Ponto Vermelho
Pontos de equação
21 de Março de 2014
Partilhar no Facebook

Aparte aqueles que por norma gozam de um optimismo inveterado, a 2.ª mão dos oitavos-de-final que opunha o Benfica ao Tottenham apesar do resultado amplamente favorável obtido no 1.º jogo em Londres, requeria muita atenção e concentração por um conjunto de variáveis que sem serem preocupantes deixavam antever dificuldades. Porque a imagem transmitida pelo Tottenham em sua casa não correspondeu de nenhum modo à verdade dado que o potencial da equipa londrina é bastante superior. Simplesmente não o pôde expressar devido a uma exibição extraordinariamente eficaz do Benfica que dominou em toda a linha. De princípio a fim.

Tendo em conta esse conjunto de factores, o jogo de ontem na Luz apresentava características muito diversas, sendo que o principal atractivo, a despeito dos ingleses se terem apresentado desfalcados, era o de avaliar até que ponto o Tottenham estava em condições de desfazer a má imagem que tinha dado aos seus apaniguados e até onde poderia ir na discussão do resultado – primeiro –, e quiçá da eliminatória se porventura os ventos começassem a correr favoravelmente às suas cores, perante um Benfica que a exemplo da prática que vem seguindo, optou por proceder a algumas alterações no seu xadrez.

De facto, com uma sequência anormal de jogos em que o tempo de recuperação é escasso face à acumulação nesta fase já tão adiantada da época, os encarnados têm feito com sucesso a rotação de alguns dos seus elementos atendendo a que o tempo de recuperação de cada jogador poderá não ser exactamente o mesmo e isso obriga a ajustamentos que o treinador como profundo conhecedor da equipa tem vindo a proceder. Tudo tem corrido bem até agora, mas é importante levar em linha de conta que tal tem sido possível em certos casos por o nível dos adversários o ter permitido. Acontece que à medida que as provas vão avançando a categoria dos adversários vai subindo e aí é preciso jogar com os mais rotinados para evitar dissabores. O Tottenham foi um bom exemplo na Luz…

Porque desde logo permitiu avaliar o Benfica numa fase crucial das várias provas em que tem ambições legítimas, enfatizando um dilema que passará pela cabeça do treinador que não deverá ser pequeno e fácil de resolver. Como ele ainda ontem o disse após o desafio, é preciso correr riscos, nalguns casos perigosos dizemos nós, mas convenhamos que qualquer que seja a decisão em cada caso, a mesma é sempre discutível tendo em conta que em cada adepto sua sentença. Apesar do panorama se apresentar favorável no que toca às contas do campeonato, não há dúvida de que tratando-se do objectivo prioritário a equipa do Benfica deverá manter aí o seu principal foco. Porque qualquer deslize nas jornadas mais próximas reeditaria velhos fantasmas que quererá de todo evitar.

Para que isso não aconteça terão que jogar os atletas que mais assiduamente têm dado o seu contributo à equipa, com rotatividade na Europa e nas outras provas internas. Sucede porém que o Benfica atingiu pela 5.ª vez consecutiva os quartos de final de uma prova europeia que dá prestígio… e dinheiro. Para além de potenciar jogadores na montra para futuros negócios que continuam a ser vitais para o equilíbrio das contas do clube. Pelo que o ideal seria, a par do campeonato, manter também o foco na Liga Europa. Mas apesar de possuir esta temporada um plantel indiscutivelmente mais homogéneo e mais capaz, será que o Benfica, a exemplo de outras equipas por essa Europa fora está em condições de poder assegurar essas coordenadas em simultâneo? É a grande questão.

Numa visão apressada e se entrarmos no campo sempre difícil das comparações, poderíamos especular que isso é possível. Porque se na última época com um plantel inferior no binómio quantidade-qualidade a equipa conseguiu ir bem longe, porque razão não haveria de ir agora com muito mais armas à disposição? Não deixa de ser uma situação complexa e de análise complexa dado que se o futebol fosse uma ciência fácil e exacta, uma coisa que não faltaria no Mundo seria treinadores… O final da época passada continua a marcar muita gente e dar azo a muitas hesitações.

Nesse contexto assaz difícil quem melhor sabe é quem está dentro do convento. A passagem aos quartos de final da Liga Europa já deu algumas indicações no último quarto-de-hora de ontem. E sem tempo para a digerir temos já no Domingo um novo e importante desafio para a prova considerada prioritária. O descanso é o que é e isso pode ser um factor a pesar no rendimento dos jogadores e da equipa, sobretudo se a decisão se arrastar para além do tido como razoável. Essa será a aposta do adversário. Mas perante toda essa complexidade importa não deixar de acreditar que desta vez será diferente. Mesmo com todas as situações inesperadas que o futebol arrasta consigo!






Bookmark and Share