Ponto Vermelho
Confirmação de expectativas
9 de Março de 2014
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Existe a forte convicção em muitos observadores de que as duas próximas jornadas poderão trazer uma luz mais intensa ao campeonato e quiçá clarificar as coisas no tocante aos lugares cimeiros incluindo o primeiro. É evidente que não está excluída a hipótese (longe disso) de acontecer precisamente o contrário i.e., que as contas fiquem baralhadas tornando as últimas jornadas num desfilar de emoções e de incertezas para o campeonato e para os adeptos dos clubes envolvidos. O futuro muito próximo o dirá e até que o mesmo defina o que irá acontecer resta-nos especular um pouco sobre as nossas próprias convicções. É a incerteza do futebol a sobrepor-se à lógica e ao nosso desejo de adeptos.

Para a presente jornada existe um prato-forte – o Benfica-Estoril –, um que poderá constituir-se numa bico-de-obra para o Sporting que não ganha em Setúbal há duas épocas, e outro que não aparentando grau de dificuldade de maior para o actual campeão nacional enquanto clube anfitrião, tem como aliciante a estreia de um novo treinador proveniente da equipa B ainda que com o estatuto de interino. Todavia, nunca é demais lembrar que foi este mesmo Arouca que roubou dois pontos aos encarnados em plena Luz, muito embora desta vez os portistas já estejam de sobreaviso para não serem surpreendidos.

Repetidamente tem sido evocado o resultado da época transacta dos encarnados com o Estoril que está naturalmente na memória de todos os benfiquistas e que deu o primeiro grande golpe nos desígnios do Benfica ser campeão. Agora para este desafio aumenta a justificação e as expectativas, tendo em conta que a carreira dos canarinhos está a ser ainda melhor do que a do ano passado em que conseguiu atingir a Liga Europa, a que acresce a recente vitória no Estádio do Dragão que acabou com a invencibilidade dos portistas para o campeonato após 5 anos ininterruptos sem sofrer o travo amargo da derrota no seu reduto. É um cartão de visita importante.

A carreira que o Estoril vem efectuando e esta última sequência de vitórias aumentou, naturalmente, a sua auto-estima e os seus índices de confiança. A que junta uma postura muito própria que o leva a tentar sempre ter um comportamento uniforme seja qual for o adversário e o local onde se disputa o encontro o que constitui um bom ponto de partida para o encontro de hoje, pois contraria a tendência habitual da generalidade das equipas menos apetrechadas de se remeterem a uma defesa porfiada quando visitam o Estádio da Luz. E isso pode vir a resultar num bom espectáculo de futebol dado que como é sabido, o Benfica pratica habitualmente um futebol de tendência vincadamente atacante.

Na temporada anterior criou-se uma onda de especulação com o jogo da Madeira que ainda serve de referência para alguns comentadores e que os adeptos benfiquistas ainda guardam na memória. É indiscutível que no final do encontro apenas deveriam ter acontecido as normais manifestações de satisfação pela vitória num dos jogos tidos como dos mais difíceis na longa caminhada para o título (vide resultados do Benfica e do FC Porto na presente época), e não de forma tão efusiva como aconteceu, um pouco à semelhança dos festejos portistas recentemente em Frankfurt. Não comungamos todavia da opinião de que o Estoril como adversário seguinte fosse de alguma maneira menosprezado como referiram observadores e depois assimilado por jogadores estorilistas que ainda agora o referem.

E a verdade é que nesse jogo o empate (que até poderia ter resultado na vitória do Estoril sobretudo a partir da expulsão de Carlos Martins) e sem retirar mérito aos forasteiros, foi algo enganador pois na 1.ª meia-hora o Benfica poderia ter decidido a contenda tal o número de possibilidades para o fazer. Não concretizou, aconteceu depois futebol e o que ficou na retina foram as últimas imagens de oportunidades dos canarinhos. Lembrámo-nos disso no recente V. Guimarães-FC Porto em que nos trinta minutos iniciais os portistas tiveram hipóteses de matar o desafio e quiçá golear e, depois, consentiram o empate e poderiam ter baqueado sem surpresa.

Talvez por influência de tudo isso, notamos nas declarações dos jogadores do Estoril uma forte confiança de que voltarão a repetir a gracinha. Não deixa de ser uma possibilidade a considerar. Se se vai concretizar ou não isso já é outra história. Mas é legítimo pensar que se houve clubes do fundo da tabela que foram empatar à Luz, o Estoril enquanto 4.º classificado e a escassos 4 pontos do FC Porto tem toda a legitimidade para pensar em repetir o Dragão. Não há, contudo, dois jogos iguais e se existe fundada expectativa na Amoreira, na Luz está um comandante moralizado que tem vindo a melhorar nos últimos jogos, possui uma equipa superior e, como tal, o seu único pensamento deverá ser o da vitória. Mas para que isso aconteça, é preciso lutar arduamente mal o jogo se inicie e, ao contrário do que aconteceu nos dois últimos jogos, tentar construir um resultado que o ponha a salvo de qualquer imponderável. É isso que esperamos.






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