Ponto Vermelho
Justiça desportiva do nosso descontentamento
3 de Abril de 2014
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1. Não causou a mínima surpresa a decisão agora tomada pelo Conselho de Justiça (CJ) da FPF ao recurso apresentado pelo Sporting relativamente à decisão do Conselho de Disciplina sobre as alegadas irregularidades na Taça da Liga. Surpresa aconteceria, isso sim, se por acaso ela tivesse seguido outro caminho diferente. Desde quando é que o FC Porto é derrotado na secretaria? Lembram-se por acaso quando o último desaire aconteceu? Ora aí está meus senhores! Estamos em Portugal e embora já à distância de 40 anos da ‘Revolução dos Cravos’, torna-se claro que o 25 de Abril ainda não chegou à justiça desportiva. Aliás, a todas as justiças!

2. Da decisão do CJ podem-se deduzir três conclusões: a) O FC Porto tem sempre razão; b) O Departamento Jurídico dos portistas tem o dom da infalibilidade; ou, c) As decisões dos órgãos de justiça desportiva são discutíveis e/ou nalguns casos deixam muito a desejar. E dado que o Tribunal Arbitral do Desporto ainda não iniciou funções, a capacidade de recurso fica esgotada com a decisão do CJ quando o entende fazer, mesmo que isso aconteça largos meses ou anos depois, porque largos dias tem uma época. Mas como os regulamentos não fixam prazos e os doutos conselheiros andam sempre muito atarefados, tal está antecipadamente justificado…

3. Em 4 de Outubro de 2013 aquando do jogo Benfica-Belenenses no Estádio da Luz, a equipa de arbitragem chefiada por Jorge Tavares validou o golo dos azuis do Restelo no seguimento de um canto e que redundaria num empate. No momento em que a bola percorria a sua trajectória até à cabeça de Diakité a defesa encarnada avançou de imediato, sendo que o único jogador que ficou plantado à frente do guarda-redes Artur foi um jogador do Belenenses. Não contente por se encontrar em clara situação de fora de jogo, no seguimento do cabeceamento do seu colega não ficou estático, mas antes movimentou-se e assim perturbou a acção do keeper encarnado. Visível no Estádio mesmo sem recurso a TV. Um lance com algumas semelhanças com o que aconteceu no jogo da 2.ª volta no Restelo e que mereceu e a nosso ver bem, o respectivo sancionamento do árbitro auxiliar.

4. No calor do momento o presidente encarnado teceu algumas considerações sobre a equipa de arbitragem, referindo a propósito que: «Para não ver um fora de jogo daqueles, o árbitro ou é cego ou não tem competência para estar num relvado a arbitrar um jogo. (…)». Por estranhas ironias que o destino nos reserva, precisamente o mesmo árbitro Jorge Tavares no Benfica B-Chaves de 29 de Março passado, 176 dias depois, praticamente o mesmo tempo que demorou a decisão do Conselho de Disciplina (CD), resolveu validar as palavras então proferidas por Luís Filipe Vieira, ao conseguir descortinar uma falta do guarda-redes flaviense sobre Ivan Cavaleiro que à vista desarmada se viu não existir e que redundou na sua expulsão. A menos que tenha sido uma enormíssima coincidência, parece não haver dúvidas que o citado árbitro necessita de ir com urgência a um oftalmologista.

5. Pois a despeito das declarações de Vieira terem sido públicas, o atarefadíssimo CD demorou 6 (meses!) a pronunciar-se sobre o assunto castigando o presidente encarnado. Segue-se o recurso para o CJ que é de crer venha a demorar menos tempo. Um dos princípios basilares da justiça num Estado de Direito democrático é que a mesma seja igual para todos. Não parece ser esse o entendimento do CD que julgou avulso e tarde e a más horas. Diversos outros agentes incluindo vários colegas de Vieira que por acaso são reincidentes nessa prática pronunciaram-se igualmente sobre aspectos de arbitragem com declarações que nada ficaram a dever (antes pelo contrário) às proferidas pelo líder encarnado. Mas desses, até ao momento, nada de pronunciamentos do CD. Se calhar o tempo era limitado…

6. Semana mesmo aziaga. Não é que a exibição em grande estilo na Choupana do putativo candidato Quaresma aos 23 de Paulo Bento, presenciada por milhares não existiu, fazendo lembrar a omissão das escutas telefónicas do Apito Dourado? Pelo menos é isso que se infere das decisões tomadas pelo CD que a ignorou o que revela, sem sombra de dúvida, que o estado da justiça desportiva é flagrantemente parcial, funciona por impulsos e sem qualquer critério. Esta 'não' decisão conjugada com a justificação do presidente do CJ sobre o recurso leonino na Taça da Liga são peças raras que deveriam figurar com toda a justiça no anais da justiça desportiva em Portugal para que nunca fossem esquecidas. Será que pensam que afinal os adeptos-pagantes são todos estúpidos? Desenganem-se…








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