Ponto Vermelho
Mais uma etapa
18 de Março de 2014
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Era consensual que a jornada 23.ª poderia ter efeitos importantíssimos no topo da classificação; manutenção, alargamento ou redução da diferença quanto ao 1.º lugar, podendo o cenário para o 2.º atingir um panorama algo diverso com a possibilidade do Sporting alargar o fosso para o FC Porto ou este vir a ultrapassar os leões. Em jeito de balanço poder-se-á dizer que no primeiro caso tudo terá, aparentemente, ficado na mesma (ainda que com mais uma jornada decorrida) e que no segundo houve uma clarificação assinalável na disputa pelo 2.º lugar, o tal que dá acesso directo à tão desejada Liga dos Campeões.

Em Alvalade disputava-se o jogo da jornada que poderia vir a ser determinante em vários aspectos dado que também estava interligado com o jogo da Madeira em que participava o Benfica e que se disputava no dia seguinte. Além de que a recente rivalidade e animosidade que derivaram da alteração das relações entre os dois clubes desde que Bruno de Carvalho subiu ao poder, fazia prever um ambiente diferente nas bancadas e nos camarotes. Para compôr o ramalhete não faltaram mesmo algumas manifestações de indignação pelas arbitragens apadrinhadas por alguns nomes conhecidos do universo leonino.

No jogo propriamente dito não faltaram motivos de interesse. Desde logo pela rábula da substituição do árbitro inicialmente indigitado que não pôde emprestar o seu contributo ao espectáculo por se ter lesionado, sendo substituído pelo árbitro dos árbitros que passou de segunda a primeira escolha. Critérios e decisões altamente discutíveis da Comissão de Nomeações do CA, que mais não fez do que adensar o nevoeiro que ficou a pairar sobre o Estádio de Alvalade. Uma nomeação que numa primeira fase deve ter agradado ao FC Porto dado que o árbitro em questão funciona como talismã dos portistas pois, entre outros lapsos menores, contribuiu com as suas decisões para, pelo menos, que os portistas vencessem dois campeonatos. Desta vez sucedeu o contrário.

Será que desta vez Pinto da Costa, a exemplo do que fez, por muito menos, com Artur Soares Dias na Luz, vai também publicamente pedir o afastamento de Proença por incompetência? Ficamos a aguardar. Aparte estas habituais nuances para entreter a populaça com particular destaque para a indignada nação leonina, o jogo esteve muito aquém do que seria expectável, muito por culpa dos azuis e brancos que com um plantel demasiado curto para as exigências programáticas de uma época complicada, foi forçado a apresentar-se com o onze que jogou com o Nápoles na 5.ª feira, e isso acabou por ter forte influência na 2.ª parte com alguns jogadores portistas a denotarem um natural cansaço que ajudou e muito o Sporting a chegar a uma vitória com favores arbitrais.

Com o resultado verificado, em termos concretos, aconteceu que o Sporting de forma algo inesperada ganhou uma importante vantagem sobre o FC Porto no tocante à luta pelo acesso à Champions, ao mesmo tempo que afastou de forma quase irremediável os portistas da possibilidade de virem a renovar o título de campeão, tendo em consideração que com a vitória do Benfica na Madeira não é crível, apesar de todos síndromas de fim de época, que os encarnados venham a perder vantagem tão dilatada. Não desta vez onde todos os indícios apontam para um final de campeonato com a tranquilidade resultante de uma caminhada firme, segura e sem fantasmas.

Depois das peripécias da véspera, era na Choupana que estavam concentradas todas as expectativas; dos benfiquistas que acreditavam em mais uma vitória; dos seus adversários que estavam esperançados que o Nacional conseguisse travar os encarnados. Não faltaram mesmo as manobras de intimidação ao juíz da partida com atitudes reveladoras da bagunça que grassa actualmente neste país que, por via disso, não deixava de entrar em campo algo pressionado dado que é impossível a qualquer ser humano desligar-se por completo de tão deploráveis incidências que o afectaram pessoalmente.

Entrou bem o Nacional e logo aos 6 m Manuel Mota fez questão de desmentir o benfiquismo de que tem sido acusado ao assinalar um penalty no mínimo duvidoso. Velha questão que nunca mais se resolve e que de vez em quando causa atritos. Que só ficaram por aí porque o Benfica ganhou folgadamente. Mas será assim tão complicado às sumidades que dirigem a arbitragem uniformizar critérios para evitar decisões díspares sobre o mesmo tipo de lances? Idêntica situação se aplica no empurrão de Marçal a Rodrigo. Somos capazes até de entender que, na circunstância, o árbitro quis fazer pedagogia em vez de cumprir a lei. Mas como compreender que no dia anterior o encontrão de Fernando tenha merecido um cartão vermelho directo? Como querem então que não hajam polémicas sistemáticas? Ou será propositado? Quanto ao jogo, vitória indiscutível do Benfica que assim deu mais um passo importante rumo ao título.






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