Ponto Vermelho
Cara ou Coroa?
13 de Março de 2014
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Para alguns, um dos grandes dramas existenciais do momento é aferir quais são as prioridades do Benfica para esta época. Apesar de os responsáveis encarnados terem colocado a conquista do campeonato como a prioridade das prioridades para satisfazer os adeptos e afastar em definitivo o mau olhado das duas últimas temporadas que impende sobre a equipa e em particular sobre o seu treinador, a realidade é que são repetidamente colocadas interrogações sobre se o Benfica não deveria também focalizar-se na Liga Europa e, já agora, na Taça de Portugal e na Taça da Liga. A tal facto não deverá ser alheio a coincidência de nestas últimas o próximo adversário a ultrapassar ser o FC Porto. Percebe-se a intenção.

Questionado constantemente sobre o assunto, Jorge Jesus tem vindo a reafirmar que no topo da hierarquia se encontra a conquista do campeonato embora isso pareça não convencer a audiência que na próxima oportunidade lhe voltam a colocar a questão. É um regresso ao passado recente pois se recuarmos um ano, constataremos que o Benfica atravessa uma fase com contornos algo idênticos. Ainda que as circunstâncias não sejam, em rigor, as mesmas. Os efeitos traumáticos que iniciaram a escalada negativa através de um pontapé de acaso dado por um tal Kelvin, fizeram ruir as esperanças benfiquistas de um final de época épico. Num simples esfregar de olhos passou-se do céu ao inferno com os efeitos que depois se fizeram sentir.

O inêxito completo e a perda do campeonato nas circunstâncias em que se verificou aumentaram a desilusão e a revolta dos adeptos. Ao ter acontecido, a pressão que tenderia eventualmente a esbater-se acentuou-se e foi naturalmente transferida para esta temporada onde ficou desde logo estipulado que seria proibido falhar. O que fez disparar as expectativas e a pressão sobre a equipa para patamares inabituais que se reforçaram ainda mais com o paupérrimo início de campeonato. E mesmo estando o Benfica habituado a conviver com a pressão imposta pelo seu estatuto e historial, nem por isso deixou de ter efeitos perniciosos dadas as circunstâncias originadas pela conjuntura.

Nesse contexto, no início da época, para a grande maioria dos adeptos haveria apenas um objectivo: recuperar o título que tinha fugido de maneira estranha nas duas épocas anteriores com todas as condições para o ganhar. Todas as outras provas seriam pois remetidas para segundo plano. Na heterogeneidade do universo benfiquista nem todos pensam rigorosamente assim. Se no plano interno comungam do mesmo desejo de ver o Benfica ganhar regularmente o título maior, a verdade é que entendem que os objectivos encarnados não se esgotam, nem podem esgotar, na assumpção desse isolado desiderato. Querem algo mais. Porque entendem que o prestígio que o Benfica alcançou na Europa e no Mundo não derivou unicamente de ser o clube que mais campeonatos internos alcançou.

Acresce ainda que, tal como dantes e apesar das novas tecnologias de informação, o campeonato português apesar de se ter internacionalizado através da vinda de jogadores de classe de vários países com créditos firmados no futebol internacional continua a não disfrutar de grande visibilidade, sendo um dos exemplos a Argentina a despeito de vários internacionais militarem em equipas portuguesas e em particular no Benfica. Logo, sem descurar a supremacia interna, é preciso continuar a extravasar as fronteiras futebolísticas pois só assim é possível manter o prestígio entretanto recuperado depois de anos de travessias no deserto. E associado a isso o reforço da importante componente financeira.

Devido à nova ordem futebolística que se tem vindo a cimentar na Europa a acrescer à nova ordem económica, sabemos que a manterem-se os dados da conjuntura, será muito difícil a imposição do clube na alta roda do futebol europeu que parece cada vez mais reservado a uns tantos com lugar cativo. Mas voltar costas a isso e desistir de tentar, afigura-se-nos errado e uma traição a todo um passado de grande afirmação no panorama europeu. Essa questão parece agora estar em cima da mesa e já hoje, daqui a pouco, se colocará perante uma equipa inglesa que aposta forte na Liga Europa. Calculamos que toda a estrutura da equipa está ciente da enorme responsabilidade que tem pela frente e tudo fará para provar que o Benfica é uma equipa afirmativa na Europa. Depois, na Choupana, será outro jogo que terá que ser abordado com a mesma seriedade e concentração. Com o plantel que existe e com a almofada de que dispomos, é nosso convencimento que qualquer dos objectivos poderá ser atingível.








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