Ponto Vermelho
Campanha de desvalorização…
15 de Março de 2014
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1. Após alguma turbulência que se estendeu até ao primeiro terço da época onde todas as dúvidas e incertezas foram escalpelizadas, o Benfica começou gradualmente a inverter o rumo. A princípio pouco perceptível devido às incidências do final da época e porque é bom não esquecer a quantidade anormal de jogadores no estaleiro (alguns com gravidade como Salvio regressado à competição quase 6 meses depois), a equipa encarnada viu os seus jogadores mais influentes a subirem de forma, os novos a revelarem maior poder de adaptação e as rotinas a serem implementadas. Começou a notar-se nos resultados ainda que com exibições nem sempre consistentes.

2. No mercado de Janeiro o Benfica perdeu Nemanja Matic que se transferiu para o Chelsea e muitas foram as vozes que previram grande oscilação sabendo-se que o jogador sérvio tinha características únicas e desempenhava um papel fulcral no meio-campo encarnado. Era aquilo que se costuma designar como um médio box-to-box em que aliava a uma envergadura física de respeito uma assinalável destreza de movimentos e uma técnica assinalável que não é fácil encontrar hoje em dia. Não foi por acaso que rapidamente assumiu a titularidade no milionário clube de Stamford Bridge.

3. Felizmente não aconteceu a catástrofe prevista. Devido ao trabalho, à competência da equipa técnica e à assimilação dos jogadores de uma nova vertente táctica. Os eternos buracos que por vezes aconteciam no meio-campo do Benfica deixaram subitamente de existir, a defesa deixou de ser batida amiúde e até os lances de bola parada defensivos que constituam um terrível pesadelo deram lugar à eficácia. Depois de tantos e tantos jogos consecutivos a sofrer golos, esse handicap foi finalmente estancado e no fim da 22.ª jornada já é a defesa menos batida do campeonato.

4. Não há milagres. Tal deve-se basicamente ao trabalho de todos na eliminação das lacunas preocupantes que existiam. Um dos principais problemas detectado na equipa do Benfica era o de que praticava um futebol atacante espectacular mas em contrapartida era algo permeável na hora de defender e isso notava-se particularmente quando o seu opositor tinha um estatuto mais marcante. Isso custou-lhe vários dissabores que naturalmente não foram bem digeridos pelos adeptos.

5. Quem viu a equipa tristonha da pré-época e no terço subsequente e resolve entrar na complexidade das comparações, não reconheceria os jogadores na actualidade que afinal são os mesmos. De um plantel demasiado extenso, cheio de lacunas e desequilibrado, passou-se para o melhor do país a alguma distância dos seus opositores mais directos em especial o FC Porto. De jogadores desgarrados, sem chama passou a haver atletas confiantes e solidários em todas as zonas do terreno. Não restam dúvidas que o Benfica mudou para melhor e neste momento está bem lançado nas várias provas e em particular no campeonato onde disfruta de um avanço nunca alcançado nos últimos tempos.

6. Os adversários (no sentido genérico do termo), já perceberam que desta vez não é crível poderem esperar as habituais fatalidades de final de época. O nosso vizinho que no início de época almejava apenas chegar a um lugar europeu, de repente, por indiscutível mérito próprio e por deslizes do Benfica e do FC Porto viu-se catapultado para um lugar que nunca imaginou nos seus melhores sonhos e como em tudo na vida, embora sem nunca o assumir publicamente, começou a germinar no seu imaginário a ideia de poder ser campeão. Aconteceu porém que nesta última fase da época com o desgaste provocado por um plantel curto (ainda que descansado da Europa), a equipa leonina decresceu a sua produção em contraponto com a subida do Benfica.

7. É notório que apesar desse abaixamento o Sporting tem tido prejuízos com a arbitragem que lhe tem sonegado alguns pontos. Não os 7 propagandeados por Bruno de Carvalho e respectivo coro, mas ainda assim os suficientes para estar mais perto do Benfica ainda que sem fazer perigar a sua posição de comandante isolado. Como sempre acontece, os dirigentes (neste caso do Sporting) com as suas abundantes extensões nos media têm sempre um problema com a contabilidade: esquecem-se invariavelmente do deve pois só referem os prejuízos nunca os benefícios…

8. E isso, contando com a solidariedade de todos os anti-benfiquistas e dos mais desatentos, vai ampliando as tentativas de desvalorização do mérito encarnado, isto apesar de não se saber como irá terminar a época e a classificação final. Daí que a concretizar-se uma eventual vitória do Benfica se torne necessário que a mesma seja categórica e inequívoca não deixando lugar a quaisquer dúvidas ou equívocos, como aliás está a acontecer. Porque se tal não suceder, iremos continuar a ouvir o rambório tão intensamente repetido desde 2005 com o golo irregular de Luisão. E o curioso é que o mais fiel intérprete dessa tese estafúrdia – Eduardo Barroso –, depois de a ter referido tantas vezes já a interiorizou…




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