Ponto Vermelho
Teoria da circularidade
11 de Março de 2014
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1. Desde que nos lembremos, os campeonatos de todas as épocas salvo raríssimas excepções, sempre foram pautados por manifestações de indignação relativamente às arbitragens. Por ter vindo a ser em permanência um couto privado do qual o FC Porto de Pinto da Costa tem beneficiado em larga escala até ao tempo presente consubstanciado nos frequentes títulos que tem alcançado, as indignações da concorrência que se têm feito sentir em todo esse período não têm merecido o necessário destaque. Porque tal tem vindo a ser entendido e publicitado como desculpas de mau pagador de perdedores. Foi isso que aconteceu ao Benfica em diversas ocasiões apesar de possuir toda a legitimidade e razão porquanto não se tratou de ter sido prejudicado num simples jogo, mas espoliado de campeonatos. Mais do que um.

2. É certo que a rédea larga observada até à explosão do Apito Dourado alterou-se de forma significativa na forma e no conteúdo pois alguns dos erros passaram a ser cirúrgicos e uma boa parte do ónus, por questões estratégicas, foi transferido para os árbitros auxiliares especialmente nas situações do fora de jogo uma situação reconhecidamente complexa e muito difícil, em certos casos, de ajuizar. Mas é indiscutível que isso não pode servir para branquear certos lapsos indesculpáveis que se têm podido observar em certos estádios. E o problema agrava-se e entra no campo da suspeição quando por coincidência (ou não), são sempre alguns clubes a serem os mais prejudicados.

3. Como meros exemplos chamaríamos à colação 4 casos: a) O célebre golo de Maicon na Luz, o golo de Lima ao Estoril, o lance que redundou no golo de Montero ao Benfica em Alvalade e, finalmente, a interrupção da jogada de Bruno Lopes jogador estorilista no último Domingo na Luz. Como foi evidente, o primeiro caso foi o que mais polémica deu devido à natureza dos contendores e ao facto de esse golo ter decidido o campeonato. Como foi possível que num lance de bola parada o auxiliar não tenha visto um fora de jogo nítido que praticamente todas as pessoas que estavam no enfiamento da jogada detectaram de imediato? Chamar a isto incompetência é apenas dourar a pílula… No golo de Lima também não era preciso TV para observar a situação legal do avançado encarnado. Ficámos por aí atendendo a que a vitória do Benfica se consumou. Mas imaginemos que esse golo viria a ser decisivo na atribuição do título?

4. Quanto aos dois restantes casos contraditórios entre si e no julgamento do árbitro auxiliar; em qualquer deles a complexidade de avaliação e julgamento não teve nenhuma comparação com os anteriores. E não fossem as sucessivas repetições televisivas e provavelmente os casos teriam passado algo despercebidos. Isto passa-se com frequência em todas as partidas e a polémica só não ganha maiores proporções dado que apenas uma pequena parte das partidas é televisionada em directo. Tal significa que iremos continuar a ter continuadas suspeições sobretudo agora que caminhamos a passos largos para a fase decisiva das várias provas.

5. A questão que se coloca é a de como vamos ser capazes de ultrapassar isso numa fase crescente de suspeição dos adeptos e de escalada verbalista dos dirigentes. Sem descurar a situação interna de que esperamos sempre que ela nos dê algo que pelos vistos nunca há-de ser capaz, no plano externo não é fácil devido ao extremo conservadorismo do ‘International Board’ que persiste na sua cruzada autista e ignorando o quanto os erros e as continuadas azelhices dos árbitros contribuem para o prejuízo de milhões dos clubes e para a inverdade desportiva. Mas perante uma situação que não pára de crescer qual bola de neve, seria necessário um verdadeiro acto de coragem para começar a introduzir algumas novas tecnologias que auxiliassem os árbitros e os colocassem em plano de igualdade perante a concorrência desleal da televisão.

6. Havendo opiniões plurais e absolutamente contraditórias porque nunca ninguém quer perder previlégios, para além de haver vontade política, as diversas situações teriam que ser bem muito bem ponderadas. Mas para já, para além da tecnologia do “Olho do Falcão” já experimentada pela FIFA e que terá o seu grande teste no Mundial do Brasil, outras como por exemplo a eterna questão dos foras de jogo que está a aumentar assustadoramente devido aos processos de treino das equipas deviam ser tentadas para avaliar o seu grau de eficácia na ajuda aos árbitros auxiliares que estão a errar cada vez mais. E um simples erro pode dar origem à perda de milhões pelas vítimas numa altura em que a crise se faz sentir mais do que nunca.








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