Ponto Vermelho
Nos carris...
14 de Março de 2014
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Nenhuma dúvida parecia persistir que, após ter sido restabelecida a confiança da equipa em si própria, nas suas capacidades e no seu imenso potencial, a eliminatória dos oitavos-de-final com o londrino Tottenham velho conhecido do Benfica na Europa, apresentava-se repleta de esperança de que os encarnados confirmassem mais uma vez aquilo que têm vindo a fazer nos últimos tempos. Era essa, pelo menos, a forte convicção dos adeptos encarnados que têm visto a equipa subir os seus índices exibicionais de forma segura e convincente de há algum tempo a esta parte. Não esperavam outra coisa mesmo com a dúvida se o treinador encarnado optaria mesmo por uma equipa remendada e, em caso afirmativo, qual seria a extensão dos remendos.

Afinal Jorge Jesus decidiu inverter a lógica de Atenas mantendo 7 dos habituais titulares, fazendo apenas entrar no onze inicial, Oblak (com alguma surpresa), Sílvio que desde logo se percebeu que jogaria de início face à retenção em Lisboa de Maxi Pereira, Sulejmani e Óscar Cardozo que se tem dado extraordinariamente bem com equipas inglesas. Compreendeu-se a opção dado que o potencial do Tottenham é indiscutivelmente muito superior ao do PAOK e em casa prometia dar tudo por tudo para conseguir um bom resultado e desfazer a má imagem da jornada anterior da Premier League onde tinham sido copiosamente derrotados pelo Chelsea de Mourinho. Além de que, a par do Benfica, FC Porto, Nápoles e Juventus, enquadrava-se no lote de favoritos com aspirações a estar presente em Turim.

Curiosamente o Tottenham foi um dos clubes que já fez estalar o chicote esta época com o despedimento do nosso bem conhecido André Villas Boas. Ocupando zona europeia através do actual 5.º lugar (à frente do Manchester United), os últimos resultados e exibições conseguidos pela equipa inglesa depois do avultado investimento de 100 milhões (o dobro do orçamento do Benfica) não têm sido de molde a entusiasmar os seus adeptos. Daí alguma contestação ao seu treinador Tim Sherwood que apostava muito a sério nesta eliminatória como aliás tinha ressaltado das suas declarações antes do jogo.

Previam-se por isso dificuldades para os encarnados que mantêm um balanço negativo nas eliminatórias contra equipas inglesas. Não só pela valia dos jogadores do Tottenham, mas também pelo ambiente tradicionalmente fervoroso que se verifica nos estádios britânicos. Além de que era um jogo para uma competição europeia e os ingleses procuravam redimir-se das últimas prestações menos felizes nas provas internas. E o Benfica, dado o grande prestígio que continua a manter em terras inglesas afigurava-se como o adversário ideal para alcançar tal desiderato.

Devemos começar por dizer que, a despeito dos resultados e das exibições que o Benfica tem realizado nas últimas partidas, não estávamos à espera que os encarnados realizassem uma exibição tão categórica em White Park Lane. Com efeito, desde o primeiro minuto que a equipa demonstrou que estava ali para vencer o desafio não dando grande hipóteses aos jogadores do Tottenham para impor o seu futebol de lançamentos longos em profundidade para o seu poderoso ponta-de-lança Emmanuel Adebayor que tinha eliminado o adversário europeu da ronda anterior (os ucranianos do Dnipro) precisamente naquele estádio.

Em nosso simples entender o principal segredo da grande subida de produção dos encarnados reside no facto de que passou a jogar como uma verdadeira equipa, sólida, concentrada, com grande entreajuda entre todos os seus elementos na altura de recuperar a bola, uma situação que ainda não se tinha visto no consulado de Jorge Jesus que, em face do ocorrido nas duas últimas épocas (sobretudo na derradeira), resolveu abandonar o futebol romântico e espectacular que encantou a Europa mas que, na altura dos finalmentes, se revelou inconsequente. E como as equipas como o Benfica vivem de resultados e de títulos…

Foi essa equipa pragmática e solidária que esteve ontem à noite em Londres e que tão boa impressão deixou, quer no aspecto exibicional (categórico), quer no resultado conseguido que abre excelentes perspectivas para os quartos-de-final. O Benfica já está lá com um pé; agora é preciso pôr o outro… Nesse sentido causaram algum prurido as declarações de Rúben Amorim chamando a atenção que é um resultado perigoso. Não vemos o porquê do espanto. É certo que em condições normais o Benfica tem todas as condições para seguir em frente e surpresa será se vier a acontecer o contrário. Mas é bom sempre lembrar o que sucedeu em 1968 ante o Ajax em que depois de vencermos por 3-1 em Amsterdam fomos batidos por idêntico resultado na Luz, sendo eliminados no desempate em Paris por um concludente 3-0. Não se trata de qualquer pessimismo mas sim o de não querermos antecipar o que ainda não aconteceu…

Nota 1: Sem desvalorizar o trabalho que todos os jogadores tiveram, gostaríamos de sublinhar com aplausos o do capitão Luisão (enorme!) e de Rúben Amorim (excelente!). Podemos pedir bis?

Nota 2: Todos sabemos que Jorge Jesus ferve em pouca água. Mas, por mais razão que lhe tenha assistido, nada justifica as suas atitudes intempestivas que nem sequer pouparam o seu adjunto. Um nota negativa a ensombrar uma noite de glória. É que ele é o treinador do Benfica...






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