dizer que o importante é ser adoptado um critério único para que ninguém se sinta prejudicado.








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