Ponto Vermelho
Clássico de expectativas
25 de Março de 2014
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O primeiro clássico desta época a disputar no Estádio do Dragão a envolver as duas mais marcantes equipas portuguesas dos últimos anos é, desta vez, disputado num contexto bastante diferente dos anteriores. Para além de não dizer respeito à principal prova do calendário português, a equipa do FC Porto tem atravessado uma época deveras irregular com a novidade de ter havido uma chicotada psicológica, situação que não faz parte da tradição dos portistas e já não acontecia há um ror de anos para aqueles lados. E ainda com a particularidade de um Sporting renascido se ter atravessado no caminho do FC Porto em termos desportivos no campeonato e, como se isso não bastasse, com uma alteração radical na política de relações pessoais e institucionais que vinha mantendo com o grémio azul e branco há mais de uma década.

Seja como for clássico é sempre clássico, e apesar das diferenças registadas não será por isso que deixará de ter condições para se continuar a perfilar um cenário de rivalidade incontornável, até porque nesta ocasião não estão em causa pontos mas sim golos que permitam às equipas encarar a 2.ª mão da Taça de Portugal na Luz no próximo dia 16 de Abril com a maior tranquilidade possível. Poderá, por isso, ser disputado numa outra perspectiva e ser mesmo um jogo com um figurino táctico diferente do habitual, justamente porque, a menos que venha a acontecer um resultado desnivelado para qualquer das equipas (o que não está de todo nas previsões), todas as expectativas se manterão vivas para o segundo jogo que vai decidir o apuramento definitivo de uma das equipas.

Não faltam contudo motivos de interesse, ainda que qualquer das equipas se vá apresentar no meio de uma sobrecarga de jogos para as diferentes provas que poderá vir a fazer mossa em alguns jogadores em termos físicos, embora a intensidade e expectativa destes clássicos provoque sempre uma motivação acrescida nos jogadores e tenda a sobrelevar esse possível handicap. Segundo as conclusões dos diversos analistas da coisa desportiva, o plantel do FC Porto apresenta um défice qualitativo comparativamente a anos anteriores. E como é da praxe sempre que a época não decorre conforme o planeado, existe sempre a tendência de considerar que os jogadores que foram transferidos no defeso não foram convenientemente substituídos. Aconteceu assim com João Moutinho e James Rodriguez no FC Porto, como já tinha acontecido com Ramires, Di Maria e David Luiz no Benfica. É natural que tenham causado alguma perturbação não só pelos seus atributos técnicos mas também porque com a sua saída quebraram-se rotinas importantes que demoraram a ser consolidadas.

Acresce que, estando o FC Porto a correr atrás do prejuízo no campeonato e ao ver seriamente em risco a sua entrada directa na Liga dos Campeões da próxima época, não tem tido outra alternativa senão apresentar os mesmos jogadores também na Liga Europa onde aposta igualmente as fichas como alternativa para salvar uma época tida como anormal para as suas cores. Logo, numa análise simplista dir-se-ia que o Benfica estaria em vantagem pelo facto de ter um plantel mais alargado e diferente para melhor. Afigura-se-nos que se trata de facto de uma vantagem no campo teórico mas que poderá não ter correspondência prática. Por um conjunto de razões nem sempre racionais, porque os índices de motivação crescem exponencialmente nestes jogos, porque três dos seus jogadores mais influentes não jogaram no Domingo e apresentar-se-ão mais frescos e, por último, porque actuam no seu anfiteatro perante os seus adeptos.

Tendo em conta esse conjunto de coordenadas, o jogo de amanhã poderá vir a ser um encontro renhido e bem disputado e até num ambiente bem menos tenso do que habitualmente acontece o que é sempre de saudar, numa altura em que existem grandes tensões sem que as instâncias competentes, como aliás lhes é habitual, intervenham para as fazer esfriar dado que assim não vamos a lado nenhum. Olhemos pois para o clássico como um bom ponto de partida e oportunidade para se assistir a um excelente jogo de futebol entre duas das melhores equipas nacionais, independententemente da forma ou das contingências porque têm passado esta época. E naturalmente desejar que o Benfica aparte fazer muitas, poucas ou nenhumas alterações esteja à altura dos pergaminhos e consiga realizar uma excelente partida e um resultado a condizer, prestigiando mais uma vez o emblema para satisfação da sua legião de seguidores.










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