Ponto Vermelho
Selecção de todos nós?
6 de Março de 2014
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1. Ontem foi dia de selecções. Um pouco por todo o lado as equipas dos países que irão estar presentes no campeonato do Mundo do Brasil aproveitaram para fazer testes, dado que daqui até ao início da prova começarão as escassear as oportunidades de os respectivos seleccionadores afinarem estratégias e promoverem a observação de novos jogadores para avaliar a sua resposta e poderem definir lá para Maio, quem serão os 23 felizardos que irão estar presentes num evento que, dado o seu impacto, mobilizará as atenções de todos os amantes do futebol em todos os continentes.

2. A Selecção portuguesa não deixou fugir a oportunidade e deslocou-se a Leiria – um dos elefantes brancos herdados do Euro’2004 de boa memória – para se encontrar com a selecção dos Camarões do nosso bem conhecido Samuel Eto’s um dos actuais pupilos de José Mourinho. Um teste francamente positivo não tanto pelo resultado dilatado obtido, mas para que o nosso Seleccionador pudesse observar em competição (ainda que tratando-se de um simples jogo de preparação) alguns novos jogadores que acabaram por disfrutar da oportunidade de se estrear ao serviço da equipa das quinas que na circunstância até apresentou um novo equipamento.

3. À medida que entramos em contagem decrescente para a definição final dos elementos que se deslocarão ao Brasil e como sempre acontece nestas circunstâncias as opiniões dividiram-se sobre os jogadores seleccionados, não sendo dispiciendo afirmar que em muitas situações se mantem inalterada a fobia clubística de alguns observadores encartados que acham sempre que alguns dos jogadores presentes estão a mais e deviam ser outros, esquecendo-se por momentos que o Seleccionador se chama Paulo Bento e que tem as suas próprias ideias mesmo que delas discordemos. Nada de transcendente e que não tenha acontecido em situações anteriores e que seria normalíssimo se apenas e só exprimisse o direito de discordância que assiste a cada um de nós. Mas influencia adeptos.

4. O objectivo de parte do séquito é sempre atingir algo mais, pois os interesses adjacentes perfilam-se no horizonte tentando fazer prevalecer os seus objectivos porque, para além da satisfação clubística pessoal, atingir o estatuto de internacional e fazer parte da escolhas regulares do Seleccionador é um factor importante pelo que representa para a carreira internacional dos jogadores e naturalmente para os seus clubes e empresários que lucram obviamente com a valorização daí resultante. E abre portas a futuras transferências, sobretudo naqueles países como por exemplo a Inglaterra em que um dos pressupostos exigido é justamente serem internacionais.

5. Nesse contexto salpicado de interesses só por estranho acaso se poderia atingir o consenso mesmo quando a diáspora define o principal contingente dos seleccionados. Mas para muitos, mesmo esses continuam com o carimbo dos seus clubes de origem em Portugal e como na esmagadora maioria dos casos são os grandes, nunca são vistos de outro modo pelos adeptos dos clubes rivais. E isso pesa no momento em que envergam a camisola das quinas e na definição do apoio que deve ser dado à Selecção. Depois, como se isso não bastasse, na altura da narração e dos comentários é sempre (ou quase sempre) referida a ligação clubística dos jogadores o que exerce uma influência nefasta nos adeptos mais sensíveis que observam tudo pelo prisma do seu clube do coração.

6. Se existem jogadores em que a sua classe e as suas performances os colocam num patamar que ultrapassa a opção clubística, outros há (a grande parte) em que as opções do Seleccionador abrem espaço à contestação. Mormente quando se referem a atletas que militam nos três grandes. As escolhas do Seleccionador para este jogo não fugiram a essa regra dado que, à excepção dos indiscutíveis, os melhores jogadores são por norma aqueles que não são convocados. Este é um dos handicaps que afectam a Selecção uma vez que os êxitos estão sempre alicerçados na força colectiva incluindo a do 12.º jogador. A despeito de em várias situações decisivas ela se ter feito sentir, é preciso que aconteça em todos os momentos como sucede noutros países.

7. Temos 2 meses pela frente até chegarmos às escolhas definitivas de Paulo Bento. Dado que as diversas competições estão a encaminhar-se gradualmente para a sua recta final, muita coisa pode acontecer, nomeadamente lesões, subidas e baixas de forma, lesões, castigos, opções dos respectivos treinadores dos clubes, etc. etc. O campo opcional do Seleccionador não é vasto mas ainda assim é suficiente para que possa ser formada uma Selecção competitiva ao nível daquelas que por norma se têm apresentado nos últimos anos. Continuamos com o eterno problema na zona central do ataque mas em contrapartida temos Cristiano Ronaldo que promete fazer furor e pode compensar a nossa menor competência na concretização. Até Maio há espaço suficiente para limar arestas e fazer escolhas. Que certamente abrirão espaço de debate porque algumas serão sempre erradas para cada um de nós…






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