Ponto Vermelho
Arraial
19 de Março de 2014
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1. À medida que a época avança e a definição de posições começa a ganhar forma, sucedem-se os casos que não são mais do que o espelho fiel daquilo que o Futebol português tem sido nos últimos 30 anos – sem rei nem roque, sem ideias para sair da crise e com uma liderança espúria que tem sabido tratar da sua vidinha. Nesta última fase temos uma Liga esvaziada de poderes e com o seu Presidente da Direcção cada vez mais fragilizado, para além da Federação com um Presidente low profile que não tem tido capacidade de atacar de frente os problemas estruturais do nosso futebol. O poder acessório está assim esboroado e ao sabor de marés, com argumentistas e realizadores de segundo plano que já demonstraram à saciedade que não conseguem olhar senão para o seu umbigo. Surpresa seria se fosse diferente.

2. Na projecção de cada época alguns adeptos vivem ingenuamente na esperança de que desta vez será diferente. Mas como se os protagonistas são os mesmos? Por isso, é certo e sabido que mais tarde ou mais cedo e com especial incidência na derradeira fase da temporada, as hostes agitam-se à medida que alegados prejuízos começam a fazer perigar a contabilidade dos supostos atingidos, ainda que aqui se verifique alguma evolução pois a estrutura pintista que ironizava com as indignações dos outros acabou, mesmo na dúvida, por aderir às queixinhas. Sem dúvida um facto novo. Porque se habituou ao longo dos anos a que a sua balança arbitral tivesse acentuados superávits. em contrapartida aos déficits alheios…

3. Nesta temporada tivémos a chegada à boca de cena de um novo protagonista. Cansado de ver o Sporting a servir de capacho do FC Porto apenas e só porque interessava a este manter uma única frente de batalha com o inimigo Benfica, Bruno de Carvalho delineou uma estratégia que passava por devolver ao Sporting a sua dignidade plena e a faculdade de ser senhor do seu próprio destino. De forma independente. Uma atitude arrojada dada a periclitante situação económica, financeira e desportiva, a que se juntava a não menos importante recuperação psicológica do universo leonino que há muito vivia em depressão e que era necessário revitalizar para dar ânimo à difícil tarefa que tinha pela frente.

4. Não tardou muito a perceber a complexidade do desalinhamento uma vez que com o passo dado pelo Presidente do Sporting, o FC Porto passou a experimentar uma experiência única em que pela primeira vez em muitos anos não tinha um dos grandes da capital como seu aliado incondicional na guerra contra o outro. Era cada um por si, muito embora a sua guarda avançada tenha entrado em acção de imediato fazendo constar que a atitude de Bruno de Carvalho não era mais nem menos do que o prenúncio de uma futura aliança com o Benfica. Mera acção de propaganda rapidamente desmentida pelas estratégias empreendidas pelo presidente leonino e que assumiram particular clareza nos últimos tempos.

5. Não é de hoje nem de ontem que os clubes terão percebido que existem vitais pontos de convergência. Em primeiro lugar para a sua sobrevivência e depois para a sua melhoria e crescimento. A forte crise plural dos tempos actuais que se prevê venha a continuar e a prolongar por um horizonte alargado, está aí e não se compadece com guerrinhas folclóricas sobre matérias sem dúvida importantes mas que terão que ser enquadradas num leque mais alargado. O problema é que o poder através de alguns clubes está habituado a ditar as regras que mais lhe convem, e esse facto colide frontalmente com aquilo que deveria ser uma ampla discussão democrática sobre todos os assuntos com a consensualização de benefícios alargados. Não cremos que seja todavia possível concretizar enquanto perdurar este Sistema espúrio e enquanto à frente dos destinos do FC Porto estiver quem está.

6. Para que se tenha chegado a este ponto, é óbvio que quer por acção quer por omissão há um amplo leque de culpados. E a imprensa, ou parte dela, vai dando regularmente notícia do que vai acontecendo no mundo do futebol nos moldes a que já nos habituou, sendo que ela própria tem um papel fundamental na formação da opinião sobre este ou aquele tema ou sobre esta ou aquela pessoa. Especula, distorce, manipula e isso, tem efeitos perniciosos na grande maioria dos adeptos que não tem acesso às fontes de informação. Os exemplos são recorrentes e quem olhasse hoje para a primeira página da réplica desportiva do pasquim mais lido em Portugal entenderia até que ponto não interessa que haja paz e concórdia no futeboluso. Afinal há que defender interesses…








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