Ponto Vermelho
Opções...
27 de Março de 2014
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Está por demais comprovado de que o título nacional é uma obessão da nação encarnada e uma opção tomada pela estrutura. A isso não será alheia a seca última de vitórias no campeonato que causa nostalgia e estranheza aos que estavam habituados à sistemática conquista de títulos, e um desejo repetido no início de todas as épocas daqueles que têm vivido a sua emancipação desportiva circunscritos a meras conquistas fugazes que logo se esvaem na voragem do tempo. Ultrapassada a fase mais pessimista transportada de finais da temporada passada que se prolongou até ao primeiro terço da presente, a embalagem que o Benfica ganhou tem sido de molde a criar expectativas elevadas nos adeptos que sem esquecerem o passado, querem entusiasmar-se com o presente e rejubilar com o futuro que está já ali ao virar da esquina.

Se até meio da primeira parte da presente temporada fosse questionado o universo benfiquista, seria constatado o profundo pessimismo existente e, se lhe fosse oferecida apenas a hipótese de conquista do campeonato não haveria qualquer hesitação, sendo todas as outras provas independentemente da sua natureza e prestígio, relegadas para segundo plano. A evolução positiva da equipa e os resultados posteriormente alcançados que consumaram um avanço muito importante para o título mais desejado ainda que sem abrandar o foco acerca desse objectivo, começou de alguma forma a desviar atenções para outras provas, passando a ser considerado que devido ao plantel estar dotado de recursos de qualidade, o Benfica deveria de igual modo lutar nas outras frentes. É assim o ser humano e a paixão do adepto cuja ambição vai evoluindo à medida que novas possibilidades se abrem no seu caminho.

Não cremos, todavia, que a nova conjuntura possa ser encarada de ânimo leve com as ambições dos adeptos a atingirem o clímax. Uma coisa é o desejo e a ambição que são legítimos, e outra completamente diferente é existirem condições objectivas para serem assumidos objectivos em termos práticos e conscientes. Face à evolução dos acontecimentos que colocou o Benfica perante a possibilidade de poder ganhar várias provas, talvez seja bom recordar quais eram as perspectivas há um ano por esta altura. Sabe-se o que aconteceu, mas ainda que devamos recolher lições e ensinamentos do ocorrido, percebemos que não devemos ficar prisioneiros de um passado que é imutável mas que se bem assimilado, pode constituir um ponto de partida decisivo para novos cometimentos que honrem a gloriosa tradição encarnada.

Contudo, é imprescindível que saibamos avaliar o presente sem ambições desmedidas mas também sem pessimismos exagerados. Está fora de causa que por tradição o Benfica deve lutar pela vitória em todas as provas que disputa, mas na hierarquização de prioridades o campeonato deve continuar como foco principal enquanto não estiver definitivamente resolvido. E ainda que bem encaminhado, falta a confirmação e essa tem que ser procurada com afã com a consciência plena de que temos que fazer a nossa parte e não estar à espera de eventuais deslizes dos outros. Essa é a questão fulcral de que não nos devemos desviar um milímetro porque a acontecer prejuízo, seria inimaginável e de consequências imprevisíveis para toda a nação encarnada. E não queremos voltar a passar por esse pesadelo.

É à luz deste raciocínio que avaliamos o jogo de ontem no Dragão e que terminou com a vitória merecida do FC Porto. Como sempre acontece quando se perde, as opções tomadas são questionadas. Sem pretendermos particularizar, a realidade que observámos foi a de que, chegados a esta altura das várias competições e contra adversários de nível mais elevado, o Benfica se quiser ter pretensões a conseguir resultados, terá que apresentar o seu onze mais rotinado. Sem 6 dos habituais titulares e aparte as prestações dos substitutos, a fluidez do jogo encarnado e a capacidade de resposta não é a mesma. O que sendo natural, acaba por ser justificada pelos objectivos.

Há também que levar em linha de conta que o FC Porto abordou o encontro sob uma perspectiva diferente. Depois do arsenal de críticas que se tem abatido sobre a equipa e de ter hipotecado as possibilidades quiçá até da entrada directa na Champions, a aposta recai naturalmente sobre as outras provas sendo que o Benfica, pelas razões conhecidas, era o adversário ideal e mais apetecível. Com todos os titulares e com três dos mais influentes mais folgados, os portistas fizeram o impossível por sair por cima da contenda. A questão que se coloca é até que ponto o enorme esforço dispendido não terá consequências na Madeira. Mas isso, naturalmente, poderá ser ampliado ou mitigado em função do resultado de Braga…








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