Ponto Vermelho
Projecções positivas
22 de Março de 2014
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O Futebol português viu com satisfação as suas duas mais representativas equipas actuais apurarem-se para os quartos-de-final da Liga Europa. Nada que possa surpreender se atendermos ao seu passado recente em que por exemplo o Benfica atingiu essa fase das provas europeias nos últimos 5 anos, tantos como dura o consulado de Jorge Jesus. Logo não foi propriamente uma surpresa a despeito de a segunda prova da Europa albergar cada vez mais equipas cotadas na bolsa europeia. Então se quisermos ir pela evocação dos orçamentos que determinados agentes do futebol gostam de citar quando lhes dá jeito, diríamos que não sendo um feito extraordinário é ainda assim um facto de assinalar dada a desproporção de possibilidades. Teóricas como se observa.

Leituras várias podem ser extraídas a partir dos resultados obtidos e das últimas exibições protagonizadas, sendo que a maior percentagem dos louros deve ser atribuída aos portistas, por terem um resultado escasso para defender e por terem jogado fora num ambiente deveras adverso. Por sua vez o Benfica que tinha uma tarefa aparentemente mais fácil acabou por sofrer a bom sofrer o que provou, mais uma vez, que pousar antecipadamente as armas pode causar dissabores se porventura do outro lado estiver uma equipa que tenha o mérito de acreditar que até ao apito final do árbitro existe sempre a possibilidade de virar resultados negativos e até eliminatórias. Algumas lições do passado recente parecem ainda não terem sido aprendidas…

Assinale-se o dever cumprido perante adversários com outro poderio orçamental e com jogadores de gabarito mas que como equipas foram inferiores aos nossos representantes no conjunto da eliminatória. Concluído o apuramento e ainda que possam ser retidos alguns dados importantes, passou logo a ser tempo de olhar em frente para o que vem a seguir. Porque o futebol não pára e os êxitos de ontem, por si só e ainda que ajudem, não fazem as vitórias de amanhã. E como elas são tão necessárias para manter a moral em alta e alcançar objectivos traçados nos primórdios da época desportiva, uma sina afinal de todas as equipas de gabarito que lutam permanentemente por vitórias.

Não se pode escamotear que para tudo é necessário uma pitada de sorte, como aliás sucedeu com o FC Porto de André Villas Boas na sua época dourada com todos os deuses a concorreram para o mesmo fim. Veremos o que acontece esta temporada no alinhamento das coordenadas. Para já o sorteio dos quartos-de-final foi benemérito para os dois clubes porquanto viram calhar-lhes em sorte duas equipas que estão perfeitamente ao seu alcance, como aliás, sem qualquer espécie de delírio nacionalista, estariam todas as outras ainda em prova incluíndo a teoricamente mais forte Juventus.

Este novo cenário optimista tem todas as hipóteses de ser concretizado, mas o excesso de optimismo que já se nota em alguns sectores a começar pelas opiniões de alguns plumitivos pode causar alguns problemas porque rapidamente se propaga aos adeptos e por extensão às próprias equipas. E os adversários ainda que não muito bem classificados nos campeonatos dos respectivos países onde ocupam curiosamente o mesmo lugar – o 7.º –, têm vindo a ter uma boa prestação em termos europeus (por alguma razão continuam ainda em prova), e isso deve servir como alerta para todos aqueles que já raciocinam como sendo favas contadas. A não existência de valores sonantes que desequilibram, pode ser contrabalançada por um espírito de equipa que acaba por prevalecer na alturas das decisões. E isso pode trazer alguns perigos.

Mas não há como negar que a escolha das bolinhas foi positiva e, a despeito da imprevisibilidade do futebol, salvo qualquer imponderável oferece bastas possibilidades de ambos os clubes serem apurados para as meias-finais. É legítimo sonhar com uma final portuguesa porque daí resultariam pontos e um acréscimo de prestígio para o nosso futebol que dele está tão precisado para minorar os efeitos dos sucessivos dos abalos telúricos que estão sempre a acontecer nos bastidores onde continua a vigorar a lei da rolha. Mas para que isso possa acontecer, qualquer manifestação de euforia deve ser castrada à partida para que não tenhamos que enfrentar qualquer surpresa desagradável. Isso tem maior tendência para acontecer sempre que se está algum tempo sem ganhar, pelo que face aos maus exemplos de ontem, importa ter os pés bens assentes no chão. E de preferência até ao apito final…








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