Ponto Vermelho
Ángulos positivos de mais um clássico
26 de Março de 2014
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1. Habituados que estamos a que a temperatura antes, durante e depois dos clássicos entre o FC Porto e o Benfica suba até patamares inacreditáveis o que em nada dignifica o futebol português, é de registar que desta vez e até ao momento, exista a normalidade que costuma anteceder um jogo de futebol desta projecção. Tem havido tentativas desgarradas aqui e ali de introduzir factores polémicos que conduzam ao aquecimento dos ânimos, mas cujo objectivo tem saído gorado. Esperemos que assim continue para bem do futebol e da imagem que a grande maioria dos adeptos quer e deseja que ele transmita.

2. Alguns cuja perspectiva de um jogo desta dimensão poder vir a decorrer com normalidade os aflige, têm tentado avançar considerações para este estado de tranquilidade depois de todos terem assistido às incidências condenáveis que se têm registado em todos os anteriores clássicos quer nas Antas quer no Dragão e em que os portistas têm invariavelmente aberto as hostilidades; que tal se deve ao facto do FC Porto estar a realizar uma época deprimente e a defraudar os seus adeptos, por Pinto da Costa ter perdido o rótulo de infalível na escolha do treinador, por terem sido ultrapassados pelo Sporting e, finalmente, por estarem a uns impensáveis 12 pontos do 1.º classificado, precisamente o seu arqui-rival mais detestado.

3. É evidente que tudo isso terá o seu peso específico mas quer-nos parecer que não explica este ambiente de acalmia, até porque não estamos a falar do campeonato que parece decidido para o FC Porto uma vez que quando estão em disputa 18 pontos só um milagre faria os azuis e brancos recuperarem 17 tantos os que distam de Benfica e do agora definitivamente insider Sporting. Está-se a falar da Taça de Portugal e do Jamor uma meta que pela festa que proporciona aos clubes finalistas e aos seus adeptos, o FC Porto está em pé de igualdade com o Benfica disputando hoje a 1.ª mão da eliminatória que na temporada de 2010/2011 classificou os portistas de forma algo inesperada em plena Luz (depois do resultado desfavorável do 1.º jogo do Dragão).

4. Quando os principais dirigentes se abstêm de produzir declarações polémicas ou primam mesmo pelo silêncio público (embora Pinto da Costa quando está na mó de baixo seja por norma mais comedido), esse procedimento funciona como poderoso efeito dissuasor entre os adeptos mais radicais e isso reflecte-se no ambiente que fica desde logo mais desanuviado. Também é de assinalar o papel de outros agentes nomeadamente os treinadores que se abstiveram de fazer conferências de antevisão sobre o jogo e onde inevitavelmente surgiriam as tais perguntas incendiárias que podiam dar azo a aproveitamentos. Falaram apenas para os canais de TV dos respectivos clubes e, do nosso ponto de vista, fizeram bem.

5. Aliás, é justo que se realce o efeito comunicador até ao presente momento do actual treinador do FC Porto que, sendo para mais um homem da casa, tem revelado uma postura que não seria de todo previsível se tivermos em conta o papel na comunicação com o exterior que está sempre reservado ao treinador portista clássico que normalmente sofre uma metamorfose mal se senta na cadeira de sonho. E ao referir-se ao seu homólogo benfiquista como o Jorge, tal revela uma personalidade autónoma que não estávamos habituados a observar nos seus antecessores no cargo (sobretudo nacionais), com excepção de José Mourinho. Esperamos que seja para continuar.

6. Neste exacto momento ninguém ganhou ou perdeu fosse o que fosse. Se no campeonato tudo aponta para que haja decisão antecipada favorável ao Benfica, em todas as outras 3 provas (será que vamos ter decisão sobre a Taça da Liga esta época?) o FC Porto alimenta o desejo de emendar a mão tentando superiorizar-se aos encarnados, dado que até mesmo na Liga Europa, caso ambos passem a próxima eliminatória, poderá haver novo confronto, seja nas meias-finais seja na final. Poderá vir a ser um fartote de clássicos com desfechos imprevisíveis, mas caso o vencedor seja abrangente, o vencido tenderá a ficar depauperado e com ele os seus adeptos. Está por isso muito em jogo em termos de época, cabendo ao Benfica pela dinâmica que entretanto foi criando afirmar-se em absoluto para refazer de vez a imagem de final da época anterior, competindo ao FC Porto contrariar essa tendência. Promete…








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