Ponto Vermelho
Mais um passo…
31 de Março de 2014
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Braga assumia-se, com razão, como um ponto fulcral no desbravar do caminho encarnado para o título. À partida o Benfica dispunha de excelentes condições para ultrapassar com êxito mais este difícil obstáculo, pois para além de ter mais e melhores elementos, estava em pé de igualdade em termos de descanso e recuperação com os bracarenses, dispunha da vantagem de ter poupado alguns elementos-chave na partida de 4.ª feira contra os portistas, beneficiava do facto do SC Braga ter vários jogadores lesionados e, não menos importante, estava moralizado com a perspectiva do título ficar mais próximo. Como situações desfavoráveis assinalavam-se as dificuldades que tem vindo a encontrar nas derradeiras temporadas a juntar ao ambiente adverso que tem aumentado nos últimos anos com o crescimento desportivo dos bracarenses.

Desde o início se percebeu que este último ponto estava desde logo resolvido. Os benfiquistas do norte e em particular os minhotos, compareceram em massa transmitindo um sinal à equipa que acreditavam piamente no seu desempenho e na conquista dos três pontos, em contraponto com os adeptos e simpatizantes bracarenses que, provavelmente desiludidos com a trajectória que a equipa vem registando esta época e porventura não acreditando, não terão comparecido como é habitual. Também neste aspecto de extraordinária relevância a equipa encarnada tinha mais um dado a seu favor. Faltava apenas que os artistas subissem ao palco e materializassem em ascendente exibicional com tradução no resultado as perspectivas favoráveis que se foram acumulando.

Nos primeiros 20 minutos tudo se conjugava para que os encarnados pudessem construir um resultado que os colocasse a salvo de qualquer percalço e realizar uma exibição tranquila. Entrando pressionantes e com a envolvência que se conhece, cedo poderiam ter aberto o marcador depois de Nico Gaitán ter sido isolado por um soberbo passe do ontem Pérez e ultrapassado o guarda-redes Eduardo. A confirmação dessa entrada assertiva haveria de chegar pouco depois através de Lima que com um remate de primeira correspondeu a um excelente passe de Rodrigo, ele próprio a rubricar uma magnífica jogada pelo lado esquerdo do ataque. Estava feito o mais difícil e pensou-se que a partir daí o encontro estaria desbloqueado. Acabou por estar mas com algumas nuances pelo meio que devem fazer reflectir.

A partir da primeira vintena de minutos o sinal do jogo mudou. O SC Braga juntou mais as suas linhas, reduziu espaços e por via disso tornou-se mais pressionante. Estranhamente, o Benfica tornou-se mais lento e previsível, a errar passes sucessivos e a perder sistematicamente as segundas bolas, o que deu azo a que os bracarenses se pudessem acercar mais da baliza de Oblak. É verdade que o acerto defensivo encarnado não permitiu grandes veleidades ao seu oponente que apenas criou perigo através de um lance de canto por via de um desentendimento entre o guarda-redes e o capitão. Mas quando o resultado dos jogos se situa apenas na vantagem mínima, há sempre o risco inerente de poder sofrer um golo a qualquer momento. Para além de manter moralizado o adversário que sente que pode lá chegar.

De fora, não fazemos a mínima ideia os motivos para que tal tenha acontecido. Se por estratégia, se por incapacidade própria, se por mérito da equipa adversária, se em poupança para 5.ª feira, ou se por um misto de tudo. Diga-se contudo que a 2.ª parte foi diferente. O Benfica melhorou na abordagem e passou a controlar melhor o jogo no meio-campo adversário e não abrindo espaços que permitissem ao SC Braga criar perigo. Mas, como é evidente, o resultado mantinha-se vivo, os jogadores encarnados demasiado parcimoniosos na altura do remate, algumas boas intervenções de Eduardo e a possibilidade sempre real de num lance isolado o empate pudesse acontecer. A simpatia encarnada acabou por ser de tal ordem que até um penalty não foi concretizado o que, como sabemos, acontece a qualquer um. Aconteceu a Rodrigo como poderia ter sucedido a Lima.

Em concreto o que vimos num jogo de capital importância para o futuro desportivo imediato do Benfica, foi a equipa na sua versão económica, demasiado calculista e confiante, em que após marcar um golo confiou de que conseguiria manter a baliza inviolada. O resultado final acaba por isso por dar razão a Jorge Jesus e aos jogadores e dentro em breve ninguém se lembrará. Afinal o que regista a História senão resultados? Mas o velho ditado de que tantas vezes o cântaro vai à fonte… merece ser lembrado justamente no momento em que se aproxima o tempo das grandes decisões contra equipas de maior potencial. Antes que aconteça qualquer surpresa desagradável.








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